Trevor Ratajczyk
PREFÁCIO Alguma vez já parou e pensou: o que você quer? Eu não sei o que eu quero e talvez por isso esteja enclausurado nesse ciclo vicioso de tentativa e fracasso eternamente. Cansado de tentar me redescobrir, eu encontrei a resposta mais angustiante que poderia existir: eu não sou o centro de nada, e nunca vou ser. Portanto o que me resta é aproveitar o todo e fazer algo de bom com isso... Ou será que não ? E se... Sempre fui tratado como um nada, ou pior que isso, como algo ordinário o suficiente para ser comparado a todos os outros, mas talvez eu seja um pouco egocêntrico em pensar que eu deveria sim ter um pouco mais de relevância. Eu sei que posso ser algo mais. Meus pais nunca foram exatamente os meus pais, e eu sempre me senti insuficiente pra eles, mas agora não mais. Aquela história de "ou você morre para virar o herói, ou vive o bastante para virar o vilão" nunca fez tanto sentido aqui dentro. Eu não quero morrer, mas quero me tornar algo, sentir a razão do que é estar vivo e talvez... só talvez eu sorria. Buscando significado em coisas sem sentido é natural, e talvez por isso as artes expressam como o ser humano é surpreendentemente imprevisível, ninguém sabe realmente o que se passa no interior de cada um. Mas aqui eu vou deixar por escrito, como uma despedida, o que aconteceu comigo, e quem eu sou.