❦𝓜𝓾𝓵𝓽𝓲𝓿𝓮𝓻𝓼𝓸 𝓭𝓸𝓼 𝓔𝓷𝓻𝓮𝓭𝓸𝓼❦

༺𝐌𝐚𝐫𝐯𝐞𝐥༻

Sharon Carter

Aqui, os enredos desse universo.

Sharon Carter

꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ O retorno ao jogo. Sharon Carter caminhava pelo corredor silencioso da sede de CIA, em direção à saída. O dalto de suas botas abafado pelo tapete luxuoso. Ao chegar à rua, sacou o celular e discou o número codificado. A ligação foi atendida em segundos. — O soro do supersoldado saiu do menu... — Disse em tom frio, como se tratasse de uma simples negociação de mercado negro. — Mas consegui acesso a protótipos e armamentos, tudo direto do governo e em primeira mão. Houve uma pausa do outro lado da linha. A voz distorcida do contato da HIDRA soou grave, satisfeita. — Excelente. Você pode ser mais útil do que imaginávamos. Ela reprimiu um sorriso. — Vocês terão o que querem. Só mantenham a porta aberta. Desligou antes que a conversa se estendesse, respirou fundo e, sem perder tempo, digitou outro número. A linha demorou um pouco mais para atender, até que a voz inconfundível de Nick Fury surgiu. — Fale. Sharon ajeitou o taier, olhando em volta para garantir que ninguém observava. — Eles morderam a isca, Fury. Estão acreditando em cada palavra. A HIDRA caiu no disfarce. Do outro lado, Fury soltou um suspiro baixo, um riso contido. — Bom trabalho, agente 13. Agora mantenha a pressão. Quanto mais fundo eles acreditarem, mais rápido a gente derruba essa merda pela raiz. Bem-vinda de volta aos Estados Unidos. Sharon desligou, guardando o celular no bolso. Seu rosto voltou ao mesmo semblante inexpressivo de antes. O jogo estava só começando e ela, sabia exatamente como e quando dar a cada um, exatamente o que mereciam. (...) Ela atravessou a rua como quem atravessa o próprio passado: com passos medidos, olhos calculando ângulos e saídas. No táxi, a cidade deslizava em sombras e néons; mapas mentais se redesenhavam enquanto ela revia cada peça. A HIDRA. acreditando no soro. Protótipos em trânsito. Uma porta aberta, e atrás dela, a chance de fechar um ano de promessas quebradas. No hotel onde se hospedou por duas horas apenas, apenas o suficiente para vestir outra pele, Sharon abriu a mala com a precisão de quem desmonta e remonta uma arma. Roupa social elegante, mas sem brilhos; salto confortável escondido entre meias; um casaco leve com bolsos internos que guardavam um kit mínimo: seringa neuromoduladora, microGPS, um cartão de acesso gravado e, por precaução, uma pequena arma com silenciador. Em cima de tudo, o crachá falso: “Hampton Institute, Convidada VIP”. Ela sorriu por um instante, lembrando-se do quanto adorava quando as coisas se encaixavam. Antes de sair, checou a mensagem que Fury deixara: “Você tem autorização para operar fora da cadeia. Não faça nada estúpido.” Assinatura implícita. Ela sabia o que ele queria dizer; sabia também o quanto ‘autorização’ podia ser um bilhete para morrer com dignidade. Fez uma respiração lenta e, por hábito, passou a mão sobre a cicatriz no ombro: lembrança de escolhas que não se arrependia, mas que pesavam. O destino certo era o Cassino de Hamptons. Um evento beneficente transformado em fachada perfeita para o mercado cinza. Havia milhares de olhos, copos e egos, e no meio deles um corredor onde ideias e armas, poderiam trocar de dono sem que ninguém percebesse. Sharon organizara tudo com anos de antecedência: convites filtrados, mesadas de informação, a rota de acesso dos protótipos cuidadosamente planejada para parecer uma transferência de coleção privada. E, como sempre, o detalhe que ninguém previa: ela. Ao chegar, a equipe de apoio já operava nas sombras. Dois contatos da S.H.I.E.L.D. em trajes de garçons, um técnico no posto de vigilância improvisado, óculos com feed direto para o pulso dela. “Câmera 3 limpa. Segurança reforçada no setor A. Entrada do carregamento prevista para 23h10”, sussurrou a voz em seu ouvido através do microfone implantado no colar. Sharon assentiu, ninguém a via assentir e sorriu para a recepção como se fosse uma socialite entediada. O salão era um mar de sorrisos. Mulheres com vestidos de cauda, homens com ternos caros, flashes discretos e um pianista que tentava salvar a noite com clássicos. Ela se moveu como uma sombra elegante, cumprimentando, fingindo amabilidade, colecionando informações: dois guardas trocando de turno perto da saída de serviço, um homem alto que ficava sempre perto da mesa do leilão, provável courier e, no fundo do salão, uma vitrine de vidro onde, segundo seus informantes, ficaria a “mostruário” temporário dos protótipos. Quando o leilão começou, a atenção da sala se concentrou em lances e aplausos. Esse era o ritual perfeito; enquanto o show participava da audiência, a verdadeira mercadoria mudaria de mãos. Sharon deslizou até a vitrine usando o rebuliço humano como cortina. O vidro refletia seu rosto por um segundo, sério, quase monstruoso na calma e nela não havia nada além do compromisso frio de quem sabe o que está prestes a perder. Do outro lado do corredor, sem aviso, a pele dela se eriçou. Presença conhecida: instinto e memória sincronizaram. Bucky. Não como ameaça, não imediatamente, mas como uma sombra gentil que atravessava sua periferia. Ele não estava ali por acaso. Havia promessas não ditas entre eles, acordos de sangue e trégua. Ela viu-o encostado na parede, vigilante, com o velho casaco que escondia tantas histórias. Os olhos dele encontraram os dela por um segundo que parecia uma eternidade; uma pergunta não verbalizada pendia no ar: “Você está bem?” Sharon devolveu o olhar com a mesma neutralidade estudada que usava em campo, mas por dentro reconheceu a tempestade. Não o precisava ali e, ainda assim, algo no coração dela apertou. O microfone chiou: “Carregamento em aproximação. Entrada dos veículos por service road, três minutos.” Sharon inclinou a cabeça, respirou e, sem tirar os olhos da vitrine, deixou o sorriso social se desfazer. Agora era a hora de atuar. Precisou de menos de um minuto para se integrar ao esquema: uma pausa teatral diante do leiloeiro, uma pergunta sobre a origem de uma peça, um aceno para o segurança que marcara o ponto onde queria passar. No corredor de serviço, o caminhão encostou. Dois homens descarregaram caixas com etiquetas oficiais, fabricadas por ela, e as colocaram sob a cobertura de um carrinho de bebidas. Movimentação rápida, coordenada, aparentemente banal. Sharon agiu como se puxasse o carrinho para oferecer champanhe, mas seus dedos trabalharam por baixo, soltando o fecho magnético do fundo da caixa. Lá dentro, embalados em espuma, estavam os protótipos: cilindros pequenos, marcados com inscrições que alguém em HIDRA consideraria divinas. Ela passou a mão por cima do primeiro e sentiu o frio metálico da promessa de destruição. — Agora... — Sussurrou para o ouvido do técnico. O feed mostrou a rota prevista pelo comprador: uma saída lateral disfarçada por cargas. “Ponto de encontro: pier C. Dois minutos até a retirada.” Era um teste de paciência. Sharon calculou, dois minutos para avisar Fury? Não. Tempo para agir era agora. Ela precisava interromper a transferência sem expor a operação. Havia ao menos duas opções: neutralizar a segurança técnico-eletrônica e interceptar o carregamento ali, arriscando confronto aberto; ou permitir que o caminhão saísse e cortar a rota no pier, onde o contato de HIDRA receberia as peças, menos protegido do que o baile. Escolheu a segunda. Menos brilho, menos sangue na mídia, mais controle. Deixou que o carrinho saísse com os outros, seguiu uma rota de funcionários carpinteiros e acessos de serviço, e encontrou Bucky na esquina do corredor de carga. Ele a parou com um gesto mínimo. — Você planejou isso sozinha? — Perguntou ele, voz baixa, como se a sala inteira pudesse ouvir. — Sempre planejo sozinha, Barnes! — Respondeu Sharon, sem se permitir outro tom. Mas havia uma linha de humor cansado nos cantos da frase. — Mas você, claro, pode se juntar à festa. Bucky esboçou algo parecido com um sorriso. “Não vim só pra festa.” Eles caminharam lado a lado até o pier, passos sincronizados, como se balanceassem entre o passado e a missão presente. Quando alcançaram a doca, as luzes refletiam na água preta e, no fim do cais, um barco veloz aguardava. Dois homens em roupas pesadas descarregavam as caixas; outros, com rostos tapados, vigiavam. Sharon e Bucky deslizaram para posições. Ela lançou um olhar curto ao relógio: 23h38. A troca era iminente. Com a calma de quem já esteve em piores, ativou o pequeno dispositivo no seu pulso; uma onda curta de sinal cortaria a câmera externa e as comunicações da equipe de segurança dos compradores por exatos cinquenta segundos, tempo suficiente para interceptarem e recolherem as peças. O golpe foi perfeito até o momento em que o homem alto do salão, o courier, saiu da sombra e apontou direto para Sharon. — Achei que sua cara era conhecida! — Disse ele, sorrindo com a confiança de quem acha que pegou a presa no laço. Ela não se moveu. Cada músculo preparado. Bucky já estava em movimento por inércia, uma sombra metálica que se aproximava com passos silenciosos. Sharon deixou que a voz chegasse calma até ele: — Fury disse que manteria a pressão. Então, num gesto que unia tudo que era pessoal e profissional, ela puxou o primeiro cilindro, sentiu a gravidade dele e escolheu. Quando a troca virou confronto, não foi apenas por causa do metal. Foi porque segredos, quando trocados por dinheiro, preferem voar em direção à sombra. Sharon lutou com a frieza de quem tem uma dívida com o mundo e não pretende perder. Bucky foi um dardo prateado ao seu lado, abrindo caminho. Eles não falaram, não precisaram, e cada movimento deles foi uma conversa de anos. Ao fim, quando o barco ficou deserto e os homens da HIDRA foram contidos, Sharon permaneceu encostada na balaustrada do pier, respiração controlada, olhar no mar que absorvia luzes e segredos. O cilindro estava seguro, coberto por um pano que agora escondia mais do que metal: escondia escolhas que talvez mudassem o curso de muita gente. Fury ligou em seguida, mais seco do que o habitual. — Peças recuperadas. Você e o… parceiro? Bom trabalho. — A palavra parceiro soou estranha, mas necessária. Então, sem mais delongas, desligou. Sharon olhou para Bucky, que limpava a luva com paciência. Ele inclinou a cabeça. Ela sorriu, enfim, um sorriso que era pouco para tudo aquilo que já havia acontecido, mas suficiente para a noite, para o momento. — Meus cumprimentos ao Stark! — Bucky disse por fim. Sharon ergueu a vista, com ar de curiosidade. — Stark? — Repetiu, arqueando uma sobrancelha. — O que ele tem a ver com isso? Bucky encolheu os ombros, dando aquele meio sorriso que ela sempre achava irritante e, ao mesmo tempo, perigoso demais. — Digamos que a tecnologia que você acabou de recuperar tem a assinatura do seu... — Fez uma pausa, olhando para o mar escuro à frente após a cara que ela fez. Sharon manteve o olhar firme e incisivo. — É que é uma coisa meio cliche sua... esconder as coisas. — Bucky a provocou. Ela cruzou os braços, fazendo uma carranca. — Não desvia o assunto. O que eu não tô sabendo? — Bom, aquela tecnologia... se... se alguém da HIDRA tivesse conseguido ativar aquilo… bem, teríamos um novo “acidente” nível Ultron. Sharon suspirou pesado, pensativa. O nome de Stark sempre trazia um peso, uma mistura de nostalgia e mais. — Então quer dizer que Fury me mandou pra limpar o rastro do gênio mais arrogante do século? Nada novo sob o sol. — Não exatamente. — Bucky voltou-se para ela, o olhar firme. — Ele sabia que você era a única que conseguiria fazer a HIDRA engolir a isca. Eles confiam em você o suficiente pra cair na armadilha. E depois... você e o Stark, bom, eram quase família... — Confiança é uma moeda cara. — Sharon disse ríspida. — Eles pagaram com juros. E para com isso! Que coisa chata! Eu te pergunto da sua vida pessoal? Bucky deu de ombros, mas segurou o riso. O silêncio caiu por um momento, cortado apenas pelo som das ondas batendo no cais e do motor dos caminhões ao longe. Então o comunicador vibrou no bolso do casaco dela. Sharon atendeu. A voz de Maria Hill ecoou pelo canal: — Carter, recebi o relatório preliminar. Bom trabalho no Cassino, mas temos um problema. O nome do comprador que estava no barco acabou de aparecer em outro leilão. Cairo. Daqui a setenta e duas horas. Sharon respirou fundo, olhando para Bucky. — Três dias? — Três dias. — Confirmou Hill. — E dessa vez, parece que não é só protótipo. Há rumores de que estão vendendo algo biológico. O olhar de Sharon endureceu. — Vou precisar de acesso diplomático e cobertura total. — Já providenciado. O codinome da operação é “Falcão Negro”. O Sam já sabe. Talvez... ele voe até lá pra te ajudar! Câmbio, desligo. O canal encerrou com o habitual estalo. Sharon guardou o dispositivo e ajustou o casaco, fazendo outra careta. Bucky a observava, silencioso, já sabendo o que vinha a seguir. — Você vai atrás sozinha? Ela sorriu de leve, o vento bagunçando uma mecha de cabelo. — Quando é que eu não vou? — Sharon… é a HIDRA Pelo menos, espera o Sam vir porque... — Te aviso quando pousar também! — Interrompeu, começando a caminhar na direção da moto estacionada na extremidade do pier. — Mas se eu demorar pra responder, é porque o mundo resolveu ficar interessante de novo. Bucky deu uma risada baixa, resignada. — Só tenta não começar outra guerra, tá? — Sem promessas, soldado. — Respondeu por cima do ombro, antes de subir na moto. — Manda um abraço ao Sam! — E acelerou rumo à escuridão da estrada. Enquanto as luzes da cidade se distanciavam no retrovisor, Sharon ativou o comunicador de pulso e gravou uma mensagem curta para Fury: “Agente 13 em deslocamento. Próximo destino: Cairo. Se o mundo está prestes a cair, é melhor que seja nas minhas mãos.” Acelerou mais o ronco do motor se misturando ao vento noturno, e, no fundo, a certeza fria de que o jogo estava longe de acabar. O retorno ao campo era só o começo. Sabia também que a HIDRA não desistiria fácil. A parte mais perigosa vinha depois: manter o sangue frio quando o jogo realmente começasse a sangrar. E ela definitivamente, estava pronta.

Sharon Carter

꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Pequeno Fragmento. 》Acontecimento após Ultimato. ▪︎ Base da SHIELD, Madripoor. Sharon havia ficado escondida naquela base desde que todos voltaram do blip. Era o mais seguro para ela e para Maggie, sua única filha e grande amor de sua vida. Ela decidiu ligar o televisor na saleta do local após, por a filha para dormir. No jornal, a fatídica notícia que nenhum Vingador esperava ver: A morte de Tony Stark. Sharon arregalou os olhos e olhou fixamente pra televisão. A voz então de Phill Coulson pôde ser ouvida às suas costas. ━ Cheguei tarde Fury! Ela já está vendo o noticiário! A garota neste instante, se voltou para seu chefe o que, fez Phill desligar o celular imediatamente. ━ O que vocês fizeram? ━ Sharon... ━ Ele começou. ━ O QUE VOCÊS FIZERAAAAAM? ━ Gritou ela, arremessando um vaso contra o televisor. E então, Stephen e Fury adentraram o local totalmente perplexos com aquela reação. Sharon, se voltando para Fury, o olhava com fogo nos olhos. ━ Você me prometeu que ninguém iria se machucar! ━ Eu sei o que prometi Carter, mas acontece que... ━ VOCÊ ME PROMETEU, MERDA! ━ Ela jogou outro vaso qualquer agora, contra uma das paredes da sala. ━ Ele não tinha como saber! Ninguém tinha, exceto eu e não po... ━ Stephen se deu conta do que falara assim que, o olhar fuzilante de Sharon o "atingiu." ━ Você sabia? ━ A essa altura, lágrimas salgadas banhavam um rosto totalmente devastado e perturbado. ━ Kate, eu... ━ Ele usou o nome pelo qual se conheceram um dia. ━ Você sabia e não fez nada para ajudá-lo! ━ Ela constatou visivelmente transformada em puro ódio. ━ Você o deixou morrer! ━ Eu... ━ Stephen nunca havia gaguejado ou hesitado em toda sua vida, mas sempre havia uma primeira vez. ━ Não podia interferir! Sharon de transtornada na ira, estava perplexa e sem chão. ━ Ele salvou a sua vida! Sabia disso, seu filho da mãe? ━ A indignação estava presente. ━ Kate, eu sei disso! ━ Eu também já salvei a sua vida! ━ Havia... Uma única chance! E se caso eu interferisse... ━ SEU DESGRAÇADO EGOÍSTA! ━ Ela gritou ao lhe enfiar a mão destra na cara e com tudo, sem a menor dó. Fury e Coulson olharam horrorizados. ━ Agente treze, já chega! ━ Fury interviu. ━ VOCÊ PODIA TER SALVO A VIDA DELE E O DEIXOU MORRER! ━ Eu não tive escolhas! ━ Stephen se defendeu. ━ Eu simplesmente... ━ Eu devia ter te deixado morrer quando tive chance! Stephen sentiu aquilo como se fosse uma nova bofetada. ━ EU DISSE JÁ CHEGA! ━ Fury usou de um alto tom para chamar a atenção da garota. Phill olhou dela para Stephen e uma nova pequena voz, preencheu o local. ━ Mamãe, você está bem? Era Maggie, a filha tão amada de Sharon Carter, com sete anos ━ Maggie... ━ Ela respondeu ao se voltar a menina. ━ Por que a senhora tá chorando, mamãe? ━ A pequena perguntou inocentemente. Sharon na mesma hora, correu até ela e a pegou nos braços, a abraçando o mais forte que podia. Todo o seu ódio naquele instante, se transformara no mais perfeito e puro amor incondicional. Olhando na direção dos três presentes, nada mais disse e deixou aquela saleta, em direção do quarto delas. Fury e Phill olharam para Stephen. Ele estava abalado e era notório. Sharon o havia acusado e talvez no fundo, ela tivesse razão pelo ódio que estava sentindo. Os Vingadores haviam perdido um amigo e ela, sua única família mais uma vez...

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꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Pequeno fragmento. 》As ligações de Sharon. ▪︎ Sokovia - (2012). Sharon Carter, havia sido encontrada pela família Zemo quando foi abandonada pela HIDRA, para morrer queimada. Gravemente ferida pela agressão sofrida, ela foi salva pela Baronesa Heiko Laura Zemo e seu marido, Helmut. Depois de alguns dias de constantes delírios de febre, ela melhorou, o que deixou Heiko feliz. ━ Eu não acho que seja uma boa ideia sair da cama, Katherine! ━ A baronesa disse a Sharon. ━ Estou cansada de ficar deitada! ━ Sharon respondeu e Heiko então, a pegou pelo braço e a ajudou a se acomodar no sofá próximo com cuidado. ━ Então, é muito melhor agora, não é?" ━ Obrigada, Sra. Zemo! Por tudo! ━ Sharon disse sorrindo. ━ Não agradeça ainda! Não até, experimente a sopa de abóbora! Amanhã, você vai acordar curada! ━ Helmut Zemo disse e piscou para Sharon, colocando o pequeno Carl no carrinho de bebê. ━ Ele é muito exagerado! ━Heiko brincou. ━ Querida, você viu minha mala? O bebê estava um pouco inquieto e Carter percebeu isso. ━ Posso segurá-lo um pouquinho? ━ Referindo-se a Carl. Zemo olhou para ela e sorriu gentilmente. ━ Claro que você pode! E tirando-o do carrinho de bebê, o entregou a Sharon, que o colocou em seu colo. ━ Ei, oi amigo! ━ Sharon disse e o pequeno Carl riu. ━ Parece que ele gostou de você! ━ Heiko disse quando apareceu na sala com a mala de Helmut nas mãos. ━ Minha Salvadora! ━ Ele brincou, dando-lhe um beijo rápido. ━ O que você seria sem mim? ━ Heiko brincou também. Sharon riu enquanto sacudia o pequeno Carl brincando. ━ Você deveria estar ao meu lado, mocinha! Afinal, eu salvei você de um incêndio! ━ Zemo brincou com Sharon quando ele sorriu, e foi embora. ━ Jantar às sete! E ele já tinha ido. ━ E meu marido se foi! Sharon riu novamente e Carl achou engraçado, rindo com ela. ━ Katherine? ━ A Sra. Zemo chamou. ━ Sim? ━ Sharon olhou para ela. ━ Se algo acontecer comigo, você promete cuidar do meu marido e do meu filho? Sharon ficou impressionada com aquela pergunta e a olhou confusa. ━ Mas o que, Sra. Zemo? Não vai acontecer nada com você! ━ Eu tenho uma doença degenerativa, Katherine! Então... O rosto de Sharon foi tomado de pavor. ━ O Sr. Zemo sabe? ━ Não! Eu conheço meu marido! Ele não iria parar, não até encontrar uma cura para mim, mas não há nenhuma! Eu tenho cinco anos antes de começar... ━ Ela disse, buscando ser forte. ━ Sinto muito! Se... se houver alguma coisa que eu possa fazer... eu... ━ E tem! Eu vi o jeito que meu marido olhou para você. Com carinho, e o cuidado que você está tendo com meu Carl! Acho que você poderia ser a minha escolhida! Se você tem algo que quer fazer por mim, então, me prometa que vai cuidar da minha família quando eu me for... ▪︎ Wakanda — Após o sacrifício de Tony, e depois dos eventos de Falcão e o Soldado Invernal. Sharon voltou de algumas de suas memórias, mas ainda estava em silêncio, como se evitasse falar sobre o que se lembrava. Como se não quisesse se lembrar. As Dora Milaje concordaram em recebê-la e a mesma, após uma longa conversa, já deixava o local em direção a prisão, onde Helmut Zemo se encontrava. ━ Eu já disse que é uma péssima ideia o que está fazendo? ━ Soou a voz de Tony Stark ao seu lado. ━ Você é só a minha consciência e está morto! Então, não pode opinar! ━ Sharon retrucou, sendo bem ácida. ━ Ouch! ━ Tony fez uma careta. ━ Você sabe bem como ser rude, hein filhinha? ━ Eu tive um excelente professor! ━ Sharon foi ainda mais irônica. ━ Sharon, é sério... ━ Não, Tony! ━ Ela dobrou o corredor ao falar. ━ Nunca se perguntou do porque sua consciência ser eu? ━ Ele estava curioso. ━ Não estou interessada! ━ Ela foi ríspida de novo. ━ Isso não vai terminar! Não até você enfrentar de frente e se permitir... ━ Eu não vou à sua lápide, okay Tony? Agora dá pra sumir daqui? ━ Sharon disse visivelmente irritada. ━ Mas você precisa ir! E sabe disso, não sabe? ━ Perguntou ele gentilmente. ━ Não! Eu não posso ir até lá porque a partir do momento em que ver aquela maldita lápide, eu saberei que é real! E... ━ Sharon engoliu em seco, já com lágrimas nos olhos. ━ ...Eu não que... O Tony de sua imaginação parou próximo dela e a olhou com pesar. ━ ... Não quero que seja real! ━ Ela repetiu apertando os lábios finos entre os dentes. ━ Não pode ser real! Eu estou há muito tempo evitando que isso seja real! ━ Você me adora certo Sharon? ━ Perguntou o falso Tony. ━ Que pergunta mais idiota! ━ Ela se irritou mais. ━ Mas é claro que eu te adoro! Você é o mais próximo do que tinha de uma família! O Tony de sua imaginação, a encarou estupefato. ━ E eu sempre te amei como uma irmão! ━ Ela continuou. ━ Mas foi você quem se afastou quando defendi o Barnes e o Steve. E talvez, por causa disso, tenha sido eu a cometer o erro de deixar o Zemo me manipular! ━ Se não fosse por ele, nunca saberia que Bucky matou meus pais! ━ E isso te fez alguma diferença ou, te ajudou em algo além de, brigar com seus melhores amigos? ━ Isso nos aproximou outra vez, como família! E Sharon, fui grato por isto! Em todos os dias que vivi! Ela o olhou nos olhos e limpou o canto dos olhos dela sem nada a dizer pela surpresa. ━ E você? Bom, tem a Maggie! Então, acho que todos nós saímos ganhando de alguma forma, não é mesmo? ━ Tony lhe sorriu. ━ Ela é o melhor de nós dois. ━ Se referindo ao pai da criança. ━ Mas não posso estar com ela. Não até, você estar de volta e eu resolver tudo que tenho com a HIDRA. ━ Sim! Ela é! E é por ela que você precisa fechar esse ciclo! ━ Tony a encarou. ━ E, pelo Bucky também. É, não acredito que estou te dizendo isso, mas estou! Afinal, o cretino salvou seu pai e você quando era pequena, daquele acidente, quando ainda era o Soldado Invernal... ━ Não começa! Bucky não se lembra de nada de 1944! E é melhor que fique assim... ━ Conta a verdade para ele, Sharon! Ou pelo menos, o que você acha que se lembra! ━ Eu tenho outros assuntos mais importantes agora! ━ Você não pode mexer com o passado porque se der errado... ━ Não se eu conseguir te trazer de volta! Então, não irei precisar me preocupar com isso! ━ Você não pode e sabe disso! ━ Tony a advertiu. ━ Sim! Eu posso! E estou indo atrás da pessoa que tem os recursos para isto! ━ Sharon voltou a andar. ━ É mesmo? E se ele lhe trair de novo? ━ Perguntou. ━ Acha que poderá conviver com isso? ━ Esse, é um risco que eu devo correr se quiser te ter de volta! E se, eu precisar me aliar ao Barão Zemo para fazê-lo, que assim seja! ━ Ela estava mesmo decidida. ━ Mesmo que perca a sua alma para o "diabo" ? ━ O Tony imaginário indagou. ━ Olhe para mim, Tony! Eu a perdi há muito tempo atrás! E se eu a quiser de novo, precisarei estar em paz comigo mesma! ━ Ela sussurrou. ━ Me vendo ao lado da Pepper, quando você não admite seus próprios sentimentos pelo pai da sua filha? ━ Sim! ━ Ela nem pestanejou. ━ E o Barnes, não é o pai da Maggie, já disse! ━ Carter... você mesma disse que se deixou manipular pelo Zemo... ━ E você disse que por ele, descobriu a morte de seus pais! ━ Já pensou que pode querer que ele esteja livre porque ainda sente alguma coisa pelo Barão? ━ Já pensou que você ainda estará vivo se isso der certo, e que eu terei a minha família de volta? ━ Perguntou baixo. Tony, a olhou nos olhos. ━ Terá válido a pena! Para todos nós. Assunto encerrado! Concluiu ela, deixando aquele assunto enterrado de uma vez por todas antes de entrar na caverna do “diabo.” Continua...

Sharon Carter

꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭A verdade chega à tona. ▪︎Wakanda — Logo após Sharon voltar da missão de 1944. Wakanda estava em festa, e foi isso que Sharon encontrou quando chegou lá. Sendo recebida pelo rei T'Challa, a mulher sorriu animada pela música. ━ Do que se trata tudo isso? ━ Wakanda está em festa! Bucky está livre finalmente do controle da HIDRA. ━ T’Challa explicou. Sharon olhou para o homem e imediatamente, seus olhos ficaram marejados. ━ Como isso... ━ Okoye tem suas habilidades. ━ Eu... meu Deus, isso é realmente maravilhoso! ━ Ela estava mesmo visivelmente emocionada com a notícia. ━ Eu sei! Todos estamos alegres com a notícia. Venha, vamos ver o Lobo Branco. ━ Quem? ━ Bucky! Ele não é mais o Soldado Invernal. Agora, é o Lobo Branco. ━ O homem a elucidou e ditou o caminho, para que Sharon o acompanhasse. (...) ▪︎ Madripoor. 》Algum tempo após o estalo e no meio dos eventos de Falcão e o Soldado Invernal. Sharon Carter lia a carta deixada por Steve Rogers à ela. Algo jamais esquecia. Era tarde da noite, e uma xícara se chá, estava sendo sua melhor companhia. As palavras, foram claras e diretas embora, polidas. Ele teve todo o cuidado para que não a magoasse. Mas mesmo assim, obviamente de que magoou. “Querida Sharon, Quando ler esta carta, já vou estar longe. Eu sei do quanto se arriscou por nós e sou grato. Sou muito grato. Sua tia teria orgulho de você! Sinto muito por não poder ser quem esperava que eu fosse. E se me permitir um último pedido: cuide do Sam e do Bucky por mim. Alguém tem que ficar de olho naqueles dois para que não se matem. E acho que você, é a mais indicada, por razões das quais, ainda irá descobrir. Seja feliz. Com carinho, Steve.” O que ele não imaginava era que, mesmo assim, ela se sentiria magoada porquê bem no fundo, sabia que nunca seria como a sua tia e isso, era o que mais lhe fazia duvidar de si mesma as vezes. ━ Eu sinto muito, Sharon! ━ Bucky lhe disse baixinho, às costas dela ao vê-la lendo novamente aquilo. ━ Vim... tomar água. Quem não sabia daquela carta, afinal de contas? ━ Não aconteceu nada mais além de um simples e tardio beijo, seguido de algo que não era pra ser, Barnes! ━ Sharon o olhou. ━ Então, não sinta! ━ Eu sei que isso ainda te incomoda. ━ Não faz diferença! ━ Você sabe que não é disso que eu estou falando, Sharon! ━ Ah claro, é do meu perdão, aquele que ninguém se lembrou e agora a Interpol está no meu encalço!? ━ Nós vamos conseguir isso para você! Eu prometo! Não vai precisar se esconder em Madripoor para sempre, Sharon! ━ Você tá horrível! ━ Ela anunciou ao vê-lo melhor de perto, mudando o teor do assunto. ━ Nossa, muito obrigado! ━ Retrucou este, ao olhar para ela de volta e fez uma careta. ━ Pesadelos? ━ Sharon serviu uma xícara de chá de camomila para ele. ━ Como sabia? ━ Pareceu bastante surpreso, vendo a xícara diante dele. ━ Eu consigo reconhecer alguém atormentado pelo passado, acredite! ━ Forçou um sorriso. Não estava mentindo. Fatos recentes de seu passado, lhe batiam a porta, incansavelmente. ━ Fala por experiência própria? ━ Bucky olhou a xícara de chá novamente e fez outra careta. ━ Talvez. ━ Ela se limitou a responder e o olhou suave. ━ A tia Peggy sempre me dizia que uma xícara de chá curava tudo. Até amores perdidos... Bucky viu Sharon agora fazer uma careta e levar a xícara aos lábios. ━ Ela era uma mulher bastante sábia! ━ Bucky sorriu ao mencionar isso, e bebeu um pouco do chá também. ━ Era sim. ━ Suspirou. ━ Me pergunto muitas vezes se ela teria orgulho se mim. ━ Sharon disse, em tom de melancolia. ━ Diz isso, porque é o Mercador do Poder? ━ Bucky perguntou sem pestanejar e a olhou nos olhos. Foi a vez de Sharon ficar surpresa. Como ele poderia saber disso? Este segredo, estava guardado à sete chaves. ━ Eu sou um bom observador e depois, não é a única que faz coisas para o Fury agora! ━ Sorriu gentil. ━ Além do que, o Zemo disse que era íntimo do Mercador, e você pareceu querer pular no pescoço dele quando o viu! ━ É, Barnes, parece que fez a sua lição de casa! ━ Ela foi sarcástica. ━ Para! ━ Ele a advertiu. ━ Você pode dizer e mentir aos outros que não tem proximidade alguma comigo, mas sabemos bem de que não é essa a verdade. Então, não tenta me deixar de fora, tá legal? ━ Bucky pareceu zangado. Sharon ergueu a vista em zombaria com aquela frase, e deu uma risadinha irônica. ━ Vamos mesmo fingir que Wakanda nunca aconteceu? E, que não flertamos? ━ Perguntou a ela, como se não quisesse desistir. Ela, olhou mais surpresa nos olhos dele. ━ Flertamos? ━ Ergueu a vista. Bucky lhe deu um olhar de lado. Sharon tentou não rir, ele parecia bem sério agora. ━ Tão sério... ━ Engraçadinha! ━ Bucky a olhou novamente ao dizer. ━ Isso é diferente, James! ━ Não há nada do que me diga, que possa mesmo me abalar, Sharon! Ainda não aprendeu isso? ━ Eu matei pessoas para tentar deter a HIDRA. ━ Ela mandou na lata. ━ E estou presa há cinco anos nessa maldita cidade, fazendo coisas ilegais... ━ E eu não matei pessoas quando estava dominado pelos Russos não, né? Tipo, os pais do Tony, por exemplo? ━ Perguntou ele de volta. Sharon olhou nos olhos dele, e por alguns instantes, se calou. Era verdade. E sabia do quanto ele arrependia. ━ Você matou pessoas por não querer, e eu também matei. Vamos por isso na lista mesmo? ━ Ele perguntou novamente, olhando bem no fundo dos olhos dela. ━ Obrigada por confiar em mim, Bucky. ━ Ela sorriu apagado, finalmente, deixando o “muro” entre eles, cair. ━ Eu confio, com a minha vida! ━ Disse, enquanto ainda a olhava nos olhos. ━ E não estou errado! Você me salvou hoje, não foi? Sharon olhou para ele mais uma vez. O ex-Soldado Invernal, piscou e foi saindo. Mas então, parou na porta, e se virou para Carter. ━ Está tudo bem? ━ Ela perguntou, parecendo preocupada. ━ Eu seria um covarde, se não fizesse o que vim fazer aqui. ━ E o que veio fazer aqui? ━ Sharon perguntou. ━ Eu acho que você sabe muito bem, o que! Bucky respondeu ao ir até ela. Por fim, a tomou nos braços, e a beijou. Sharon foi pega de surpresa pelo beijo, mas não o recusou e retribuiu, se enlaçando no pescoço de Bucky. Dando um meio sorriso, Bucky brincou com a língua da agente, sentando-a na mesa da cozinha ao erguer, sem o menor esforço. Desde a missão de 1944, Sharon desenvolvera um certo interesse em James Barnes. Em Wakanda, eles praticamente flertaram mesmo e estava cada mais vez envolvida por sentimentos dentro dela, dos quais ainda nem conhecia completamente. ━ O que está fazendo? ━ O que eu deveria ter feito, em Wakanda! ━ Disse ele, próximo ao rosto dela. ━ Não estamos sozinhos aqui, sabia? ━ Ela perguntou, em tom de brincadeira. ━ Por que, eu acho que você não liga muito para isso? ━ Perguntou ele de volta ao olhar diretamente nos olhos dela. ━ Porque, eu não ligo! ━ Sharon sussurrou ao pé do ouvido de James, puxando a camisa dele para cima. Ele, escondeu um sorriso maroto, e voltou a beijar Sharon, com a mesma urgência e necessidade que houvera no passado como se aquele tempo, nunca houvesse terminado. (...) ▪︎ Estados Unidos — New York. 》Após os eventos de Falcão e o Soldado Invernal e antes da missão em Hamptons. Barnes abriu os olhos pela manhã. Ele olhou para o lado, e viu a recém nova integrante da casa ronronar: Alpine. Fazendo um carinho na gatinha, sorriu largo, e se sentou na cama, que estava bagunçada. Este, estava envolvido em uma confusão de lençóis. Algum tempo havia se passado desde que foi a Madripoor, com Sam e Zemo, e enfrentaram os super soldados terroristas. Sharon, finalmente havia recebido seu perdão, e parecia focada em um novo objetivo, desconhecido por quase todos, mas não, por James Barnes e Helmut Zemo. Respirando fundo, Bucky ouviu um barulho de vozes altas na sala, e olhou para a gata. ━ É! E lá vamos nós outra vez, Alpine! ━ Disse ao se vestir, e foi saindo do quarto com a gata no colo. Chegando na sala, encontrou Sam Wilson, bastante irritado. Alpine, logo foi para o pote de ração, ao ser posta no chão. ━ Eu não aguento mais esse cara, Bucky! E estou falando sério! ━ Disse zangado a ele. ━ A Sharon pediu pra gente tomar conta dele, lembra? ━ Bucky mencionou. ━ E eu tenho cara babá agora? ━ Sam deu um tapão na perna de Zemo, para que ele tirasse os pés da mesinha de centro deles. Bucky negou com a cabeça rindo, e pegou o cereal no armário. ━ Sinceramente, cara? Qual é a graça? ━ Perguntou Sam, mais irritado. ━ Nenhuma, Tigre Sorridente! ━ Ele despejou o cereal na tigela. Zemo segurou o riso e viu Sam lhe fuzilar com o olhar. Sharon abriu os olhos no quarto de hóspedes que estava. No relógio, passavam das sete. Olhando para o fio de luz vindo da janela, ouviu a discussão vinda do lado de fora. Sua cabeça, estava latejando e ela, se sentia no meio de uma bateria de escola de samba. Pondo a destra na têmpora, foi se levantando para fazer sua higiene pessoal, e logo, sair do quarto . A noitada de bebidas com Barnes, havia passado de todos os limites. ━ Se você vai viver aqui, podia pelos menos ajudar no aluguel, não? ━ Retrucou Sam ao pegar uma xícara de café na cozinha agora. Zemo, que também tinha ido à cozinha, sorriu sarcástico. ━ Posso pensar nisso, afinal, eu sou rico, Sam! ━ E pegou a xícara de café da mão dele. ━ Muito obrigado! Sam fez uma careta, e voltou-se para pegar outra. ━ Viu do que eu estou falando? ━ Perguntou indignado para Bucky. ━ Vi! E quanto mais você cair na pilha, mais ele vai te provocar, sabia? ━ Perguntou Barnes de volta, rindo. ━ Esse seu bem-humor tá me deixando puto já, tá sabendo? ━ Sam retrucou novamente. ━ Posso estar feliz não? ━ E que motivo você teria para estar rindo às sete da manhã, meu amigo? ━ Bom dia! ━ Uma voz, soou as costas deles. Chegando à sala, Sharon viu Sam discutir com Bucky, enquanto Zemo fazia castelo de cartas na mesinha de centro naquele momento. Sam prestes a reclamar mais uma vez de Zemo, olhou chocado ao ver Carter ali. E ela, usava uma camisa xadrez, provavelmente de Bucky o que, mais parecia um vestido do que uma camisa, por causa do tamanho da garota. ━ Sharon? ━ Sam perguntou. ━ De onde você saiu? Bucky, que já estava fazendo o café da manhã dela, se voltou a eles na sala. ━ Ah, ela dormiu aqui porque saímos para beber logo ali ontem a noite, e ficou um pouco tarde para voltar sozinha pra casa! ━ Estava com a frigideira na mão. ━ Sharon, você gosta dos seus ovos mexidos ou fritos no café da manhã? ━ Podem ser mexidos, por favor! ━ Ela esboçou um sorriso. ━ James, você tem uma aspirina? ━ Perguntou ao se sentar numa das cadeiras na cozinha. ━ Nossa, você tá horrível! ━ Ele, devolveu-lhe a piadinha de Madripoor. Sharon fez uma caretinha, mas em seguida, lhe sorriu. Sam e Zemo agora se voltaram diretamente aos dois, até esquecendo que brigavam. ━ Eu moro com esse filho da puta há dois meses e ele nunca, mas nunca mesmo, me fritou um ovo! ━ Sussurrou à Zemo. ━ Bem, isso é bastante suspeito, não acha?! ━ Zemo sussurrou de volta. ━ Muito suspeito! Ninguém fica de bem-humor as sete da manhã a menos que... ━ Ah, soldado sem vergonha! ━ Zemo sussurrou. E assim com a constatação deles, ambos olharam para Bucky e Sharon e depois, se entreolharam, chocados. (...) 》QueenJet da S.H.I.E.L.D. ▪︎ Algum tempo depois da Guerra Cívil. Quando Phill Coulson disse à Sharon que eles fariam uma viagem, ela não tinha levado tão ao modo literal. Tanto que, ao pousarem, ela realmente achou que estavam ainda em 2016, mas quando saíram da nave, levou um choque. ━ Coulson... ━ Ela o olhou. ━ Onde nós estamos? ━ Estamos no ano de 1944, no Brooklyn! ━ Explicou calmamente. ━ Como é que é? ━ Sharon perguntou em surpresa ao olhar o chefe. ━ Mais precisamente, na época do sargento James Buchanan Barnes e do Capitão Steve Rogers. Então, sugiro que se vista a rigor! Carter, o viu apontar e quando seguiu com o olhar, avistou exatamente quem Coulson esperava que ela visse: James Barnes, ao lado do tão inseparável e ainda franzino amigo, Steve Rogers. O coração dela praticamente disparou. ━ Se for muito complicado para você... ━ Ouviu May dizer. ━ Nada é complicado para mim. ━ Disse para ela. ━ Von Strucker pode estar aqui! ━ Disse Richard O’Brien. ━ O’Brien está certo! Nós precisamos salvar aquela amostra do super soro. Coulson sabia que nem se o papa surgisse ali, dançando cancam, a atenção da agente sairia de Rogers. Até ele mesmo estava bem impressionado com aquela época. ━ E será você quem irá nos ajudar, Carter! ━ Tentou assim, trazê-la para a conversa outra vez. ━ O que? ━ Sharon o olhou pasma. ━ A partir de hoje você será Dolores Armstrong! E se aproximar de James Barnes, é seu principal objetivo para podermos manter o super soro seguro e consequentemente, Steve Rogers. ━ E eu irei com ela? ━ Temos outros planos para você, O’Brien. ━ May explicou. ━ A missão será simples! Você se infiltra na S.H.I.E.L.D , impedimos o roubo do soro e voltamos para casa! ━ Coulson falou calmo. ━ Não há nada como dar errado, certo? Sharon, ouviu aquilo e parou para pensar. Quando se tratava da HIDRA, tudo poderia dar bastante errado e ela, já sabia muito bem disso. (...) Sharon, olhou para James assim que este deixou o frasco de aspirina diante dela, seguido de um copo de suco fresco de laranja. ━ Aqui está! ━ Sorriu. Dando um pequeno sorriso de volta a Barnes, a mesma abriu o frasco e por alguns minutos, praticamente entrou em um espécie de transe. Era como se suas memórias, pouco a pouco tomassem total forma. ━ Vocês dois tão se pegando? ━ A pergunta de Sam saiu tão natural, que bem ele mesmo acreditou. ━ O que? ━ Sharon e Bucky perguntaram juntos e perplexos. ━ Sutil, Sam! ━ Zemo disse zombando dele. ━ Por que? Você perguntaria de um jeito diferente por um acaso? ━ Retrucou. ━ Pelo menos, com um pouco mais de classe, pode ter certeza! — Ah, vai dormir, seu pé no saco! ━ Nós não estamos nos pegando! ━ O “casal” falou junto ao ver Zemo e Sam discutindo outra vez. Os dois pararam de discutir e olharam para o casal. ━ Ah, tá bom! Seus mentirosos... ━ Sam pegou sua torrada e foi andando em direção à sala. ━ Vocês querem mentir? Tudo bem, já são bem grandinhos. Mas quanto a mim? Sem ressenmentos, Barnes! Ela é toda sua! ━ Zemo disse, e saiu dali também. Bucky apenas olhou na direção de Zemo um pouco zangado e Sharon, e acabou rindo. ━ Eles não vão nos deixar em paz, não é? ━ Ela perguntou, aos risos. ━ Provavelmente, não! ━ Ele olhou para ela. ━ Ai merda! ━ Sharon voltou a rir e fez uma careta, levando a mão destra à cabeça. ━ Estou ficando bem velha para esse tipo de coisa... Bucky, servindo os ovos para ela, sentou-se do lado da agente e deu uma pequena olhadela. ━ O que foi? ━ O Zemo e você...? Sharon deu de ombros. ━ Você gosta mesmo de cara mais velhos. ━ Eu na verdade, gosto de super soldados da década de 40! James fez uma enorme carranca. ━ Não quis te chamar de velho... ━ Se desculpou. Ele fez outra careta, então, riu. ━ Você sabe que vamos ter que contar as pessoas um dia, não sabe? ━ Contar o que? ━ Ela se fez de desentendida. ━ Contar o que? Bem, ao que me consta, agente treze, esta é a sexta vez! ━ Sétima! Mas quem está contando, não é? — Brincou. ━ Eu sou um homem das antigas, sabe? ━ Segurou a mão dela. ━ Não foi você quem disse que só estávamos curtindo e que queria ser moderno? ━ Ela perguntou, zombeteira. Bucky ergueu a vista. ━ Então, realmente, só estava me usando, Carter? ━ Quem sabe? ━ Ela piscou e começou a comer. ━ Nossa, eu acho que mudei de ideia! Isso aqui tá uma delícia... ━ Será que eu deveria chamar o Steve de tio? ━ Brincou de volta com ela. Sharon fez uma careta e riu. ━ Definitivamente, não! Mas talvez, possa chamar o Tony, de “cunhado.” Bucky foi quem fez uma careta agora e riu. Então, olhou para ela e afagou a mão da mulher. ━ Vai dar certo, Sharon! Você vai ver! ━ Tem que dar! Porque eu não quero ir àquela lápide, James. ━ A voz dela era carregada de melancolia. ━ Você não vai precisar! Mas, caso isso venha a acontecer, não estará sozinha. Eu te prometo. — Ele melhor do que ninguém, entendia a dor da perda. ━ Obrigada! ━ Disse ao mesmo e apertou a mão dele. Ao olhar para o lado, teve a impressão de ver Tony Stark sorrindo. E talvez, onde quer que estivesse, estaria mesmo. Até porque, assim como queria vê-lo bem e feliz, tinha certeza absoluta de que este, desejaria o mesmo para ela. E com um pouco de sorte, talvez, pudesse ajudá-lo a voltar para casa e para sua família de uma vez por todas. Mas antes disso acontecer, ela enfrentaria coisas. Coisas que mudariam sua vida, para sempre. Continua...

Sharon Carter

꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭Passado não recuperado. ▪︎ Flashback. 》Ano de 1944. Sharon Carter foi convencida pela SHIELD a embarcar pela busca do super soro. Ela ainda não acreditava, mas estava já devidamente trajada com a roupa de época apresentada naquele local e olhava a sua volta, buscando como iniciar aquela missão. Ela não sabia, mas já havia despertado a atenção de quem menos esperava. ━ Steve? ━ Bucky chamou baixinho. ━ Quem é aquela garota? Rogers voltou seu olhar para onde Bucky discretamente apontou, e negou com a cabeça. ━ Eu nunca a vi, mas se quiser, posso pedir a senhorita Carter para descobrir! ━ Descobrir o que? ━ Peggy Carter indagou ao se aproximar. ━ A garota ali à frente! Bucky quer saber quem é! ━ Está na sede da S.H.I.E.L.D. É uma das novas agentes. Mas pouco sei dela. ━ Agente? ━ Bucky olhou para frente. ━ Nesse caso, vamos descobrir quem é então! Sharon sentiu o queixo cair. Steve lhe contou de uma Dot e de como Bucky a tentou impressionar. E também, em como ela havia sumido misteriosamente tempos mais tarde. E que ela, foi uma agente altamente habilidosa. O que Sharon realmente não esperava, era que a tal Dolores Armstrong, mais conhecida por Dot, fosse ela mesma. ━ Isso não é possível! ━ Ela se voltou a Coulson novamente, e quando deu por si, perdeu James e Steve de vista. ━ Sim pode ser e, é! ━ Coulson respondeu suavemente. Sharon estava estupefata. Como o passado poderia se entrelaçar ao presente dessa forma? ━ Dolores Armstrong na verdade, sempre foi você! E acho melhor nos separarmos porque o sargento Barnes, está vindo! Sharon ia falar alguma coisa, mas Coulson se afastou imediatamente . E ela o viu indo encontrar May ao fundo. ━ Por essa ela não esperava mesmo, né? ━ Melinda May sussurrou a Phill Coulson. ━ Não! ━ Ele pediu duas bebidas no bar. ━ Não esperava mesmo! ━ Com licença, eu posso te oferecer uma bebida, senhorita? ━ Sharon ouviu uma voz firme às suas costas. Ao se virar para James, ela encontrou seus olhos azuis e estes se fixaram nos dela. Estava realmente surpresa, porque, diferente do homem que atacou sendo controlado pela União Soviética mais a HIDRA, ele parecia um homem bem comum e normal agora, exceto claro, pela exímia beleza. ━ Barnes, sargento Barnes! ━ Ele continuou. ━ Sargento Barnes? ━ Sharon usou de uma breve ironia. ━ Vejo por sua vestimenta, mas acho-te tão novo para ser um sargento! Bucky ergueu a vista com aquela resposta e coçou a nuca. ━ Não me lembro de conhecê-la! ━ E não conhece! ━ Sharon disse imediatamente. ━ Mas posso vir a conhecer! ━ Acho muito pouco provável! ━ E Sharon, lhe deu as costas, passando a caminhar. ━ Não posso nem ao menos, saber o nome de tamanha beleza jamais vista antes? ━ Ele a seguiu. Steve e Peggy seguraram o riso do outro lado do salão. ━ Se ela é uma agente da S.H.I.E.L.D, ele não vai conseguir nada tão fácil! ━ Rogers brincou. ━ De onde será que tirou essa conclusão? ━ Peggy brincou de volta. Steve riu-se e voltou a beber seu drink enquanto Peggy, observava a interação à frente. ━ Essa sua tática, por um acaso já funcionou com outras garotas? ━ Sharon perguntou enquanto andava, sem dar atenção a James. ━ Que outras garotas? ━ Ele se pôs a frente dela ao finalmente a alcançar. ━ Só vejo você aqui, senhorita! ━ Não vai funcionar comigo, Sargento Barnes! Eu conheço bem a sua fama! ━ Ela foi dura e direta. ━ Ah então, estava certo! Você já ouviu falar de mim! ━ Mencionou com um sorriso convencido. ━ E quem não ouviu!? ━ Sharon lhe deu as costas de novo, e andou agora para o outro lado do salão. ━ Por favor, só me fala qual é o seu nome! ━ Bucky ficou na frente dela novamente, e lhe estendeu uma rosa que pegou de uma das mesas. Sharon olhou incrédula, vendo Steve e Peggy de relance ao fundo. ━ A agente Carter já não lhe disse? ━ Não. Só me disse que era uma agente! ━ Então, acho que já soube mais do que o suficiente! Bucky ficou com cara de taxo, mediante aquela resposta quando Sharon se virou de costas pela terceira vez, e começou a andar em sentido contrário ao dele. Mas isso, não o abateu. Tanto que ele correu para a alcançar novamente e deixou a rosa perto dela, ficando diante da jovem. ━ Eu poderia fazer isso o dia todo! ━ Foi o que veio na mente dele, ao lembrar da fala de seu amigo Rogers no beco. ━ Dolores! ━ Carter disse, acabando por dar um meio sorriso e por fim, pegou a rosa das mãos dele. ━ Dolores! ━ Barnes repetiu. ━ É um lindo nome! ━ Para você, agente Armstrong! ━ Disse ao deixar o olhar no dele. ━ Ouch! ━ Barnes brincou. — Eu gosto das duronas. Sharon lhe devolveu a rosa e saiu andando outra vez. ━ Tchau, sargento Barnes! ━ Disse-lhe, finalmente deixando aquele local com um meio sorriso. Ela não podia negar, o Bucky de 1944, era mesmo deveras encantador e interessante. (...) ━ Sharon? ━ Uma voz veio para tirá-la daquela estranha e confortável lembrança. Era Barnes que a olhava como se quisesse compreender o que estava se passando ali. Ela então, finalmente ergueu a vista para olhá-lo, e como em uma espécie de mágica, o viu por alguns segundos, vestido com o mesmo uniforme militar que usava em 1944. Eles ainda estavam juntos, tomando café da manhã. ━ Tudo bem? ━ Barnes indagou curioso. ━ Eu... ━ Ela então, olhou para ele. ━ Lembra quando te disse que as memórias estavam confusas aqui dentro? James a olhou nos olhos. ━ Sim, eu me lembro bem disso! ━ Parece que tudo tá voltando de uma vez. Com tanta força, que até parece um tsunami. ━ Hey... ━ James a tocou no rosto. Sharon se deu conta de que Zemo e Sam, ainda observavam a interação deles. ━ Eu preciso ir trabalhar! ━ Tirou a mão de James de seu rosto. ━ Come direito! Você não comeu quase nada, Sharon! ━ Bucky disse gentil. Sharon, o olhou nos olhos e assentiu. Não poderia simplesmente sair correndo. Pegando um garfo, experimentou mais um pouco dos ovos, dando o sorriso mais honesto que poderia dar. Bucky apenas sorriu. Dando mais duas garfadas, Sharon bebeu uns dois goles de suco, e se levantou. ━ Estava uma delícia, mas eu realmente estou atrasada! ━ Sharon foi saindo da cozinha rapidamente. ━ Vai só de camisa xadrez? ━ Zemo perguntou irônico. Sharon olhou de lado para este, e saiu correndo. ━ Sharon, você nem co... ━ Barnes a viu sair correndo por ele em direção aos quartos. Sam olhou diretamente para Barnes. Ele parecia incomodado. Em alguns segundos, a agente já voltava vestida, com sua calça jeans e ainda a mesma camisa de Bucky, com ele mais os outros dois, a olhando mais confusos. ━ Obrigada pelo café! E eu, eu te ligo mais tarde! ━ Ela o beijou no rosto, e saiu porta à fora. ━ Você tá mesmo pegando ela, né seu safado!? ━ Sam segurou o riso. ━ Ninguém pode julgá-lo! Sei exatamente como é isso, Sam. ━ Zemo arrematou, em um sorrisinho cínico. Bucky lhe deu o dedo do meio, e foi pelo mesmo corredor que Sharon fora minutos antes. ━ Pera aí, você também...? Zemo nada disse a Sam. Apenas, saiu assobiando em direção ao corredor. (...) ▪︎ Sede da S.H.I.E.L.D. 》Manhã daquele dia. Phill Coulson avistou Sharon Carter entrando em seu escritório na sede da S.H.I.E.L.D. Ia perguntar se estava maluca por estar lá, mas ao ver o semblante carregado da jovem, preferiu tentar saber o que estava acontecendo. ━ Sharon, está tudo bem? ━ O que aconteceu na missão de 1944, Coulson? ━ Sharon cruzou os braços. ━ Quero a verdade! ━ Missão de 1943? A do super soro? ━ Coulson não pareceu surpreso. ━ Você sabe o que aconteceu! Detemos HIDRA do futuro! ━ E essa, é toda a verdade? ━ Perguntou ela, impassível. ━ Mas é claro que é! ━ Coulson afirmou. ━ Entao, porque eu me lembro do O’Brien tentando me matar? ━ Sharon... ━ Ele é o filho da Madame HIDRA! ━ Constatou ao interromper o chefe. ━ E eu, causei a morte dele! Coulson agora engoliu em seco. Então, ela sabia! ━ Como você descobriu? ━ Então, você finalmente, não vai negar? ━ Sharon estava furiosa. ━ Sharon, pelo amor de Deus! A sua segurança e a da sua filha, dependem dessa resposta! ━ Vocês não se cansam de usar as pessoas, e as manipular como bem lhes convém? ━ Sharon, por favor... ━ Logo você que foi usado pelo Fury no projeto HAITI, teve a coragem de mentir para mim também, Coulson? ━ Agora ela estava emputecida. ━ EU ACHEI QUE SE IMPORTASSE COMIGO! ━ E eu me importo, Sharon! ━ ENTÃO, POR QUE MENTIU PARA MIM? ━ Ela gritou, com lágrimas nos olhos. ━ Porque não tive escolha! Ou era isso, ou iam te perseguir enquanto você vivesse! ━ E por que eles fariam isso se o objetivo, era o Barnes? Coulson a encarou. ━ Eu nunca tive algo tão valioso assim para virem em meu encalço! ━ Você é uma garota esperta, Sharon! ━ Ela ouviu a voz de Fury às suas costas. ━ Pensa um pouco! Sharon se voltou a Fury ao ouvi-lo, e o encarou em choque. ━ Maggie, ela nunca foi filha do Richard! ━ Bem aí dentro, você sempre soube a verdade, não soube Sharon? ━ Fury indagou com seu ar sério. ━ Ela é filha... do James! ━ Sharon teve que se segurar na mesa para aguentar essa. ━ Eu sei que é duro para você... ━ E apagar a minha memória, para me fazer achar que a bebê era do Richard, foi o “melhor” que fizeram para me proteger? ━ Agora ela estava puta da vida. ━ ELE É UM MONSTRO TRAIDOR, QUE MATOU PESSOAS! Os dois apenas continuaram a olhando. ━ E a Pepper? Meu Deus, ela quer incluir a Maggie no patrimônio da família Stark! ━ Sharon passou a mão entre os cabelos. ━ Será possível que isso nunca passou pela cabeça de vocês dois? Os dois se entreolharam. ━ O que? ━ Sharon perguntou impaciente. ━ O Tony sempre soube de tudo. Da gravidez, 1944 e quem era o pai da sua filha! ━ Fury confessou por fim. ━ COMO É QUE É? ━ Sharon deu um grito. ━ Ele concordou conosco que manter a criança em segurança, era o mais importante porque, se colocassem as mãos em uma bebê de uma agente com o Soldado Invernal... ━ Coulson começava. ━ Poderiam usar isso, para manipular o Barnes! ━ EU NÃO ACREDITO NUMA COISA DESSAS! ━ Ela gritou na direção dos dois. Coulson olhou para Fury, que respirou fundo. ━ Eu quero as minhas lembranças de volta! ━ Disse ela olhando diretamente a Fury. ━ Carter... ━ Todas elas! Não apenas, pequenas partes! E, eu quero agora! ━ Disse ela de modo mais firme. ━ Você tem total ciência de que se lhe devolvermos essas memórias... ━ Você me deve isso, Fury! ━ Sharon disse mais séria. ━ Vocês dois me devem, depois de tudo do que eu já fiz por essa maldita agência! Coulson se sentou na poltrona. ━ A minha vida não é uma estrutura Fitzsimmons, onde vocês podem me dar o que acham melhor para eu viver! ━ Só quis te proteger! O Steve pediu isso! ━ O STEVE QUE SE FODA! ESSA É A MINHA VIDA, E EU A QUERO DE VOLTA! ━ Isso pode ser extremamente doloroso! ━ Coulson explicou. ━ Todo o processo, para trazer suas memórias de volta! ━ Eu não me importo com a dor! Isso é bem irrelevante agora, não acham? ━ Perguntou ela sem tirar os olhos dos dois. Se eles pensavam que iriam persuadi-la a mudar de ideia, estavam redondamente enganados. 》Flashback. ▪︎ Madripoor. 》Doze horas depois do ataque ao laboratório. Sharon estava deitada em sua cama e tinha James Barnes ao seu lado. Este alisava o braço dela, e sorria suave. ━ Quem diria que um dia você estaria aqui. Mesmo depois de ter tentado me matar em 2016... ━ A beleza de um super primeiro encontro. Tentar matar a garota virado no Soldado Invernal! ━ James tentou brincar. ━ Alias, desculpa por aqueles chutes, mas você estava totalmente fora de controle! ━ Sharon fez uma careta. ━ E você estava defendendo o Stark também! É, eu sei! Sharon o olhou e fez uma careta. Logo fez menção de levantar-se da cama, mas James a segurou. ━ Todo mundo sabe o lado que eu escolhi depois! ━ Isso foi antes ou depois de ir para 1944 e ver o Steve? Ela voltou seu olhar a James sem nada dizer. E não precisava. Bucky havia se acostumado a ler Sharon pelo olhar, desde o fatídico dia em que lhe deu a notícia da partida de Steve para o passado. Dali em diante, ele se perguntou muitas vezes, se ela aguentaria firme, depois de tantas decepções. Mas também sabia que era uma Carter e elas, sempre eram mais fortes. Sharon tinha um semblante carregado, e este a segurou pela mão. ━ Vem cá! ━ E a puxou para si em um abraço reconfortante. Sharon passou os braços à volta dele e se deixou ficar. Sim, era bastante forte, porém até mesmo ela precisava de alguém para lhe ajudar a se manter firme as vezes. (...) ▪︎ Laboratório da S.H.I.E.L.D. 》Algumas horas depois. Sharon abriu os olhos. Estava deitada em ums maca de um dos laboratórios da S.H.I.E.L.D. Jemma Fitz, estava ao seu lado. Ela havia ficado desacordada, por horas, devido ao procedimento. Preocupada com o que pudesse estar sentindo, imediatamente mediu a pressão da garota. ━ Você está bem? Sharon a olhou, e levou as mãos à cabeça. A dor era excruciante, todavia as memórias pareciam vir mais e mais claras, a cada segundo que se passava. Fechando os olhos apertados, Sharon deu um grito agoniado. Eram muitas informações juntas. Cenas que aos poucos, se tornavam mais conexas. Ela não acreditava em quanto tempo havia perdido de sua vida. Vendo Coulson entrar na sala ao abrir seus olhos novamente, Sharon, foi se sentando na maca com a ajuda de Jemma. ━ Quanto tempo vocês tiraram das minhas lembranças? Coulson olhou na direção de Jemma. ━ Quanto tempo, Coulson? ━ Ela foi categórica. ━ Três meses! ━ Ele respondeu. Sharon, voltou a olhá-lo e arregalou os olhos. ━ Eu tive três meses com o James, e vocês tiraram isso de mim? Coulson ia falar, mas Sharon já havia descido da maca. ━ Sharon! Você ainda não está bem! ━ Jemma sussurrou. ━ Jemma tem razão, Sharon! ━ Você deixou a época mais feliz que já tive se apagar, Coulson! Por que te escutaria agora? ━ Porque, se eu não tivesse feito isso, você teria voltado no tempo outra vez, e impedido o James de se tornar o Soldado Invernal, mudando toda a linha temporal! ━ Eu não seria tão estúpida ao ponto de... ━ Sharon parou de falar imediatamente. ━ Eu tentei fazer algo do tipo, não tentei? ━ Você é como uma filha para mim, Sharon! Não teria feito algo tão extremo, se não precisasse! Aos poucos, ela se recordava de tudo, e levou a mão à boca, assombrada. ━ James quase a fez perder o bebê na forma do Soldado Invernal, quando esteve nos anos noventa, para o impedir de matar Howard e Maria Stark! E quando nós chegamos lá, achei que não poderia salvar a sua vida! ━ Então... O Acidente que eu sofri... Sharon ergueu o olhar para Coulson, e lágrimas desciam-lhe pelo rosto. Sim, ela havia se lembrado disso. Batia fundo, e doía até sua alma. Coulson imediatamente, foi até a garota, e a envolveu nos braços. Olhando Jemma, a viu deixá-los a sós. ━ O olhar dele... ━ Sharon disse em meio ao choro. — A forma com a qual me olhava era de... de... ━ Sharon sussurrou completamente “quebrada.” ━ Ele hoje, não é mais aquilo e já tiraram muita coisa dele! De todos nós! ━ Coulson, a beijou no alto da cabeça. ━ Eu quero fazê-los pagar! Cada um deles Coulson! ━ Sharon disse seriamente ainda nos braços de seu amigo. ━ Cada um deles! ━ Não será tão fácil assim! Von Strucker, é obcecado em você, desde quando descobriu a sua traição em Sokóvia! ━ Disso eu sei faz tempo, Phill! Richard forjou a própria morte pela segunda vez, e sumiu. ━ Não, Sharon! Você não entendeu! ━ Coulson se soltou dela para olhá-la. Sharon ergueu a vista, como se esperasse mais. ━ Von Strucker, arquitetou roubar o soro super soldado o tempo todo, e quando descobriu que você estava apaixonada pelo Bucky, decidiu transformá-lo no Soldado Invernal! ━ O que? ━ Sharon o olhou chocada. ━ A gente sabe que foi a União Soviética e que a HIDRA... ━ O projeto do Soldado Invernal, foi uma criação dele, Sharon! Ele estava ajudando a União Soviética! ━ O... o quê? ━ Ela, arregalou os olhos. ━ E pelo que eu conheço do Von Strucker, acabar com vocês dois é a única prioridade dele. E não vai parar, até conseguir. Por isso, você precisa se afastar de James Barnes o quanto antes, desistir da ideia de trazer Stark de volta porque não pode mudar isso e, deixar Strucker continuar a achar que realmente é uma traidora da S.H.I.E.L.D. ━ Eu... eu não posso fazer isso, Coulson! — Você pode e precisa! A segurança da sua filha, vem antes do que qualquer coisa em sua vida. Me disse isso uma vez, se lembra? — Sim, eu me lembro! — E eu sinto muito, Sharon! — Pelo que? Coulson rapidamente a segurou e Jemma Simmons, lhe injetou um líquido denso. Sharon então, simplesmente, apagou nos braços de Coulson. — Estamos fazendo a coisa certa com eles? — Jemma perguntou confusa. — Apagar a memória do Bucky e da Sharon... Coulson, colocando Sharon Carter na maca, disse baixo, com pesar: — Se Sharon e Bucky ainda se lembrarem de tudo o que viveram, serão uma ameaça para a S.H.I.E.L.D. E eu, aprendi da forma mais difícil, doutora Simmons: O passado deve ficar no passado. Porquê, se você mexer com ele, ele mexe com você! Continua...

Sharon Carter

꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐩𝐞𝐫𝐚çã𝐨: 𝐅𝐚𝐥𝐜ã𝐨 𝐍𝐞𝐠𝐫𝐨.꧂ O Cairo nunca dormia, apenas trocava de rosto quando o sol se escondia. Sharon Carter observava o movimento da cidade do alto da varanda do hotel, um prédio antigo às margens do Nilo, onde o luxo era apenas uma fachada para acordos discretos e informações que custavam mais do que ouro. O vento quente trazia o cheiro da areia e da fumaça dos bazares, misturado ao sussurro distante de motores e vozes em línguas que ela dominava o suficiente para fingir que não entendia. Vestia-se como uma executiva europeia em viagem de negócios: blazer bege claro, cabelos presos, pulseira que escondia o comunicador. Nada chamava atenção, mas tudo nela era estudado. A missão exigia isso. Três dias após o incidente no Cassino de Hamptons, as informações de Hill haviam se confirmado: o comprador fugitivo da HIDRA negociaria em solo egípcio algo que os relatórios classificavam como “ativo biológico experimental”. Tradução simples: uma arma. Sharon não acreditava mais em rótulos como “arma” ou “projeto”. Ela aprendera que todo experimento tinha um rosto. E que toda vez que uma dessas criações chegava ao mercado negro, alguém, inocente ou não, acabava pagando com a vida. Desceu do quarto às 22h17. No saguão, o som dos passos sobre o mármore ecoava entre colunas douradas. Ela cumprimentou o concierge com um leve sorriso e saiu pela porta lateral, atravessando a rua estreita até o café onde seu contato local esperava. O homem, magro e elegante, tirou os óculos escuros quando ela se aproximou. — Você está atrasada, agente Carter. — O trânsito no Cairo é mais complicado que a HIDRA, Aziz. — Respondeu em árabe, sentando-se diante dele. — O que descobriu? Ele deslizou um pen drive sob o guardanapo. — O leilão acontece no subsolo de um museu fechado para restauração. Trinta convidados. Nenhum deles vem com nome verdadeiro. Sharon assentiu. — E o item? — Um cilindro. Transparente. Contém algo... vivo. Uma moça ruiva, passou reto por eles e voltou com um pano, para limpar a mesa deles. Ela desviou o olhar por um instante, sentindo a respiração pesar. — Quem organizou? — Perguntou disfarçadamente, Bobbi Morse. — Um cientista que trabalhou para o Projeto Centurion. Antes de sumir, ele levou metade das amostras. A outra metade... foi vendida. — Aziz olhou rapidamente para a ruiva. Sharon fechou o punho por baixo da mesa. Centurion. O nome soava como um eco do passado, dos arquivos que Fury havia jurado manter lacrados. Se aquilo era verdade, então estavam lidando com algo além de biotecnologia, algo que unia DNA humano e resquícios do antigo programa do soro. Bobbi a olhou de esguelha, pegando o porta-guardanapos. Sharon levantou-se. — Preciso de acesso à entrada de serviço do museu. E uma distração às 23h00. — Vai entrar sozinha? — Perguntou, preocupado à Sharon. Morse apenas deu meio sorriso. — Você realmente acha que eu deixaria isso acontecer? (...) O subsolo do museu era um labirinto de sombras e pilares. Luzes amareladas projetavam silhuetas nas paredes enquanto vozes em inglês, russo e árabe se misturavam num tom abafado. Sharon observava tudo de um ponto alto, através das lentes de contato holográficas. Cada rosto, cada movimento, cada arma disfarçada em casacos caros. No centro da sala, uma cápsula cilíndrica repousava dentro de uma caixa de segurança. O líquido translúcido pulsava com uma leve luminescência azul. Ela reconheceu aquele brilho. Stark. — Carter, status? — A voz de Hill cortou o silêncio em seu ouvido. — Visual no ativo. Três seguranças armados, um cientista, dois compradores confirmados. — O objetivo é interceptar o transporte antes da saída. Evite confronto direto. Sharon riu baixo. Evite confronto direto. Ela adoraria que fosse simples assim. — Ce ta brincando, né Hill? — Bobbi falou disfarçadamente de volta, no comunicador enquanto preparava um coquetel no bar. — E vem cá, o que eu fiz para o Fury para ser a garçonete hoje? — Não seja dramática! — Bucky olhou em volta e pegou a bebida que ela preparou. — Você pegou longas férias. Bobbi lançou um olhar mortal para ele. — Se eu ficar aqui mais cinco minutos, não serei responsável pelos meus atos! — E sorriu forçado. — Crianças, por favor... — Sharon falou disfarçadamente no comunicador com um leve tom irônico. — Se vamos brincar todos, temos que aprender a dividir os brinquedos! — Eu sempre dividia os meus com a Sara! — Sam Wilson falou baixo, ao fundo, no comunicador dele. — Se está ruim para você, Morse, imagine para mim que sempre sou o cafetão!? — Típico! A gente aqui se matando pra recuperar algo que foi criado enquanto o mundo, vira um caos! — Bobbi retrucou. Bucky fez uma careta. — Tá reclamando do que? Não é você quem tá sendo processado pelo melhor amigo? Sam respirou fundo. — Quando a gente chegou nesse patamar? — Vocês poderiam parar de agir feio três velhas ranzinzas e focar na missão? — Sharon retrucou. — Desculpe! — Os três disseram juntos. Sharon desceu pelas escadas laterais, misturando-se aos funcionários que serviam bebidas. Um dos guardas passou por ela, e ela o cumprimentou com um aceno neutro. O disfarce era perfeito, até o momento em que uma voz familiar, baixa e rouca, soou atrás dela: — Sabia que não ficaria fora disso por muito tempo. Sharon parou, o corpo inteiro em alerta. Virou-se lentamente. O homem à sua frente estava impecavelmente vestido: terno cinza-claro, gravata escura, luvas pretas. O rosto era calmo, estudado, e o olhar, forte. Um leve sotaque francês escapou quando ele falou novamente: — Toujours aussi prévisible, mademoiselle Carter. Ela precisou de apenas um segundo para reconhecê-lo. — Lucien Moreau. O sorriso dele foi quase cordial. — Enfim, alguém ainda lembra meu nome. Lucien Moreau, ex-diretor da divisão de inteligência biotecnológica da INTERPOL. Um homem que havia traído a própria agência vendendo segredos para quem pagasse mais, inclusive para a HIDRA. E que, até aquele momento, Sharon acreditava estar morto. — Devo admitir… — Continuou, aproximando-se com passos lentos. — A última vez que te vi, achei que estava sendo mais cautelosa. — A última vez que você me viu, tentou me matar vez Madripoor... — Sharon respondeu, firme. — Eu chamo isso de arrogância, não de cautela. — E ainda assim você sobreviveu. — o francês disse, abrindo os braços em falsa admiração. — O que só confirma que somos mais parecidos do que você gostaria de admitir. Ela deu um meio sorriso sem humor. — Eu não vendo o mundo por um cheque. — Não. — Ele assentiu. — Você vende por uma causa. O que é pior. — Eu achei que você tivesse parado de brincar com armas que não entende. Ele se aproximou, num gesto cortês. — Não se trata de armas. É evolução. O que temos aqui vai mudar a natureza humana. — Já ouvi esse discurso antes. Costuma acabar em corpos. Lucien inclinou a cabeça. — Sempre tão cética. Mas o que você faria, Sharon, se eu dissesse que esse “ativo biológico” pode curar o que o mundo destruiu em você? Ela congelou por um instante, o suficiente para ele perceber. Curar. A palavra carregava uma pontada de ironia. Ele sabia. Sabia sobre os tiros, sobre o soro, sobre a infertilidade que ela pensava ter deixado no passado. Mas Sharon se recompôs em segundos, a expressão voltando ao controle absoluto. — Eu não preciso de cura. Só de justiça. Antes que ele pudesse responder, o cronômetro no relógio dela marcou 23h00. No andar superior, uma explosão controlada de gás provocou pânico e gritos. Sharon aproveitou o caos: deslizou a mão até a cápsula, ativou o sistema de travamento portátil e recolheu o cilindro dentro da maleta que trazia sob o carrinho. Quando o alarme soou, ela já estava desaparecendo entre os corredores. — Peguei o cilindro! — Avisou no comunicador. — Onde vocês estão? A resposta veio com ruído de interferência, entre vozes e sons metálicos. — Térreo, saída leste! — Respondeu Sam, ofegante. — Mas temos companhia. Sharon virou o rosto na direção de uma escada de serviço. O prédio inteiro já estava mergulhado em caos, as sirenes ecoando em meio ao pânico e ao som abafado de tiros. — Companhia, tipo quantos? — Perguntou, subindo o tom enquanto atravessava o corredor. Foi Bobbi quem respondeu, com a voz firme e seca: — Demais pra contar. Anda logo, Carter. Sharon soltou um suspiro breve, o tipo de riso nervoso que antecede a adrenalina. Dobrou a esquina, chutou a porta de metal e desceu os degraus estreitos, ignorando o calor e o cheiro de fumaça que já começava a tomar o ar. No último lance, ouviu o som característico do braço metálico de Bucky atravessando uma parede. Quando alcançou o andar térreo, viu o exato momento em que ele neutralizava dois agentes da HIDRA com movimentos precisos: um golpe no estômago, outro no maxilar, e o terceiro já estava no chão antes mesmo de reagir. — Sempre eficiente, sargento! — Sharon comentou, ajeitando a maleta presa à mão. Ele lançou um olhar rápido para ela, uma sobrancelha arqueada. — E sempre no momento certo. — Ironizou. — De nada! Sam surgiu logo atrás, as asas recolhendo com um estalo metálico. — O helicóptero tá pronto, mas o perímetro tá cheio. Precisamos sair pelo canal de drenagem. — Ótimo! — Sharon soltou, sarcásticas, mas já se movendo. Morse apareceu por último, o cabelo preso em um coque, o rosto coberto de fuligem. — O cilindro tá seguro? — Perguntou, sem parar de correr. — Sim. — Sharon apertou o passo. — E se não sairmos em dois minutos, ele não vai valer de nada. O grupo atravessou o corredor até a passagem subterrânea, o som das botas ecoando nas paredes úmidas. Lá fora, o caos do Cairo se misturava ao brilho distante das luzes e ao som das sirenes. Quando finalmente alcançaram o ponto de extração, Sharon olhou para trás: o prédio começava a ruir, engolido pelo fogo. — Missão concluída. — Disse, subindo no helicóptero. — Mas algo me diz que isso foi só a abertura. Bucky lançou-lhe um olhar que misturava ironia e respeito. — Com você, nunca é só a abertura. O helicóptero ergueu voo, deixando para trás a cidade dourada sob o caos, enquanto Sharon, de olhos fixos no cilindro, sabia que o conteúdo ali dentro poderia mudar o equilíbrio de poder, de novo. “O mundo nunca muda. Só troca os monstros.” — Pensou ela, recostando-se na poltrona do helicóptero. Aquilo, estava longe de acabar.

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