Sharon Carter
Aqui, os enredos desse universo.
Aqui, os enredos desse universo.
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ O retorno ao jogo. Sharon Carter caminhava pelo corredor silencioso da sede de CIA, em direção à saída. O dalto de suas botas abafado pelo tapete luxuoso. Ao chegar à rua, sacou o celular e discou o número codificado. A ligação foi atendida em segundos. — O soro do supersoldado saiu do menu... — Disse em tom frio, como se tratasse de uma simples negociação de mercado negro. — Mas consegui acesso a protótipos e armamentos, tudo direto do governo e em primeira mão. Houve uma pausa do outro lado da linha. A voz distorcida do contato da HYDRA soou grave, satisfeita. — Excelente. Você pode ser mais útil do que imaginávamos. Ela reprimiu um sorriso. — Vocês terão o que querem. Só mantenham a porta aberta. Desligou antes que a conversa se estendesse, respirou fundo e, sem perder tempo, digitou outro número. A linha demorou um pouco mais para atender, até que a voz inconfundível de Nick Fury surgiu. — Fale. Sharon ajeitou o taier, olhando em volta para garantir que ninguém observava. — Eles morderam a isca, Fury. Estão acreditando em cada palavra. A HYDRA caiu no disfarce. Do outro lado, Fury soltou um suspiro baixo, um riso contido. — Bom trabalho, agente 13. Agora mantenha a pressão. Quanto mais fundo eles acreditarem, mais rápido a gente derruba essa merda pela raiz. Bem-vinda de volta aos Estados Unidos. Sharon desligou, guardando o celular no bolso. Seu rosto voltou ao mesmo semblante inexpressivo de antes. O jogo estava só começando e ela, sabia exatamente como e quando dar a cada um, exatamente o que mereciam. (...) Ela atravessou a rua como quem atravessa o próprio passado: com passos medidos, olhos calculando ângulos e saídas. No táxi, a cidade deslizava em sombras e néons; mapas mentais se redesenhavam enquanto ela revia cada peça. A HYDRA. acreditando no soro. Protótipos em trânsito. Uma porta aberta, e atrás dela, a chance de fechar um ano de promessas quebradas. No hotel onde se hospedou por duas horas apenas, apenas o suficiente para vestir outra pele, Sharon abriu a mala com a precisão de quem desmonta e remonta uma arma. Roupa social elegante, mas sem brilhos; salto confortável escondido entre meias; um casaco leve com bolsos internos que guardavam um kit mínimo: seringa neuromoduladora, microGPS, um cartão de acesso gravado e, por precaução, uma pequena arma com silenciador. Em cima de tudo, o crachá falso: “Hampton Institute, Convidada VIP”. Ela sorriu por um instante, lembrando-se do quanto adorava quando as coisas se encaixavam. Antes de sair, checou a mensagem que Fury deixara: “Você tem autorização para operar fora da cadeia. Não faça nada estúpido.” Assinatura implícita. Ela sabia o que ele queria dizer; sabia também o quanto ‘autorização’ podia ser um bilhete para morrer com dignidade. Fez uma respiração lenta e, por hábito, passou a mão sobre a cicatriz no ombro: lembrança de escolhas que não se arrependia, mas que pesavam. O destino certo era o Cassino de Hamptons. Um evento beneficente transformado em fachada perfeita para o mercado cinza. Havia milhares de olhos, copos e egos, e no meio deles um corredor onde ideias e armas, poderiam trocar de dono sem que ninguém percebesse. Sharon organizara tudo com anos de antecedência: convites filtrados, mesadas de informação, a rota de acesso dos protótipos cuidadosamente planejada para parecer uma transferência de coleção privada. E, como sempre, o detalhe que ninguém previa: ela. Ao chegar, a equipe de apoio já operava nas sombras. Dois contatos da S.H.I.E.L.D. em trajes de garçons, um técnico no posto de vigilância improvisado, óculos com feed direto para o pulso dela. “Câmera 3 limpa. Segurança reforçada no setor A. Entrada do carregamento prevista para 23h10”, sussurrou a voz em seu ouvido através do microfone implantado no colar. Sharon assentiu, ninguém a via assentir e sorriu para a recepção como se fosse uma socialite entediada. O salão era um mar de sorrisos. Mulheres com vestidos de cauda, homens com ternos caros, flashes discretos e um pianista que tentava salvar a noite com clássicos. Ela se moveu como uma sombra elegante, cumprimentando, fingindo amabilidade, colecionando informações: dois guardas trocando de turno perto da saída de serviço, um homem alto que ficava sempre perto da mesa do leilão, provável courier e, no fundo do salão, uma vitrine de vidro onde, segundo seus informantes, ficaria a “mostruário” temporário dos protótipos. Quando o leilão começou, a atenção da sala se concentrou em lances e aplausos. Esse era o ritual perfeito; enquanto o show participava da audiência, a verdadeira mercadoria mudaria de mãos. Sharon deslizou até a vitrine usando o rebuliço humano como cortina. O vidro refletia seu rosto por um segundo, sério, quase monstruoso na calma e nela não havia nada além do compromisso frio de quem sabe o que está prestes a perder. Do outro lado do corredor, sem aviso, a pele dela se eriçou. Presença conhecida: instinto e memória sincronizaram. Bucky. Não como ameaça, não imediatamente, mas como uma sombra gentil que atravessava sua periferia. Ele não estava ali por acaso. Havia promessas não ditas entre eles, acordos de sangue e trégua. Ela viu-o encostado na parede, vigilante, com o velho casaco que escondia tantas histórias. Os olhos dele encontraram os dela por um segundo que parecia uma eternidade; uma pergunta não verbalizada pendia no ar: “Você está bem?” Sharon devolveu o olhar com a mesma neutralidade estudada que usava em campo, mas por dentro reconheceu a tempestade. Não o precisava ali e, ainda assim, algo no coração dela apertou. O microfone chiou: “Carregamento em aproximação. Entrada dos veículos por service road, três minutos.” Sharon inclinou a cabeça, respirou e, sem tirar os olhos da vitrine, deixou o sorriso social se desfazer. Agora era a hora de atuar. Precisou de menos de um minuto para se integrar ao esquema: uma pausa teatral diante do leiloeiro, uma pergunta sobre a origem de uma peça, um aceno para o segurança que marcara o ponto onde queria passar. No corredor de serviço, o caminhão encostou. Dois homens descarregaram caixas com etiquetas oficiais, fabricadas por ela, e as colocaram sob a cobertura de um carrinho de bebidas. Movimentação rápida, coordenada, aparentemente banal. Sharon agiu como se puxasse o carrinho para oferecer champanhe, mas seus dedos trabalharam por baixo, soltando o fecho magnético do fundo da caixa. Lá dentro, embalados em espuma, estavam os protótipos: cilindros pequenos, marcados com inscrições que alguém em HYDRA consideraria divinas. Ela passou a mão por cima do primeiro e sentiu o frio metálico da promessa de destruição. — Agora... — Sussurrou para o ouvido do técnico. O feed mostrou a rota prevista pelo comprador: uma saída lateral disfarçada por cargas. “Ponto de encontro: pier C. Dois minutos até a retirada.” Era um teste de paciência. Sharon calculou, dois minutos para avisar Fury? Não. Tempo para agir era agora. Ela precisava interromper a transferência sem expor a operação. Havia ao menos duas opções: neutralizar a segurança técnico-eletrônica e interceptar o carregamento ali, arriscando confronto aberto; ou permitir que o caminhão saísse e cortar a rota no pier, onde o contato de HYDRA receberia as peças, menos protegido do que o baile. Escolheu a segunda. Menos brilho, menos sangue na mídia, mais controle. Deixou que o carrinho saísse com os outros, seguiu uma rota de funcionários carpinteiros e acessos de serviço, e encontrou Bucky na esquina do corredor de carga. Ele a parou com um gesto mínimo. — Você planejou isso sozinha? — Perguntou ele, voz baixa, como se a sala inteira pudesse ouvir. — Sempre planejo sozinha, Barnes! — Respondeu Sharon, sem se permitir outro tom. Mas havia uma linha de humor cansado nos cantos da frase. — Mas você, claro, pode se juntar à festa. Bucky esboçou algo parecido com um sorriso. “Não vim só pra festa.” Eles caminharam lado a lado até o pier, passos sincronizados, como se balanceassem entre o passado e a missão presente. Quando alcançaram a doca, as luzes refletiam na água preta e, no fim do cais, um barco veloz aguardava. Dois homens em roupas pesadas descarregavam as caixas; outros, com rostos tapados, vigiavam. Sharon e Bucky deslizaram para posições. Ela lançou um olhar curto ao relógio: 23h38. A troca era iminente. Com a calma de quem já esteve em piores, ativou o pequeno dispositivo no seu pulso; uma onda curta de sinal cortaria a câmera externa e as comunicações da equipe de segurança dos compradores por exatos cinquenta segundos, tempo suficiente para interceptarem e recolherem as peças. O golpe foi perfeito até o momento em que o homem alto do salão, o courier, saiu da sombra e apontou direto para Sharon. — Achei que sua cara era conhecida! — Disse ele, sorrindo com a confiança de quem acha que pegou a presa no laço. Ela não se moveu. Cada músculo preparado. Bucky já estava em movimento por inércia, uma sombra metálica que se aproximava com passos silenciosos. Sharon deixou que a voz chegasse calma até ele: — Fury disse que manteria a pressão. Então, num gesto que unia tudo que era pessoal e profissional, ela puxou o primeiro cilindro, sentiu a gravidade dele e escolheu. Quando a troca virou confronto, não foi apenas por causa do metal. Foi porque segredos, quando trocados por dinheiro, preferem voar em direção à sombra. Sharon lutou com a frieza de quem tem uma dívida com o mundo e não pretende perder. Bucky foi um dardo prateado ao seu lado, abrindo caminho. Eles não falaram, não precisaram, e cada movimento deles foi uma conversa de anos. Ao fim, quando o barco ficou deserto e os homens da HYDRA foram contidos, Sharon permaneceu encostada na balaustrada do pier, respiração controlada, olhar no mar que absorvia luzes e segredos. O cilindro estava seguro, coberto por um pano que agora escondia mais do que metal: escondia escolhas que talvez mudassem o curso de muita gente. Fury ligou em seguida, mais seco do que o habitual. — Peças recuperadas. Você e o… parceiro? Bom trabalho. — A palavra parceiro soou estranha, mas necessária. Então, sem mais delongas, desligou. Sharon olhou para Bucky, que limpava a luva com paciência. Ele inclinou a cabeça. Ela sorriu, enfim, um sorriso que era pouco para tudo aquilo que já havia acontecido, mas suficiente para a noite, para o momento. — Meus cumprimentos ao Stark! — Bucky disse por fim. Sharon ergueu a vista, com ar de curiosidade. — Stark? — Repetiu, arqueando uma sobrancelha. — O que ele tem a ver com isso? Bucky encolheu os ombros, dando aquele meio sorriso que ela sempre achava irritante e, ao mesmo tempo, perigoso demais. — Digamos que a tecnologia que você acabou de recuperar tem a assinatura do seu... — Fez uma pausa, olhando para o mar escuro à frente após a cara que ela fez. Sharon manteve o olhar firme e incisivo. — É que é uma coisa meio cliche sua... esconder as coisas. — Bucky a provocou. Ela cruzou os braços, fazendo uma carranca. — Não desvia o assunto. O que eu não tô sabendo? — Bom, aquela tecnologia... se... se alguém da HYDRA tivesse conseguido ativar aquilo… bem, teríamos um novo “acidente” nível Ultron. Sharon suspirou pesado, pensativa. O nome de Stark sempre trazia um peso, uma mistura de nostalgia e mais. — Então quer dizer que Fury me mandou pra limpar o rastro do gênio mais arrogante do século? Nada novo sob o sol. — Não exatamente. — Bucky voltou-se para ela, o olhar firme. — Ele sabia que você era a única que conseguiria fazer a HYDRA engolir a isca. Eles confiam em você o suficiente pra cair na armadilha. E depois... você e o Stark, bom, eram quase família... — Confiança é uma moeda cara. — Sharon disse ríspida. — Eles pagaram com juros. E para com isso! Que coisa chata! Eu te pergunto da sua vida pessoal? Bucky deu de ombros, mas segurou o riso. O silêncio caiu por um momento, cortado apenas pelo som das ondas batendo no cais e do motor dos caminhões ao longe. Então o comunicador vibrou no bolso do casaco dela. Sharon atendeu. A voz de Maria Hill ecoou pelo canal: — Carter, recebi o relatório preliminar. Bom trabalho no Cassino, mas temos um problema. O nome do comprador que estava no barco acabou de aparecer em outro leilão. Cairo. Daqui a setenta e duas horas. Sharon respirou fundo, olhando para Bucky. — Três dias? — Três dias. — Confirmou Hill. — E dessa vez, parece que não é só protótipo. Há rumores de que estão vendendo algo biológico. O olhar de Sharon endureceu. — Vou precisar de acesso diplomático e cobertura total. — Já providenciado. O codinome da operação é “Falcão Negro”. O Sam já sabe. Talvez... ele voe até lá pra te ajudar! Câmbio, desligo. O canal encerrou com o habitual estalo. Sharon guardou o dispositivo e ajustou o casaco, fazendo outra careta. Bucky a observava, silencioso, já sabendo o que vinha a seguir. — Você vai atrás sozinha? Ela sorriu de leve, o vento bagunçando uma mecha de cabelo. — Quando é que eu não vou? — Sharon… é a HYDRA Pelo menos, espera o Sam vir porque... — Te aviso quando pousar também! — Interrompeu, começando a caminhar na direção da moto estacionada na extremidade do pier. — Mas se eu demorar pra responder, é porque o mundo resolveu ficar interessante de novo. Bucky deu uma risada baixa, resignada. — Só tenta não começar outra guerra, tá? — Sem promessas, soldado. — Respondeu por cima do ombro, antes de subir na moto. — Manda um abraço ao Sam! — E acelerou rumo à escuridão da estrada. Enquanto as luzes da cidade se distanciavam no retrovisor, Sharon ativou o comunicador de pulso e gravou uma mensagem curta para Fury: “Agente 13 em deslocamento. Próximo destino: Cairo. Se o mundo está prestes a cair, é melhor que seja nas minhas mãos.” Acelerou mais o ronco do motor se misturando ao vento noturno, e, no fundo, a certeza fria de que o jogo estava longe de acabar. O retorno ao campo era só o começo. Sabia também que a HYDRA não desistiria fácil. A parte mais perigosa vinha depois: manter o sangue frio quando o jogo realmente começasse a sangrar. E ela definitivamente, estava pronta.
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Pequeno Fragmento. 》Acontecimento após Ultimato. ▪︎ Base da SHIELD, Madripoor. Sharon havia ficado escondida naquela base desde que todos voltaram do blip. Era o mais seguro para ela e para Maggie, sua única filha e grande amor de sua vida. Ela decidiu ligar o televisor na saleta do local após, por a filha para dormir. No jornal, a fatídica notícia que nenhum Vingador esperava ver: A morte de Tony Stark. Sharon arregalou os olhos e olhou fixamente pra televisão. A voz então de Phill Coulson pôde ser ouvida às suas costas. ━ Cheguei tarde Fury! Ela já está vendo o noticiário! A garota neste instante, se voltou para seu chefe o que, fez Phill desligar o celular imediatamente. ━ O que vocês fizeram? ━ Sharon... ━ Ele começou. ━ O QUE VOCÊS FIZERAAAAAM? ━ Gritou ela, arremessando um vaso contra o televisor. E então, Stephen e Fury adentraram o local totalmente perplexos com aquela reação. Sharon, se voltando para Fury, o olhava com fogo nos olhos. ━ Você me prometeu que ninguém iria se machucar! ━ Eu sei o que prometi Carter, mas acontece que... ━ VOCÊ ME PROMETEU, MERDA! ━ Ela jogou outro vaso qualquer agora, contra uma das paredes da sala. ━ Ele não tinha como saber! Ninguém tinha, exceto eu e não po... ━ Stephen se deu conta do que falara assim que, o olhar fuzilante de Sharon o "atingiu." ━ Você sabia? ━ A essa altura, lágrimas salgadas banhavam um rosto totalmente devastado e perturbado. ━ Kate, eu... ━ Ele usou o nome pelo qual se conheceram um dia. ━ Você sabia e não fez nada para ajudá-lo! ━ Ela constatou visivelmente transformada em puro ódio. ━ Você o deixou morrer! ━ Eu... ━ Stephen nunca havia gaguejado ou hesitado em toda sua vida, mas sempre havia uma primeira vez. ━ Não podia interferir! Sharon de transtornada na ira, estava perplexa e sem chão. ━ Ele salvou a sua vida! Sabia disso, seu filho da mãe? ━ A indignação estava presente. ━ Kate, eu sei disso! ━ Eu também já salvei a sua vida! ━ Havia... Uma única chance! E se caso eu interferisse... ━ SEU DESGRAÇADO EGOÍSTA! ━ Ela gritou ao lhe enfiar a mão destra na cara e com tudo, sem a menor dó. Fury e Coulson olharam horrorizados. ━ Agente treze, já chega! ━ Fury interviu. ━ VOCÊ PODIA TER SALVO A VIDA DELE E O DEIXOU MORRER! ━ Eu não tive escolhas! ━ Stephen se defendeu. ━ Eu simplesmente... ━ Eu devia ter te deixado morrer quando tive chance! Stephen sentiu aquilo como se fosse uma nova bofetada. ━ EU DISSE JÁ CHEGA! ━ Fury usou de um alto tom para chamar a atenção da garota. Phill olhou dela para Stephen e uma nova pequena voz, preencheu o local. ━ Mamãe, você está bem? Era Maggie, a filha tão amada de Sharon Carter, com sete anos ━ Maggie... ━ Ela respondeu ao se voltar a menina. ━ Por que a senhora tá chorando, mamãe? ━ A pequena perguntou inocentemente. Sharon na mesma hora, correu até ela e a pegou nos braços, a abraçando o mais forte que podia. Todo o seu ódio naquele instante, se transformara no mais perfeito e puro amor incondicional. Olhando na direção dos três presentes, nada mais disse e deixou aquela saleta, em direção do quarto delas. Fury e Phill olharam para Stephen. Ele estava abalado e era notório. Sharon o havia acusado e talvez no fundo, ela tivesse razão pelo ódio que estava sentindo. Os Vingadores haviam perdido um amigo e ela, sua única família mais uma vez...
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Pequeno fragmento. 》As ligações de Sharon. ▪︎ Sokovia - (2012). Sharon Carter, havia sido encontrada pela família Zemo quando foi abandonada pela HYDRA, para morrer queimada. Gravemente ferida pela agressão sofrida, ela foi salva pela Baronesa Heiko Laura Zemo e seu marido, Helmut. Depois de alguns dias de constantes delírios de febre, ela melhorou, o que deixou Heiko feliz. ━ Eu não acho que seja uma boa ideia sair da cama, Katherine! ━ A baronesa disse a Sharon. ━ Estou cansada de ficar deitada! ━ Sharon respondeu e Heiko então, a pegou pelo braço e a ajudou a se acomodar no sofá próximo com cuidado. ━ Então, é muito melhor agora, não é?" ━ Obrigada, Sra. Zemo! Por tudo! ━ Sharon disse sorrindo. ━ Não agradeça ainda! Não até, experimente a sopa de abóbora! Amanhã, você vai acordar curada! ━ Helmut Zemo disse e piscou para Sharon, colocando o pequeno Carl no carrinho de bebê. ━ Ele é muito exagerado! ━Heiko brincou. ━ Querida, você viu minha mala? O bebê estava um pouco inquieto e Carter percebeu isso. ━ Posso segurá-lo um pouquinho? ━ Referindo-se a Carl. Zemo olhou para ela e sorriu gentilmente. ━ Claro que você pode! E tirando-o do carrinho de bebê, o entregou a Sharon, que o colocou em seu colo. ━ Ei, oi amigo! ━ Sharon disse e o pequeno Carl riu. ━ Parece que ele gostou de você! ━ Heiko disse quando apareceu na sala com a mala de Helmut nas mãos. ━ Minha Salvadora! ━ Ele brincou, dando-lhe um beijo rápido. ━ O que você seria sem mim? ━ Heiko brincou também. Sharon riu enquanto sacudia o pequeno Carl brincando. ━ Você deveria estar ao meu lado, mocinha! Afinal, eu salvei você de um incêndio! ━ Zemo brincou com Sharon quando ele sorriu, e foi embora. ━ Jantar às sete! E ele já tinha ido. ━ E meu marido se foi! Sharon riu novamente e Carl achou engraçado, rindo com ela. ━ Katherine? ━ A Sra. Zemo chamou. ━ Sim? ━ Sharon olhou para ela. ━ Se algo acontecer comigo, você promete cuidar do meu marido e do meu filho? Sharon ficou impressionada com aquela pergunta e a olhou confusa. ━ Mas o que, Sra. Zemo? Não vai acontecer nada com você! ━ Eu tenho uma doença degenerativa, Katherine! Então... O rosto de Sharon foi tomado de pavor. ━ O Sr. Zemo sabe? ━ Não! Eu conheço meu marido! Ele não iria parar, não até encontrar uma cura para mim, mas não há nenhuma! Eu tenho cinco anos antes de começar... ━ Ela disse, buscando ser forte. ━ Sinto muito! Se... se houver alguma coisa que eu possa fazer... eu... ━ E tem! Eu vi o jeito que meu marido olhou para você. Com carinho, e o cuidado que você está tendo com meu Carl! Acho que você poderia ser a minha escolhida! Se você tem algo que quer fazer por mim, então, me prometa que vai cuidar da minha família quando eu me for... ▪︎ Wakanda — Após o sacrifício de Tony, e depois dos eventos de Falcão e o Soldado Invernal. Sharon voltou de algumas de suas memórias, mas ainda estava em silêncio, como se evitasse falar sobre o que se lembrava. Como se não quisesse se lembrar. As Dora Milaje concordaram em recebê-la e a mesma, após uma longa conversa, já deixava o local em direção a prisão, onde Helmut Zemo se encontrava. ━ Eu já disse que é uma péssima ideia o que está fazendo? ━ Soou a voz de Tony Stark ao seu lado. ━ Você é só a minha consciência e está morto! Então, não pode opinar! ━ Sharon retrucou, sendo bem ácida. ━ Ouch! ━ Tony fez uma careta. ━ Você sabe bem como ser rude, hein filhinha? ━ Eu tive um excelente professor! ━ Sharon foi ainda mais irônica. ━ Sharon, é sério... ━ Não, Tony! ━ Ela dobrou o corredor ao falar. ━ Nunca se perguntou do porque sua consciência ser eu? ━ Ele estava curioso. ━ Não estou interessada! ━ Ela foi ríspida de novo. ━ Isso não vai terminar! Não até você enfrentar de frente e se permitir... ━ Eu não vou à sua lápide, okay Tony? Agora dá pra sumir daqui? ━ Sharon disse visivelmente irritada. ━ Mas você precisa ir! E sabe disso, não sabe? ━ Perguntou ele gentilmente. ━ Não! Eu não posso ir até lá porque a partir do momento em que ver aquela maldita lápide, eu saberei que é real! E... ━ Sharon engoliu em seco, já com lágrimas nos olhos. ━ ...Eu não que... O Tony de sua imaginação parou próximo dela e a olhou com pesar. ━ ... Não quero que seja real! ━ Ela repetiu apertando os lábios finos entre os dentes. ━ Não pode ser real! Eu estou há muito tempo evitando que isso seja real! ━ Você me adora certo Sharon? ━ Perguntou o falso Tony. ━ Que pergunta mais idiota! ━ Ela se irritou mais. ━ Mas é claro que eu te adoro! Você é o mais próximo do que tinha de uma família! O Tony de sua imaginação, a encarou estupefato. ━ E eu sempre te amei como uma irmão! ━ Ela continuou. ━ Mas foi você quem se afastou quando defendi o Barnes e o Steve. E talvez, por causa disso, tenha sido eu a cometer o erro de deixar o Zemo me manipular! ━ Se não fosse por ele, nunca saberia que Bucky matou meus pais! ━ E isso te fez alguma diferença ou, te ajudou em algo além de, brigar com seus melhores amigos? ━ Isso nos aproximou outra vez, como família! E Sharon, fui grato por isto! Em todos os dias que vivi! Ela o olhou nos olhos e limpou o canto dos olhos dela sem nada a dizer pela surpresa. ━ E você? Bom, tem a Maggie! Então, acho que todos nós saímos ganhando de alguma forma, não é mesmo? ━ Tony lhe sorriu. ━ Ela é o melhor de nós dois. ━ Se referindo ao pai da criança. ━ Mas não posso estar com ela. Não até, você estar de volta e eu resolver tudo que tenho com a HYDRA. ━ Sim! Ela é! E é por ela que você precisa fechar esse ciclo! ━ Tony a encarou. ━ E, pelo Bucky também. É, não acredito que estou te dizendo isso, mas estou! Afinal, o cretino salvou seu pai e você quando era pequena, daquele acidente, quando ainda era o Soldado Invernal... ━ Não começa! Bucky não se lembra de nada de 1944! E é melhor que fique assim... ━ Conta a verdade para ele, Sharon! Ou pelo menos, o que você acha que se lembra! ━ Eu tenho outros assuntos mais importantes agora! ━ Você não pode mexer com o passado porque se der errado... ━ Não se eu conseguir te trazer de volta! Então, não irei precisar me preocupar com isso! ━ Você não pode e sabe disso! ━ Tony a advertiu. ━ Sim! Eu posso! E estou indo atrás da pessoa que tem os recursos para isto! ━ Sharon voltou a andar. ━ É mesmo? E se ele lhe trair de novo? ━ Perguntou. ━ Acha que poderá conviver com isso? ━ Esse, é um risco que eu devo correr se quiser te ter de volta! E se, eu precisar me aliar ao Barão Zemo para fazê-lo, que assim seja! ━ Ela estava mesmo decidida. ━ Mesmo que perca a sua alma para o "diabo" ? ━ O Tony imaginário indagou. ━ Olhe para mim, Tony! Eu a perdi há muito tempo atrás! E se eu a quiser de novo, precisarei estar em paz comigo mesma! ━ Ela sussurrou. ━ Me vendo ao lado da Pepper, quando você não admite seus próprios sentimentos pelo pai da sua filha? ━ Sim! ━ Ela nem pestanejou. ━ E o Barnes, não é o pai da Maggie, já disse! ━ Carter... você mesma disse que se deixou manipular pelo Zemo... ━ E você disse que por ele, descobriu a morte de seus pais! ━ Já pensou que pode querer que ele esteja livre porque ainda sente alguma coisa pelo Barão? ━ Já pensou que você ainda estará vivo se isso der certo, e que eu terei a minha família de volta? ━ Perguntou baixo. Tony, a olhou nos olhos. ━ Terá válido a pena! Para todos nós. Assunto encerrado! Concluiu ela, deixando aquele assunto enterrado de uma vez por todas antes de entrar na caverna do “diabo.” Continua...
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭A verdade chega à tona. ▪︎Wakanda — Logo após Sharon voltar da missão de 1944. Wakanda estava em festa, e foi isso que Sharon encontrou quando chegou lá. Sendo recebida pelo rei T'Challa, a mulher sorriu animada pela música. ━ Do que se trata tudo isso? ━ Wakanda está em festa! Bucky está livre finalmente do controle da HYDRA. ━ T’Challa explicou. Sharon olhou para o homem e imediatamente, seus olhos ficaram marejados. ━ Como isso... ━ Okoye tem suas habilidades. ━ Eu... meu Deus, isso é realmente maravilhoso! ━ Ela estava mesmo visivelmente emocionada com a notícia. ━ Eu sei! Todos estamos alegres com a notícia. Venha, vamos ver o Lobo Branco. ━ Quem? ━ Bucky! Ele não é mais o Soldado Invernal. Agora, é o Lobo Branco. ━ O homem a elucidou e ditou o caminho, para que Sharon o acompanhasse. (...) ▪︎ Madripoor. 》Algum tempo após o estalo e no meio dos eventos de Falcão e o Soldado Invernal. Sharon Carter lia a carta deixada por Steve Rogers à ela. Algo jamais esquecia. Era tarde da noite, e uma xícara se chá, estava sendo sua melhor companhia. As palavras, foram claras e diretas embora, polidas. Ele teve todo o cuidado para que não a magoasse. Mas mesmo assim, obviamente de que magoou. “Querida Sharon, Quando ler esta carta, já vou estar longe. Eu sei do quanto se arriscou por nós e sou grato. Sou muito grato. Sua tia teria orgulho de você! Sinto muito por não poder ser quem esperava que eu fosse. E se me permitir um último pedido: cuide do Sam e do Bucky por mim. Alguém tem que ficar de olho naqueles dois para que não se matem. E acho que você, é a mais indicada, por razões das quais, ainda irá descobrir. Seja feliz. Com carinho, Steve.” O que ele não imaginava era que, mesmo assim, ela se sentiria magoada porquê bem no fundo, sabia que nunca seria como a sua tia e isso, era o que mais lhe fazia duvidar de si mesma as vezes. ━ Eu sinto muito, Sharon! ━ Bucky lhe disse baixinho, às costas dela ao vê-la lendo novamente aquilo. ━ Vim... tomar água. Quem não sabia daquela carta, afinal de contas? ━ Não aconteceu nada mais além de um simples e tardio beijo, seguido de algo que não era pra ser, Barnes! ━ Sharon o olhou. ━ Então, não sinta! ━ Eu sei que isso ainda te incomoda. ━ Não faz diferença! ━ Você sabe que não é disso que eu estou falando, Sharon! ━ Ah claro, é do meu perdão, aquele que ninguém se lembrou e agora a Interpol está no meu encalço!? ━ Nós vamos conseguir isso para você! Eu prometo! Não vai precisar se esconder em Madripoor para sempre, Sharon! ━ Você tá horrível! ━ Ela anunciou ao vê-lo melhor de perto, mudando o teor do assunto. ━ Nossa, muito obrigado! ━ Retrucou este, ao olhar para ela de volta e fez uma careta. ━ Pesadelos? ━ Sharon serviu uma xícara de chá de camomila para ele. ━ Como sabia? ━ Pareceu bastante surpreso, vendo a xícara diante dele. ━ Eu consigo reconhecer alguém atormentado pelo passado, acredite! ━ Forçou um sorriso. Não estava mentindo. Fatos recentes de seu passado, lhe batiam a porta, incansavelmente. ━ Fala por experiência própria? ━ Bucky olhou a xícara de chá novamente e fez outra careta. ━ Talvez. ━ Ela se limitou a responder e o olhou suave. ━ A tia Peggy sempre me dizia que uma xícara de chá curava tudo. Até amores perdidos... Bucky viu Sharon agora fazer uma careta e levar a xícara aos lábios. ━ Ela era uma mulher bastante sábia! ━ Bucky sorriu ao mencionar isso, e bebeu um pouco do chá também. ━ Era sim. ━ Suspirou. ━ Me pergunto muitas vezes se ela teria orgulho se mim. ━ Sharon disse, em tom de melancolia. ━ Diz isso, porque é o Mercador do Poder? ━ Bucky perguntou sem pestanejar e a olhou nos olhos. Foi a vez de Sharon ficar surpresa. Como ele poderia saber disso? Este segredo, estava guardado à sete chaves. ━ Eu sou um bom observador e depois, não é a única que faz coisas para o Fury agora! ━ Sorriu gentil. ━ Além do que, o Zemo disse que era íntimo do Mercador, e você pareceu querer pular no pescoço dele quando o viu! ━ É, Barnes, parece que fez a sua lição de casa! ━ Ela foi sarcástica. ━ Para! ━ Ele a advertiu. ━ Você pode dizer e mentir aos outros que não tem proximidade alguma comigo, mas sabemos bem de que não é essa a verdade. Então, não tenta me deixar de fora, tá legal? ━ Bucky pareceu zangado. Sharon ergueu a vista em zombaria com aquela frase, e deu uma risadinha irônica. ━ Vamos mesmo fingir que Wakanda nunca aconteceu? E, que não flertamos? ━ Perguntou a ela, como se não quisesse desistir. Ela, olhou mais surpresa nos olhos dele. ━ Flertamos? ━ Ergueu a vista. Bucky lhe deu um olhar de lado. Sharon tentou não rir, ele parecia bem sério agora. ━ Tão sério... ━ Engraçadinha! ━ Bucky a olhou novamente ao dizer. ━ Isso é diferente, James! ━ Não há nada do que me diga, que possa mesmo me abalar, Sharon! Ainda não aprendeu isso? ━ Eu matei pessoas para tentar deter a HYDRA. ━ Ela mandou na lata. ━ E estou presa há cinco anos nessa maldita cidade, fazendo coisas ilegais... ━ E eu não matei pessoas quando estava dominado pelos Russos não, né? Tipo, os pais do Tony, por exemplo? ━ Perguntou ele de volta. Sharon olhou nos olhos dele, e por alguns instantes, se calou. Era verdade. E sabia do quanto ele arrependia. ━ Você matou pessoas por não querer, e eu também matei. Vamos por isso na lista mesmo? ━ Ele perguntou novamente, olhando bem no fundo dos olhos dela. ━ Obrigada por confiar em mim, Bucky. ━ Ela sorriu apagado, finalmente, deixando o “muro” entre eles, cair. ━ Eu confio, com a minha vida! ━ Disse, enquanto ainda a olhava nos olhos. ━ E não estou errado! Você me salvou hoje, não foi? Sharon olhou para ele mais uma vez. O ex-Soldado Invernal, piscou e foi saindo. Mas então, parou na porta, e se virou para Carter. ━ Está tudo bem? ━ Ela perguntou, parecendo preocupada. ━ Eu seria um covarde, se não fizesse o que vim fazer aqui. ━ E o que veio fazer aqui? ━ Sharon perguntou. ━ Eu acho que você sabe muito bem, o que! Bucky respondeu ao ir até ela. Por fim, a tomou nos braços, e a beijou. Sharon foi pega de surpresa pelo beijo, mas não o recusou e retribuiu, se enlaçando no pescoço de Bucky. Dando um meio sorriso, Bucky brincou com a língua da agente, sentando-a na mesa da cozinha ao erguer, sem o menor esforço. Desde a missão de 1944, Sharon desenvolvera um certo interesse em James Barnes. Em Wakanda, eles praticamente flertaram mesmo e estava cada mais vez envolvida por sentimentos dentro dela, dos quais ainda nem conhecia completamente. ━ O que está fazendo? ━ O que eu deveria ter feito, em Wakanda! ━ Disse ele, próximo ao rosto dela. ━ Não estamos sozinhos aqui, sabia? ━ Ela perguntou, em tom de brincadeira. ━ Por que, eu acho que você não liga muito para isso? ━ Perguntou ele de volta ao olhar diretamente nos olhos dela. ━ Porque, eu não ligo! ━ Sharon sussurrou ao pé do ouvido de James, puxando a camisa dele para cima. Ele, escondeu um sorriso maroto, e voltou a beijar Sharon, com a mesma urgência e necessidade que houvera no passado como se aquele tempo, nunca houvesse terminado. (...) ▪︎ Estados Unidos — New York. 》Após os eventos de Falcão e o Soldado Invernal e antes da missão em Hamptons. Barnes abriu os olhos pela manhã. Ele olhou para o lado, e viu a recém nova integrante da casa ronronar: Alpine. Fazendo um carinho na gatinha, sorriu largo, e se sentou na cama, que estava bagunçada. Este, estava envolvido em uma confusão de lençóis. Algum tempo havia se passado desde que foi a Madripoor, com Sam e Zemo, e enfrentaram os super soldados terroristas. Sharon, finalmente havia recebido seu perdão, e parecia focada em um novo objetivo, desconhecido por quase todos, mas não, por James Barnes e Helmut Zemo. Respirando fundo, Bucky ouviu um barulho de vozes altas na sala, e olhou para a gata. ━ É! E lá vamos nós outra vez, Alpine! ━ Disse ao se vestir, e foi saindo do quarto com a gata no colo. Chegando na sala, encontrou Sam Wilson, bastante irritado. Alpine, logo foi para o pote de ração, ao ser posta no chão. ━ Eu não aguento mais esse cara, Bucky! E estou falando sério! ━ Disse zangado a ele. ━ A Sharon pediu pra gente tomar conta dele, lembra? ━ Bucky mencionou. ━ E eu tenho cara babá agora? ━ Sam deu um tapão na perna de Zemo, para que ele tirasse os pés da mesinha de centro deles. Bucky negou com a cabeça rindo, e pegou o cereal no armário. ━ Sinceramente, cara? Qual é a graça? ━ Perguntou Sam, mais irritado. ━ Nenhuma, Tigre Sorridente! ━ Ele despejou o cereal na tigela. Zemo segurou o riso e viu Sam lhe fuzilar com o olhar. Sharon abriu os olhos no quarto de hóspedes que estava. No relógio, passavam das sete. Olhando para o fio de luz vindo da janela, ouviu a discussão vinda do lado de fora. Sua cabeça, estava latejando e ela, se sentia no meio de uma bateria de escola de samba. Pondo a destra na têmpora, foi se levantando para fazer sua higiene pessoal, e logo, sair do quarto . A noitada de bebidas com Barnes, havia passado de todos os limites. ━ Se você vai viver aqui, podia pelos menos ajudar no aluguel, não? ━ Retrucou Sam ao pegar uma xícara de café na cozinha agora. Zemo, que também tinha ido à cozinha, sorriu sarcástico. ━ Posso pensar nisso, afinal, eu sou rico, Sam! ━ E pegou a xícara de café da mão dele. ━ Muito obrigado! Sam fez uma careta, e voltou-se para pegar outra. ━ Viu do que eu estou falando? ━ Perguntou indignado para Bucky. ━ Vi! E quanto mais você cair na pilha, mais ele vai te provocar, sabia? ━ Perguntou Barnes de volta, rindo. ━ Esse seu bem-humor tá me deixando puto já, tá sabendo? ━ Sam retrucou novamente. ━ Posso estar feliz não? ━ E que motivo você teria para estar rindo às sete da manhã, meu amigo? ━ Bom dia! ━ Uma voz, soou as costas deles. Chegando à sala, Sharon viu Sam discutir com Bucky, enquanto Zemo fazia castelo de cartas na mesinha de centro naquele momento. Sam prestes a reclamar mais uma vez de Zemo, olhou chocado ao ver Carter ali. E ela, usava uma camisa xadrez, provavelmente de Bucky o que, mais parecia um vestido do que uma camisa, por causa do tamanho da garota. ━ Sharon? ━ Sam perguntou. ━ De onde você saiu? Bucky, que já estava fazendo o café da manhã dela, se voltou a eles na sala. ━ Ah, ela dormiu aqui porque saímos para beber logo ali ontem a noite, e ficou um pouco tarde para voltar sozinha pra casa! ━ Estava com a frigideira na mão. ━ Sharon, você gosta dos seus ovos mexidos ou fritos no café da manhã? ━ Podem ser mexidos, por favor! ━ Ela esboçou um sorriso. ━ James, você tem uma aspirina? ━ Perguntou ao se sentar numa das cadeiras na cozinha. ━ Nossa, você tá horrível! ━ Ele, devolveu-lhe a piadinha de Madripoor. Sharon fez uma caretinha, mas em seguida, lhe sorriu. Sam e Zemo agora se voltaram diretamente aos dois, até esquecendo que brigavam. ━ Eu moro com esse filho da puta há dois meses e ele nunca, mas nunca mesmo, me fritou um ovo! ━ Sussurrou à Zemo. ━ Bem, isso é bastante suspeito, não acha?! ━ Zemo sussurrou de volta. ━ Muito suspeito! Ninguém fica de bem-humor as sete da manhã a menos que... ━ Ah, soldado sem vergonha! ━ Zemo sussurrou. E assim com a constatação deles, ambos olharam para Bucky e Sharon e depois, se entreolharam, chocados. (...) 》QueenJet da S.H.I.E.L.D. ▪︎ Algum tempo depois da Guerra Cívil. Quando Phill Coulson disse à Sharon que eles fariam uma viagem, ela não tinha levado tão ao modo literal. Tanto que, ao pousarem, ela realmente achou que estavam ainda em 2016, mas quando saíram da nave, levou um choque. ━ Coulson... ━ Ela o olhou. ━ Onde nós estamos? ━ Estamos no ano de 1944, no Brooklyn! ━ Explicou calmamente. ━ Como é que é? ━ Sharon perguntou em surpresa ao olhar o chefe. ━ Mais precisamente, na época do sargento James Buchanan Barnes e do Capitão Steve Rogers. Então, sugiro que se vista a rigor! Carter, o viu apontar e quando seguiu com o olhar, avistou exatamente quem Coulson esperava que ela visse: James Barnes, ao lado do tão inseparável e ainda franzino amigo, Steve Rogers. O coração dela praticamente disparou. ━ Se for muito complicado para você... ━ Ouviu May dizer. ━ Nada é complicado para mim. ━ Disse para ela. ━ Von Strucker pode estar aqui! ━ Disse Richard O’Brien. ━ O’Brien está certo! Nós precisamos salvar aquela amostra do super soro. Coulson sabia que nem se o papa surgisse ali, dançando cancam, a atenção da agente sairia de Rogers. Até ele mesmo estava bem impressionado com aquela época. ━ E será você quem irá nos ajudar, Carter! ━ Tentou assim, trazê-la para a conversa outra vez. ━ O que? ━ Sharon o olhou pasma. ━ A partir de hoje você será Dolores Armstrong! E se aproximar de James Barnes, é seu principal objetivo para podermos manter o super soro seguro e consequentemente, Steve Rogers. ━ E eu irei com ela? ━ Temos outros planos para você, O’Brien. ━ May explicou. ━ A missão será simples! Você se infiltra na S.H.I.E.L.D , impedimos o roubo do soro e voltamos para casa! ━ Coulson falou calmo. ━ Não há nada como dar errado, certo? Sharon, ouviu aquilo e parou para pensar. Quando se tratava da HYDRA, tudo poderia dar bastante errado e ela, já sabia muito bem disso. (...) Sharon, olhou para James assim que este deixou o frasco de aspirina diante dela, seguido de um copo de suco fresco de laranja. ━ Aqui está! ━ Sorriu. Dando um pequeno sorriso de volta a Barnes, a mesma abriu o frasco e por alguns minutos, praticamente entrou em um espécie de transe. Era como se suas memórias, pouco a pouco tomassem total forma. ━ Vocês dois tão se pegando? ━ A pergunta de Sam saiu tão natural, que bem ele mesmo acreditou. ━ O que? ━ Sharon e Bucky perguntaram juntos e perplexos. ━ Sutil, Sam! ━ Zemo disse zombando dele. ━ Por que? Você perguntaria de um jeito diferente por um acaso? ━ Retrucou. ━ Pelo menos, com um pouco mais de classe, pode ter certeza! — Ah, vai dormir, seu pé no saco! ━ Nós não estamos nos pegando! ━ O “casal” falou junto ao ver Zemo e Sam discutindo outra vez. Os dois pararam de discutir e olharam para o casal. ━ Ah, tá bom! Seus mentirosos... ━ Sam pegou sua torrada e foi andando em direção à sala. ━ Vocês querem mentir? Tudo bem, já são bem grandinhos. Mas quanto a mim? Sem ressenmentos, Barnes! Ela é toda sua! ━ Zemo disse, e saiu dali também. Bucky apenas olhou na direção de Zemo um pouco zangado e Sharon, e acabou rindo. ━ Eles não vão nos deixar em paz, não é? ━ Ela perguntou, aos risos. ━ Provavelmente, não! ━ Ele olhou para ela. ━ Ai merda! ━ Sharon voltou a rir e fez uma careta, levando a mão destra à cabeça. ━ Estou ficando bem velha para esse tipo de coisa... Bucky, servindo os ovos para ela, sentou-se do lado da agente e deu uma pequena olhadela. ━ O que foi? ━ O Zemo e você...? Sharon deu de ombros. ━ Você gosta mesmo de cara mais velhos. ━ Eu na verdade, gosto de super soldados da década de 40! James fez uma enorme carranca. ━ Não quis te chamar de velho... ━ Se desculpou. Ele fez outra careta, então, riu. ━ Você sabe que vamos ter que contar as pessoas um dia, não sabe? ━ Contar o que? ━ Ela se fez de desentendida. ━ Contar o que? Bem, ao que me consta, agente treze, esta é a sexta vez! ━ Sétima! Mas quem está contando, não é? — Brincou. ━ Eu sou um homem das antigas, sabe? ━ Segurou a mão dela. ━ Não foi você quem disse que só estávamos curtindo e que queria ser moderno? ━ Ela perguntou, zombeteira. Bucky ergueu a vista. ━ Então, realmente, só estava me usando, Carter? ━ Quem sabe? ━ Ela piscou e começou a comer. ━ Nossa, eu acho que mudei de ideia! Isso aqui tá uma delícia... ━ Será que eu deveria chamar o Steve de tio? ━ Brincou de volta com ela. Sharon fez uma careta e riu. ━ Definitivamente, não! Mas talvez, possa chamar o Tony, de “cunhado.” Bucky foi quem fez uma careta agora e riu. Então, olhou para ela e afagou a mão da mulher. ━ Vai dar certo, Sharon! Você vai ver! ━ Tem que dar! Porque eu não quero ir àquela lápide, James. ━ A voz dela era carregada de melancolia. ━ Você não vai precisar! Mas, caso isso venha a acontecer, não estará sozinha. Eu te prometo. — Ele melhor do que ninguém, entendia a dor da perda. ━ Obrigada! ━ Disse ao mesmo e apertou a mão dele. Ao olhar para o lado, teve a impressão de ver Tony Stark sorrindo. E talvez, onde quer que estivesse, estaria mesmo. Até porque, assim como queria vê-lo bem e feliz, tinha certeza absoluta de que este, desejaria o mesmo para ela. E com um pouco de sorte, talvez, pudesse ajudá-lo a voltar para casa e para sua família de uma vez por todas. Mas antes disso acontecer, ela enfrentaria coisas. Coisas que mudariam sua vida, para sempre. Continua...
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭Passado não recuperado. ▪︎ Flashback. 》Ano de 1944. Sharon Carter foi convencida pela S.H.I.E.L.D. a embarcar pela busca do super soro. Ela ainda não acreditava, mas estava já devidamente trajada com a roupa de época apresentada naquele local e olhava a sua volta, buscando como iniciar aquela missão. Ela não sabia, mas já havia despertado a atenção de quem menos esperava. ━ Steve? ━ Bucky chamou baixinho. ━ Quem é aquela garota? Rogers voltou seu olhar para onde Bucky discretamente apontou, e negou com a cabeça. ━ Eu nunca a vi, mas se quiser, posso pedir a senhorita Carter para descobrir! ━ Descobrir o que? ━ Peggy Carter indagou ao se aproximar. ━ A garota ali à frente! Bucky quer saber quem é! ━ Está na sede da S.H.I.E.L.D. É uma das novas agentes. Mas pouco sei dela. ━ Agente? ━ Bucky olhou para frente. ━ Nesse caso, vamos descobrir quem é então! Sharon sentiu o queixo cair. Steve lhe contou de uma Dot e de como Bucky a tentou impressionar. E também, em como ela havia sumido misteriosamente tempos mais tarde. E que ela, foi uma agente altamente habilidosa. O que Sharon realmente não esperava, era que a tal Dolores Armstrong, mais conhecida por Dot, fosse ela mesma. ━ Isso não é possível! ━ Ela se voltou a Coulson novamente, e quando deu por si, perdeu James e Steve de vista. ━ Sim pode ser e, é! ━ Coulson respondeu suavemente. Sharon estava estupefata. Como o passado poderia se entrelaçar ao presente dessa forma? ━ Dolores Armstrong na verdade, sempre foi você! E acho melhor nos separarmos porque o sargento Barnes, está vindo! Sharon ia falar alguma coisa, mas Coulson se afastou imediatamente . E ela o viu indo encontrar May ao fundo. ━ Por essa ela não esperava mesmo, né? ━ Melinda May sussurrou a Phill Coulson. ━ Não! ━ Ele pediu duas bebidas no bar. ━ Não esperava mesmo! ━ Com licença, eu posso te oferecer uma bebida, senhorita? ━ Sharon ouviu uma voz firme às suas costas. Ao se virar para James, ela encontrou seus olhos azuis e estes se fixaram nos dela. Estava realmente surpresa, porque, diferente do homem que atacou sendo controlado pela União Soviética mais a HIDRA, ele parecia um homem bem comum e normal agora, exceto claro, pela exímia beleza. ━ Barnes, sargento Barnes! ━ Ele continuou. ━ Sargento Barnes? ━ Sharon usou de uma breve ironia. ━ Vejo por sua vestimenta, mas acho-te tão novo para ser um sargento! Bucky ergueu a vista com aquela resposta e coçou a nuca. ━ Não me lembro de conhecê-la! ━ E não conhece! ━ Sharon disse imediatamente. ━ Mas posso vir a conhecer! ━ Acho muito pouco provável! ━ E Sharon, lhe deu as costas, passando a caminhar. ━ Não posso nem ao menos, saber o nome de tamanha beleza jamais vista antes? ━ Ele a seguiu. Steve e Peggy seguraram o riso do outro lado do salão. ━ Se ela é uma agente da S.H.I.E.L.D, ele não vai conseguir nada tão fácil! ━ Rogers brincou. ━ De onde será que tirou essa conclusão? ━ Peggy brincou de volta. Steve riu-se e voltou a beber seu drink enquanto Peggy, observava a interação à frente. ━ Essa sua tática, por um acaso já funcionou com outras garotas? ━ Sharon perguntou enquanto andava, sem dar atenção a James. ━ Que outras garotas? ━ Ele se pôs a frente dela ao finalmente a alcançar. ━ Só vejo você aqui, senhorita! ━ Não vai funcionar comigo, Sargento Barnes! Eu conheço bem a sua fama! ━ Ela foi dura e direta. ━ Ah então, estava certo! Você já ouviu falar de mim! ━ Mencionou com um sorriso convencido. ━ E quem não ouviu!? ━ Sharon lhe deu as costas de novo, e andou agora para o outro lado do salão. ━ Por favor, só me fala qual é o seu nome! ━ Bucky ficou na frente dela novamente, e lhe estendeu uma rosa que pegou de uma das mesas. Sharon olhou incrédula, vendo Steve e Peggy de relance ao fundo. ━ A agente Carter já não lhe disse? ━ Não. Só me disse que era uma agente! ━ Então, acho que já soube mais do que o suficiente! Bucky ficou com cara de taxo, mediante aquela resposta quando Sharon se virou de costas pela terceira vez, e começou a andar em sentido contrário ao dele. Mas isso, não o abateu. Tanto que ele correu para a alcançar novamente e deixou a rosa perto dela, ficando diante da jovem. ━ Eu poderia fazer isso o dia todo! ━ Foi o que veio na mente dele, ao lembrar da fala de seu amigo Rogers no beco. ━ Dolores! ━ Carter disse, acabando por dar um meio sorriso e por fim, pegou a rosa das mãos dele. ━ Dolores! ━ Barnes repetiu. ━ É um lindo nome! ━ Para você, agente Armstrong! ━ Disse ao deixar o olhar no dele. ━ Ouch! ━ Barnes brincou. — Eu gosto das duronas. Sharon lhe devolveu a rosa e saiu andando outra vez. ━ Tchau, sargento Barnes! ━ Disse-lhe, finalmente deixando aquele local com um meio sorriso. Ela não podia negar, o Bucky de 1944, era mesmo deveras encantador e interessante. (...) ━ Sharon? ━ Uma voz veio para tirá-la daquela estranha e confortável lembrança. Era Barnes que a olhava como se quisesse compreender o que estava se passando ali. Ela então, finalmente ergueu a vista para olhá-lo, e como em uma espécie de mágica, o viu por alguns segundos, vestido com o mesmo uniforme militar que usava em 1944. Eles ainda estavam juntos, tomando café da manhã. ━ Tudo bem? ━ Barnes indagou curioso. ━ Eu... ━ Ela então, olhou para ele. ━ Lembra quando te disse que as memórias estavam confusas aqui dentro? James a olhou nos olhos. ━ Sim, eu me lembro bem disso! ━ Parece que tudo tá voltando de uma vez. Com tanta força, que até parece um tsunami. ━ Hey... ━ James a tocou no rosto. Sharon se deu conta de que Zemo e Sam, ainda observavam a interação deles. ━ Eu preciso ir trabalhar! ━ Tirou a mão de James de seu rosto. ━ Come direito! Você não comeu quase nada, Sharon! ━ Bucky disse gentil. Sharon, o olhou nos olhos e assentiu. Não poderia simplesmente sair correndo. Pegando um garfo, experimentou mais um pouco dos ovos, dando o sorriso mais honesto que poderia dar. Bucky apenas sorriu. Dando mais duas garfadas, Sharon bebeu uns dois goles de suco, e se levantou. ━ Estava uma delícia, mas eu realmente estou atrasada! ━ Sharon foi saindo da cozinha rapidamente. ━ Vai só de camisa xadrez? ━ Zemo perguntou irônico. Sharon olhou de lado para este, e saiu correndo. ━ Sharon, você nem co... ━ Barnes a viu sair correndo por ele em direção aos quartos. Sam olhou diretamente para Barnes. Ele parecia incomodado. Em alguns segundos, a agente já voltava vestida, com sua calça jeans e ainda a mesma camisa de Bucky, com ele mais os outros dois, a olhando mais confusos. ━ Obrigada pelo café! E eu, eu te ligo mais tarde! ━ Ela o beijou no rosto, e saiu porta à fora. ━ Você tá mesmo pegando ela, né seu safado!? ━ Sam segurou o riso. ━ Ninguém pode julgá-lo! Sei exatamente como é isso, Sam. ━ Zemo arrematou, em um sorrisinho cínico. Bucky lhe deu o dedo do meio, e foi pelo mesmo corredor que Sharon fora minutos antes. ━ Pera aí, você também...? Zemo nada disse a Sam. Apenas, saiu assobiando em direção ao corredor. (...) ▪︎ Sede da S.H.I.E.L.D. 》Manhã daquele dia. Phill Coulson avistou Sharon Carter entrando em seu escritório na sede da S.H.I.E.L.D. Ia perguntar se estava maluca por estar lá, mas ao ver o semblante carregado da jovem, preferiu tentar saber o que estava acontecendo. ━ Sharon, está tudo bem? ━ O que aconteceu na missão de 1944, Coulson? ━ Sharon cruzou os braços. ━ Quero a verdade! ━ Missão de 1943? A do super soro? ━ Coulson não pareceu surpreso. ━ Você sabe o que aconteceu! Detemos HYDRA do futuro! ━ E essa, é toda a verdade? ━ Perguntou ela, impassível. ━ Mas é claro que é! ━ Coulson afirmou. ━ Entao, porque eu me lembro do O’Brien tentando me matar? ━ Sharon... ━ Ele é o filho da Madame HYDRA! ━ Constatou ao interromper o chefe. ━ E eu, causei a morte dele! Coulson agora engoliu em seco. Então, ela sabia! ━ Como você descobriu? ━ Então, você finalmente, não vai negar? ━ Sharon estava furiosa. ━ Sharon, pelo amor de Deus! A sua segurança e a da sua filha, dependem dessa resposta! ━ Vocês não se cansam de usar as pessoas, e as manipular como bem lhes convém? ━ Sharon, por favor... ━ Logo você que foi usado pelo Fury no projeto HAITI, teve a coragem de mentir para mim também, Coulson? ━ Agora ela estava emputecida. ━ EU ACHEI QUE SE IMPORTASSE COMIGO! ━ E eu me importo, Sharon! ━ ENTÃO, POR QUE MENTIU PARA MIM? ━ Ela gritou, com lágrimas nos olhos. ━ Porque não tive escolha! Ou era isso, ou iam te perseguir enquanto você vivesse! ━ E por que eles fariam isso se o objetivo, era o Barnes? Coulson a encarou. ━ Eu nunca tive algo tão valioso assim para virem em meu encalço! ━ Você é uma garota esperta, Sharon! ━ Ela ouviu a voz de Fury às suas costas. ━ Pensa um pouco! Sharon se voltou a Fury ao ouvi-lo, e o encarou em choque. ━ Maggie, ela nunca foi filha do Richard! ━ Bem aí dentro, você sempre soube a verdade, não soube Sharon? ━ Fury indagou com seu ar sério. ━ Ela é filha... do James! ━ Sharon teve que se segurar na mesa para aguentar essa. ━ Eu sei que é duro para você... ━ E apagar a minha memória, para me fazer achar que a bebê era do Richard, foi o “melhor” que fizeram para me proteger? ━ Agora ela estava puta da vida. ━ ELE É UM MONSTRO TRAIDOR, QUE MATOU PESSOAS! Os dois apenas continuaram a olhando. ━ E a Pepper? Meu Deus, ela quer incluir a Maggie no patrimônio da família Stark! ━ Sharon passou a mão entre os cabelos. ━ Será possível que isso nunca passou pela cabeça de vocês dois? Os dois se entreolharam. ━ O que? ━ Sharon perguntou impaciente. ━ O Tony sempre soube de tudo. Da gravidez, 1944 e quem era o pai da sua filha! ━ Fury confessou por fim. ━ COMO É QUE É? ━ Sharon deu um grito. ━ Ele concordou conosco que manter a criança em segurança, era o mais importante porque, se colocassem as mãos em uma bebê de uma agente com o Soldado Invernal... ━ Coulson começava. ━ Poderiam usar isso, para manipular o Barnes! ━ EU NÃO ACREDITO NUMA COISA DESSAS! ━ Ela gritou na direção dos dois. Coulson olhou para Fury, que respirou fundo. ━ Eu quero as minhas lembranças de volta! ━ Disse ela olhando diretamente a Fury. ━ Carter... ━ Todas elas! Não apenas, pequenas partes! E, eu quero agora! ━ Disse ela de modo mais firme. ━ Você tem total ciência de que se lhe devolvermos essas memórias... ━ Você me deve isso, Fury! ━ Sharon disse mais séria. ━ Vocês dois me devem, depois de tudo do que eu já fiz por essa maldita agência! Coulson se sentou na poltrona. ━ A minha vida não é uma estrutura Fitzsimmons, onde vocês podem me dar o que acham melhor para eu viver! ━ Só quis te proteger! O Steve pediu isso! ━ O STEVE QUE SE FODA! ESSA É A MINHA VIDA, E EU A QUERO DE VOLTA! ━ Isso pode ser extremamente doloroso! ━ Coulson explicou. ━ Todo o processo, para trazer suas memórias de volta! ━ Eu não me importo com a dor! Isso é bem irrelevante agora, não acham? ━ Perguntou ela sem tirar os olhos dos dois. Se eles pensavam que iriam persuadi-la a mudar de ideia, estavam redondamente enganados. 》Flashback. ▪︎ Madripoor. 》Doze horas depois do ataque ao laboratório. Sharon estava deitada em sua cama e tinha James Barnes ao seu lado. Este alisava o braço dela, e sorria suave. ━ Quem diria que um dia você estaria aqui. Mesmo depois de ter tentado me matar em 2016... ━ A beleza de um super primeiro encontro. Tentar matar a garota virado no Soldado Invernal! ━ James tentou brincar. ━ Alias, desculpa por aqueles chutes, mas você estava totalmente fora de controle! ━ Sharon fez uma careta. ━ E você estava defendendo o Stark também! É, eu sei! Sharon o olhou e fez uma careta. Logo fez menção de levantar-se da cama, mas James a segurou. ━ Todo mundo sabe o lado que eu escolhi depois! ━ Isso foi antes ou depois de ir para 1944 e ver o Steve? Ela voltou seu olhar a James sem nada dizer. E não precisava. Bucky havia se acostumado a ler Sharon pelo olhar, desde o fatídico dia em que lhe deu a notícia da partida de Steve para o passado. Dali em diante, ele se perguntou muitas vezes, se ela aguentaria firme, depois de tantas decepções. Mas também sabia que era uma Carter e elas, sempre eram mais fortes. Sharon tinha um semblante carregado, e este a segurou pela mão. ━ Vem cá! ━ E a puxou para si em um abraço reconfortante. Sharon passou os braços à volta dele e se deixou ficar. Sim, era bastante forte, porém até mesmo ela precisava de alguém para lhe ajudar a se manter firme as vezes. (...) ▪︎ Laboratório da S.H.I.E.L.D. 》Algumas horas depois. Sharon abriu os olhos. Estava deitada em ums maca de um dos laboratórios da S.H.I.E.L.D. Jemma Fitz, estava ao seu lado. Ela havia ficado desacordada, por horas, devido ao procedimento. Preocupada com o que pudesse estar sentindo, imediatamente mediu a pressão da garota. ━ Você está bem? Sharon a olhou, e levou as mãos à cabeça. A dor era excruciante, todavia as memórias pareciam vir mais e mais claras, a cada segundo que se passava. Fechando os olhos apertados, Sharon deu um grito agoniado. Eram muitas informações juntas. Cenas que aos poucos, se tornavam mais conexas. Ela não acreditava em quanto tempo havia perdido de sua vida. Vendo Coulson entrar na sala ao abrir seus olhos novamente, Sharon, foi se sentando na maca com a ajuda de Jemma. ━ Quanto tempo vocês tiraram das minhas lembranças? Coulson olhou na direção de Jemma. ━ Quanto tempo, Coulson? ━ Ela foi categórica. ━ Três meses! ━ Ele respondeu. Sharon, voltou a olhá-lo e arregalou os olhos. ━ Eu tive três meses com o James, e vocês tiraram isso de mim? Coulson ia falar, mas Sharon já havia descido da maca. ━ Sharon! Você ainda não está bem! ━ Jemma sussurrou. ━ Jemma tem razão, Sharon! ━ Você deixou a época mais feliz que já tive se apagar, Coulson! Por que te escutaria agora? ━ Porque, se eu não tivesse feito isso, você teria voltado no tempo outra vez, e impedido o James de se tornar o Soldado Invernal, mudando toda a linha temporal! ━ Eu não seria tão estúpida ao ponto de... ━ Sharon parou de falar imediatamente. ━ Eu tentei fazer algo do tipo, não tentei? ━ Você é como uma filha para mim, Sharon! Não teria feito algo tão extremo, se não precisasse! Aos poucos, ela se recordava de tudo, e levou a mão à boca, assombrada. ━ James quase a fez perder o bebê na forma do Soldado Invernal, quando esteve nos anos noventa, para o impedir de matar Howard e Maria Stark! E quando nós chegamos lá, achei que não poderia salvar a sua vida! ━ Então... O Acidente que eu sofri... Sharon ergueu o olhar para Coulson, e lágrimas desciam-lhe pelo rosto. Sim, ela havia se lembrado disso. Batia fundo, e doía até sua alma. Coulson imediatamente, foi até a garota, e a envolveu nos braços. Olhando Jemma, a viu deixá-los a sós. ━ O olhar dele... ━ Sharon disse em meio ao choro. — A forma com a qual me olhava era de... de... ━ Sharon sussurrou completamente “quebrada.” ━ Ele hoje, não é mais aquilo e já tiraram muita coisa dele! De todos nós! ━ Coulson, a beijou no alto da cabeça. ━ Eu quero fazê-los pagar! Cada um deles Coulson! ━ Sharon disse seriamente ainda nos braços de seu amigo. ━ Cada um deles! ━ Não será tão fácil assim! Von Strucker, é obcecado em você, desde quando descobriu a sua traição em Sokóvia! ━ Disso eu sei faz tempo, Phill! Richard forjou a própria morte pela segunda vez, e sumiu. ━ Não, Sharon! Você não entendeu! ━ Coulson se soltou dela para olhá-la. Sharon ergueu a vista, como se esperasse mais. ━ Von Strucker, arquitetou roubar o soro super soldado o tempo todo, e quando descobriu que você estava apaixonada pelo Bucky, decidiu transformá-lo no Soldado Invernal! ━ O que? ━ Sharon o olhou chocada. ━ A gente sabe que foi a União Soviética e que a HYDRA... ━ O projeto do Soldado Invernal, foi uma criação dele, Sharon! Ele estava ajudando a União Soviética! ━ O... o quê? ━ Ela, arregalou os olhos. ━ E pelo que eu conheço do Von Strucker, acabar com vocês dois é a única prioridade dele. E não vai parar, até conseguir. Por isso, você precisa se afastar de James Barnes o quanto antes, desistir da ideia de trazer Stark de volta porque não pode mudar isso e, deixar Strucker continuar a achar que realmente é uma traidora da S.H.I.E.L.D. ━ Eu... eu não posso fazer isso, Coulson! — Você pode e precisa! A segurança da sua filha, vem antes do que qualquer coisa em sua vida. Me disse isso uma vez, se lembra? — Sim, eu me lembro! — E eu sinto muito, Sharon! — Pelo que? Coulson rapidamente a segurou e Jemma Simmons, lhe injetou um líquido denso. Sharon então, simplesmente, apagou nos braços de Coulson. — Estamos fazendo a coisa certa com eles? — Jemma perguntou confusa. — Apagar a memória do Bucky e da Sharon... Coulson, colocando Sharon Carter na maca, disse baixo, com pesar: — Se Sharon e Bucky ainda se lembrarem de tudo o que viveram, serão uma ameaça para a S.H.I.E.L.D. E eu, aprendi da forma mais difícil, doutora Simmons: O passado deve ficar no passado. Porquê, se você mexer com ele, ele mexe com você! Continua...
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐩𝐞𝐫𝐚çã𝐨: 𝐅𝐚𝐥𝐜ã𝐨 𝐍𝐞𝐠𝐫𝐨.꧂ O Cairo nunca dormia, apenas trocava de rosto quando o sol se escondia. Sharon Carter observava o movimento da cidade do alto da varanda do hotel, um prédio antigo às margens do Nilo, onde o luxo era apenas uma fachada para acordos discretos e informações que custavam mais do que ouro. O vento quente trazia o cheiro da areia e da fumaça dos bazares, misturado ao sussurro distante de motores e vozes em línguas que ela dominava o suficiente para fingir que não entendia. Vestia-se como uma executiva europeia em viagem de negócios: blazer bege claro, cabelos presos, pulseira que escondia o comunicador. Nada chamava atenção, mas tudo nela era estudado. A missão exigia isso. Três dias após o incidente no Cassino de Hamptons, as informações de Hill haviam se confirmado: o comprador fugitivo da HYDRA negociaria em solo egípcio algo que os relatórios classificavam como “ativo biológico experimental”. Tradução simples: uma arma. Sharon não acreditava mais em rótulos como “arma” ou “projeto”. Ela aprendera que todo experimento tinha um rosto. E que toda vez que uma dessas criações chegava ao mercado negro, alguém, inocente ou não, acabava pagando com a vida. Desceu do quarto às 22h17. No saguão, o som dos passos sobre o mármore ecoava entre colunas douradas. Ela cumprimentou o concierge com um leve sorriso e saiu pela porta lateral, atravessando a rua estreita até o café onde seu contato local esperava. O homem, magro e elegante, tirou os óculos escuros quando ela se aproximou. — Você está atrasada, agente Carter. — O trânsito no Cairo é mais complicado que a HYDRA, Aziz. — Respondeu em árabe, sentando-se diante dele. — O que descobriu? Ele deslizou um pen drive sob o guardanapo. — O leilão acontece no subsolo de um museu fechado para restauração. Trinta convidados. Nenhum deles vem com nome verdadeiro. Sharon assentiu. — E o item? — Um cilindro. Transparente. Contém algo... vivo. Uma moça ruiva, passou reto por eles e voltou com um pano, para limpar a mesa deles. Ela desviou o olhar por um instante, sentindo a respiração pesar. — Quem organizou? — Perguntou disfarçadamente, Bobbi Morse. — Um cientista que trabalhou para o Projeto Centurion. Antes de sumir, ele levou metade das amostras. A outra metade... foi vendida. — Aziz olhou rapidamente para a ruiva. Sharon fechou o punho por baixo da mesa. Centurion. O nome soava como um eco do passado, dos arquivos que Fury havia jurado manter lacrados. Se aquilo era verdade, então estavam lidando com algo além de biotecnologia, algo que unia DNA humano e resquícios do antigo programa do soro. Bobbi a olhou de esguelha, pegando o porta-guardanapos. Sharon levantou-se. — Preciso de acesso à entrada de serviço do museu. E uma distração às 23h00. — Vai entrar sozinha? — Perguntou, preocupado à Sharon. Morse apenas deu meio sorriso. — Você realmente acha que eu deixaria isso acontecer? (...) O subsolo do museu era um labirinto de sombras e pilares. Luzes amareladas projetavam silhuetas nas paredes enquanto vozes em inglês, russo e árabe se misturavam num tom abafado. Sharon observava tudo de um ponto alto, através das lentes de contato holográficas. Cada rosto, cada movimento, cada arma disfarçada em casacos caros. No centro da sala, uma cápsula cilíndrica repousava dentro de uma caixa de segurança. O líquido translúcido pulsava com uma leve luminescência azul. Ela reconheceu aquele brilho. Stark. — Carter, status? — A voz de Hill cortou o silêncio em seu ouvido. — Visual no ativo. Três seguranças armados, um cientista, dois compradores confirmados. — O objetivo é interceptar o transporte antes da saída. Evite confronto direto. Sharon riu baixo. Evite confronto direto. Ela adoraria que fosse simples assim. — Ce ta brincando, né Hill? — Bobbi falou disfarçadamente de volta, no comunicador enquanto preparava um coquetel no bar. — E vem cá, o que eu fiz para o Fury para ser a garçonete hoje? — Não seja dramática! — Bucky olhou em volta e pegou a bebida que ela preparou. — Você pegou longas férias. Bobbi lançou um olhar mortal para ele. — Se eu ficar aqui mais cinco minutos, não serei responsável pelos meus atos! — E sorriu forçado. — Crianças, por favor... — Sharon falou disfarçadamente no comunicador com um leve tom irônico. — Se vamos brincar todos, temos que aprender a dividir os brinquedos! — Eu sempre dividia os meus com a Sara! — Sam Wilson falou baixo, ao fundo, no comunicador dele. — Se está ruim para você, Morse, imagine para mim que sempre sou o cafetão!? — Típico! A gente aqui se matando pra recuperar algo que foi criado enquanto o mundo, vira um caos! — Bobbi retrucou. Bucky fez uma careta. — Tá reclamando do que? Não é você quem tá sendo processado pelo melhor amigo? Sam respirou fundo. — Quando a gente chegou nesse patamar? — Vocês poderiam parar de agir feio três velhas ranzinzas e focar na missão? — Sharon retrucou. — Desculpe! — Os três disseram juntos. Sharon desceu pelas escadas laterais, misturando-se aos funcionários que serviam bebidas. Um dos guardas passou por ela, e ela o cumprimentou com um aceno neutro. O disfarce era perfeito, até o momento em que uma voz familiar, baixa e rouca, soou atrás dela: — Sabia que não ficaria fora disso por muito tempo. Sharon parou, o corpo inteiro em alerta. Virou-se lentamente. O homem à sua frente estava impecavelmente vestido: terno cinza-claro, gravata escura, luvas pretas. O rosto era calmo, estudado, e o olhar, forte. Um leve sotaque francês escapou quando ele falou novamente: — Toujours aussi prévisible, mademoiselle Carter. Ela precisou de apenas um segundo para reconhecê-lo. — Lucien Moreau. O sorriso dele foi quase cordial. — Enfim, alguém ainda lembra meu nome. Lucien Moreau, ex-diretor da divisão de inteligência biotecnológica da INTERPOL. Um homem que havia traído a própria agência vendendo segredos para quem pagasse mais, inclusive para a HYDRA. E que, até aquele momento, Sharon acreditava estar morto. — Devo admitir… — Continuou, aproximando-se com passos lentos. — A última vez que te vi, achei que estava sendo mais cautelosa. — A última vez que você me viu, tentou me matar vez Madripoor... — Sharon respondeu, firme. — Eu chamo isso de arrogância, não de cautela. — E ainda assim você sobreviveu. — o francês disse, abrindo os braços em falsa admiração. — O que só confirma que somos mais parecidos do que você gostaria de admitir. Ela deu um meio sorriso sem humor. — Eu não vendo o mundo por um cheque. — Não. — Ele assentiu. — Você vende por uma causa. O que é pior. — Eu achei que você tivesse parado de brincar com armas que não entende. Ele se aproximou, num gesto cortês. — Não se trata de armas. É evolução. O que temos aqui vai mudar a natureza humana. — Já ouvi esse discurso antes. Costuma acabar em corpos. Lucien inclinou a cabeça. — Sempre tão cética. Mas o que você faria, Sharon, se eu dissesse que esse “ativo biológico” pode curar o que o mundo destruiu em você? Ela congelou por um instante, o suficiente para ele perceber. Curar. A palavra carregava uma pontada de ironia. Ele sabia. Sabia sobre os tiros, sobre o soro, sobre a infertilidade que ela pensava ter deixado no passado. Mas Sharon se recompôs em segundos, a expressão voltando ao controle absoluto. — Eu não preciso de cura. Só de justiça. Antes que ele pudesse responder, o cronômetro no relógio dela marcou 23h00. No andar superior, uma explosão controlada de gás provocou pânico e gritos. Sharon aproveitou o caos: deslizou a mão até a cápsula, ativou o sistema de travamento portátil e recolheu o cilindro dentro da maleta que trazia sob o carrinho. Quando o alarme soou, ela já estava desaparecendo entre os corredores. — Peguei o cilindro! — Avisou no comunicador. — Onde vocês estão? A resposta veio com ruído de interferência, entre vozes e sons metálicos. — Térreo, saída leste! — Respondeu Sam, ofegante. — Mas temos companhia. Sharon virou o rosto na direção de uma escada de serviço. O prédio inteiro já estava mergulhado em caos, as sirenes ecoando em meio ao pânico e ao som abafado de tiros. — Companhia, tipo quantos? — Perguntou, subindo o tom enquanto atravessava o corredor. Foi Bobbi quem respondeu, com a voz firme e seca: — Demais pra contar. Anda logo, Carter. Sharon soltou um suspiro breve, o tipo de riso nervoso que antecede a adrenalina. Dobrou a esquina, chutou a porta de metal e desceu os degraus estreitos, ignorando o calor e o cheiro de fumaça que já começava a tomar o ar. No último lance, ouviu o som característico do braço metálico de Bucky atravessando uma parede. Quando alcançou o andar térreo, viu o exato momento em que ele neutralizava dois agentes da HYDRA com movimentos precisos: um golpe no estômago, outro no maxilar, e o terceiro já estava no chão antes mesmo de reagir. — Sempre eficiente, sargento! — Sharon comentou, ajeitando a maleta presa à mão. Ele lançou um olhar rápido para ela, uma sobrancelha arqueada. — E sempre no momento certo. — Ironizou. — De nada! Sam surgiu logo atrás, as asas recolhendo com um estalo metálico. — O helicóptero tá pronto, mas o perímetro tá cheio. Precisamos sair pelo canal de drenagem. — Ótimo! — Sharon soltou, sarcásticas, mas já se movendo. Morse apareceu por último, o cabelo preso em um coque, o rosto coberto de fuligem. — O cilindro tá seguro? — Perguntou, sem parar de correr. — Sim. — Sharon apertou o passo. — E se não sairmos em dois minutos, ele não vai valer de nada. O grupo atravessou o corredor até a passagem subterrânea, o som das botas ecoando nas paredes úmidas. Lá fora, o caos do Cairo se misturava ao brilho distante das luzes e ao som das sirenes. Quando finalmente alcançaram o ponto de extração, Sharon olhou para trás: o prédio começava a ruir, engolido pelo fogo. — Missão concluída. — Disse, subindo no helicóptero. — Mas algo me diz que isso foi só a abertura. Bucky lançou-lhe um olhar que misturava ironia e respeito. — Com você, nunca é só a abertura. O helicóptero ergueu voo, deixando para trás a cidade dourada sob o caos, enquanto Sharon, de olhos fixos no cilindro, sabia que o conteúdo ali dentro poderia mudar o equilíbrio de poder, de novo. “O mundo nunca muda. Só troca os monstros.” — Pensou ela, recostando-se na poltrona do helicóptero. Aquilo, estava longe de acabar.
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑, 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭O sequestro. ▪︎ Flashback. 》Ano de 1944. Uma bruma fria cobria o cenário, quase como uma lembrança dos dias de guerra. Sharon se preparava para sua missão: impedir que Bucky entrasse no vagão de trem que o lançaria para os braços da HYDRA. Era uma chance que ela não poderia perder, um momento para salvar alguém que carregava uma culpa imensa por “suas” atrocidades. Mas assim que se aproximou do local do encontro, sentiu uma presença conhecida bloqueando seu caminho. Steve Rogers estava ali, com uma expressão grave, o olhar firme sobre ela. Sharon parou de súbito, surpresa, mas ao mesmo tempo furiosa. ━ Steve? O que está fazendo aqui? ━ Sua voz era baixa, mas carregada de indignação. Ela sabia que ele a conhecia bem demais para não perceber seu propósito. Steve deu um passo à frente, seu olhar sem desviar do dela. ━ Sharon, você sabe o que isso pode significar. Você já alterou o tempo uma vez o conhecendo... e agora quer arriscar de novo? ━ A voz dele era calma, mas havia um peso nela, como alguém que já havia visto as consequências de se mexer com o passado. Ela estreitou os olhos, ressentida. ━ Eu não me arrependo, e ninguém sofreu por isso. ━ As palavras escaparam dela como uma acusação. ━ Por que o Bucky teria que passar por tudo isso se posso evitar? ━ A dor e a determinação em fazê-lo estavam claras em sua voz. Steve suspirou, parecendo lutar com as palavras antes de respondê-la. ━ Eu entendo, Sharon. Mais do que você imagina. Entretanto o que aconteceu com o Bucky... com todos nós... moldou quem somos hoje. E mexer com o passado… você não sabe o que pode trazer dessa vez. ━ Ele tentou se aproximar, mas ela se afastou, erguendo o queixo. ━ Ele nunca mereceu isso, Steve! Nenhum de nós mereceu! ━ A voz dela falhou, e seus olhos brilharam com lágrimas que ela se recusava a deixar cair. ━ Eu só... eu só quero dar a ele uma vida onde não precise carregar essa maldita culpa pelo que a HYDRA o fez passar. Algo onde, ele não tenha que lutar todos os dias contra um monstro que colocaram dentro dele contra a sua vontade. Steve olhou para ela com compaixão, entendendo mais do que ela imaginava. Ele sabia o peso de perder alguém para a guerra, sabia o peso das escolhas que não poderiam ser desfeitas e queria que Bucky tivesse sido livre também. ━ Eu sei, Sharon. ━ Ele fez uma pausa, escolhendo bem as palavras. ━ Mas talvez o que Bucky precise agora seja de você lá, no presente. Alguém que o compreenda... alguém que veja quem ele é, mesmo com tudo o que carrega. Mudar o passado pode não dar a ele a paz que você acha. Vocês podem estar fadados a nunca se reencontrar. Pode mudar tudo desde, Tony não se tornar o Homem de Ferro à nunca haver um Doutor Estranho... se você mudar o passado agora, mudará todos nós! Ela o encarou, uma tempestade de emoções em seu rosto. Por um momento, ela se questionou se ele estava certo, mas a culpa e o amor que sentia por Bucky eram um peso insuportável. Embora, talvez, tudo fizesse total sentido. ━ Eu não posso ficar parada, Steve. Não depois de tudo o que vi, de tudo o que sei que ele passou. Posso tentar ajudar o Tony e o Stephen. Eu... Steve respirou fundo, então se aproximou e colocou uma mão gentil em seu ombro, olhando-a com a profundidade de quem compreende o peso de decisões impossíveis. ━ Sharon, você não vai ter controle. Se quer fazer algo, esteja com o Bucky. Cuide dele no futuro. Não tente consertar o passado. Porque, Sharon, às vezes, o que a gente carrega nos ensina a sermos mais fortes. Eu aprendi isso… e sei que ele também aprendeu. Não tire dele o direito de encontrar essa paz por si mesmo. Não tire dele o direito de ser um herói! Ela ficou em silêncio, absorvendo as palavras dele, e por um instante, a dor em seu rosto suavizou. Steve sabia que essa luta interna dela ainda não estava terminada, mas esperava que, com o tempo, ela pudesse ver que talvez o melhor caminho fosse ao lado de Bucky no presente/futuro e não, tentando consertar o passado. Enquanto Steve falava, o som de metal contra metal ecoou ao longe. Ambos olharam na direção do trem que se movia, e, por um instante, o coração de Sharon parou. Ela sabia que era aquele o momento. O momento em que Bucky cairia para o abismo e, em seguida, para as garras da HYDRA. Então, uma explosão sacudiu o vagão ao longe, um clarão no meio do nada. ━ NÃO! ━ Sharon gritou, seus olhos fixos no trem. Em um impulso, tentou correr na direção dele, mas sentiu a mão de Steve segurando-a com firmeza. Ela lutou, tentando se libertar, o desespero, irradiando em cada movimento. ━ STEVE, ME DEIXA ENTRAR NAQUELE TREM! ━ Sua voz saiu desesperada, quase sufocada, e ela se puxava dos braços dele com todas as suas forças. Steve a segurou mais firme, os olhos intensos e cheios de tristeza. ━ Sharon, não posso fazer isso... ━ Ele falava baixo, mas seu tom era forte. ━ Eu não posso deixar você mudar tudo... mesmo que seja para salvá-lo. Sharon se debatia, sentindo as lágrimas queimarem seus olhos enquanto o trem desaparecia na curva. Ela sabia que, em algum lugar dali, Bucky estava prestes a cair, e que, se nada mudasse, ele se tornaria o Soldado Invernal. Ele viveria uma vida de dor e controle, e essa realidade a rasgava por dentro. ━ VOCÊ NÃO ENTENDE... ━ Ela gritou, a voz embargada. ━ Eu estou grávida! — A voz saiu, quase nula. Steve ficou completamente imóvel. Por alguns segundos, pareceu que até o som da guerra havia desaparecido. Seus olhos se arregalaram, e a mão que segurava Sharon perdeu a força. — Você... o quê? Sharon respirou com dificuldade, as lágrimas finalmente escorrendo pelo rosto. — Eu estou grávida, Steve. Ele a soltou devagar, como se precisasse de espaço para compreender aquelas palavras. — Do Bucky? Ela assentiu. Steve levou uma mão ao rosto, passando os dedos pelos cabelos enquanto olhava para o trem que já desaparecia ao longe. — Meu Deus... Sharon abraçou o próprio corpo, tremendo. — Eu descobri pouco antes de vir para cá. Eu não tive coragem de contar a ninguém. Mas ele precisa saber, Steve. Ele precisa saber que existe uma criança... que existe uma família esperando por ele. Steve voltou o olhar para ela. A expressão dele havia mudado completamente. Já não havia apenas preocupação com a linha do tempo. Havia choque, tristeza e uma compreensão dolorosa do que aquilo significava. ▪︎Cairo, no presente. Sharon ouviu as batidas na porta do quarto de hotel e estranhou. Sam, Bobbi e Bucky provavelmente ainda dormiam por conta da noitada que tiveram se divertindo. E ela, acordada, algo a despertou e não pôde dormir mais desde então. Então, ligou para uma de suas amigas mais próximas: Jemma Simmons. Ao ouvir novamente as batidas como uma insistência, disse calma na ligação de vídeo não rastreável: ━ Vou ver quem está batendo. ━ A essa hora da madrugada? ━ Jemma estranhou. ━ Deve ser um dos garotos ou a Bobbi... ━ Sharon disse suave e se levantou, indo até a porta. Quando olhou pelo olho mágico, viu a camareira do hotel. ━ Serviço de quarto. Ela estranhou mais, porém, prontamente atendeu. E esse, foi seu maior erro. ━ Bom… ━ Começou, mas a frase morreu em sua garganta quando dois homens encapuzados surgiram do corredor lateral do serviço de quarto, bloqueando a saída. Reagiu imediatamente, chutando a primeira aproximação, mas eles eram rápidos, treinados. Um deles segurou seu braço com força, enquanto o outro lhe passava um pano embebido em gás. ━ Sharon! ━ A voz de Jemma ecoou no vídeo, mas de repente começou a falhar, distorcida pelo interferidor que os sequestradores haviam instalado. Ela engoliu o pânico e tentou se soltar, dando socos e cotoveladas, mas o gás começava a fazer efeito. Sua visão ficou turva, os sentidos diminuindo, até que... desmaiou. ━ Sharon! ━ Simmons repetiu, mas a ligação caiu de repente. O som de um “click” distante foi o último que ele ouviu. (...) O silêncio voltou ao quarto. Por alguns segundos, Jemma permaneceu olhando para a tela escura do celular, sem conseguir processar o que acabara de acontecer. ━ Sharon? Nada. Ela tentou retornar a chamada. Sem resposta. Tentou novamente. A ligação sequer completou. O coração de Jemma acelerou. Aquilo não era uma simples queda de sinal. Ela conhecia Sharon bem demais para ignorar o que tinha acabado de ver. O interferidor, os homens encapuzados, o gás... Aquilo tinha sido planejado. ━ Meu Deus... Jemma levantou-se rapidamente da cadeira, pegando o comunicador seguro que estava sobre a mesa. ━ Hill, atenda. Por favor, atenda... (...) No corredor do hotel, os dois homens carregavam Sharon inconsciente por uma passagem de serviço. A camareira permanecia parada diante da porta aberta, como se nada tivesse acontecido. Um dos homens olhou para o relógio. ━ Dois minutos. ━ Ela vai acordar? ━ Não antes de chegarmos ao ponto de extração. Sharon mal conseguia respirar. O efeito do gás ainda dominava seus sentidos enquanto era colocada dentro de um carrinho de manutenção coberto por lençóis. Antes que fechassem a porta do elevador de serviço, uma voz surgiu no comunicador de um deles. ━ O alvo está seguro? ━ Confirmado. ━ E o cilindro? O homem fez uma pausa. ━ Não estava com ela. Silêncio. ━ Então vocês pegaram a pessoa errada. ━ Não. — Ele respondeu rapidamente. ━ O objetivo sempre foi Carter. A transmissão foi encerrada. (...) Alguns andares acima, uma porta se abriu violentamente. Bucky surgiu no corredor ainda vestindo a mesma roupa que usara algumas horas antes. Sam vinha logo atrás, colocando o comunicador no ouvido enquanto Bobbi terminava de prender o cabelo. ━ Jemma, repete. ━ Sam pediu. A voz dela veio trêmula pelo canal. ━ Eu estava falando com a Sharon por vídeo. Ela estava no quarto. Alguém bateu na porta. Ela abriu e... Jemma respirou fundo. ━ Eles pegaram ela. Bucky parou. ━ Quem? ━ Eu não sei. Dois homens. Estavam disfarçados. Um deles usou algum tipo de gás. Depois colocaram um interferidor no sinal. O rosto de Bucky mudou imediatamente. ━ Quanto tempo? ━ Poucos minutos. ━ Então ainda estão no hotel. ━ Bobbi concluiu. Sam já estava olhando para o elevador. ━ Ou acabaram de sair. Bucky não respondeu. Ele simplesmente começou a caminhar. ━ Barnes! ━ Bobbi chamou. Ele parou. ━ Não vamos entrar correndo sem saber quantos são. Bucky virou-se para ela. ━ Eles levaram a Sharon. A voz saiu baixa e controlada. Mas havia algo diferente nela. Algo que nem ele conseguia explicar. ━ Eu sei. — Bobbi respondeu. ━ E nós vamos trazê-la de volta. Jemma interrompeu pelo comunicador: ━ Esperem. Eu consegui recuperar uma parte do sinal antes de cair. Todos olharam para o comunicador. ━ Tenho uma localização aproximada. Sam respirou fundo. ━ Manda. Alguns segundos depois, o celular de Bobbi vibrou. Ela olhou para a coordenada. ━ Zona industrial. Quatro quilômetros daqui. Bucky já estava andando novamente. Bobbi suspirou pegando sua arma. ━ Esse cara realmente não sabe esperar o resto da equipe. Sam pegou então ao escudo. ━ Ele nunca soube. Os dois seguiram atrás dele. Nenhum deles percebeu que, naquele momento, Bucky não estava pensando como um soldado. Estava pensando como alguém que acabara de perder uma pessoa que, racionalmente, não deveria significar tanto para ele. E essa era a parte que mais o incomodava. ▪︎Flashback. 》Ano de 1982. Havia uma noite escura e chuvosa em Washington, D.C. Os faróis dos carros cortavam a escuridão, criando rios de luz nas ruas molhadas. Sharon Carter, uma garotinha de apenas sete anos, estava no banco de trás do carro de seus pais, voltando para casa após um jantar em família. De repente, um estrondo ensurdecedor ecoou pela noite. O carro dos Carter havia colidido com outro veículo, e o impacto foi devastador. Vidros quebrados, metal retorcido e o cheiro de gasolina preenchiam o ar. Sharon estava atordoada, seu pequeno corpo sacudido pelo impacto. Foi então que ela o viu. O Soldado Invernal, uma figura misteriosa e temida, estava ali, parado na chuva, observando o caos. Ele era conhecido por sua brutalidade e a frieza ao eliminar alvos. E agora, ele estava lá, olhando para Sharon, através da janela quebrada. O pai de Sharon, desesperado, tentou abrir a porta do carro, mas estava preso. Ele olhou para o Soldado Invernal e suplicou: ━ Por favor, faça o que quiser comigo, mas salve minha filhinha. Ela não tem culpa dos meus erros. A esposa de Harold, Amanda, estava desacordada devido a concussão sofrida. O Soldado Invernal hesitou. Ele estava lá para finalizar o serviço imposto. Mas seus olhos azuis, normalmente vazios, pareciam mostrar uma centelha de humanidade agora quando viu mais uma vez, a pequena garotinha. Então, fez algo totalmente inesperado. Se aproximando do carro, arrancou a porta com uma força sobre-humana. Sharon estava assustada, mas este a pegou nos braços e a levou para longe do carro em chamas. Inicialmente, Sharon estrebuchou. Ela não queria estar com aquele homem estranho. ━ Me solta! PAPAI! PAPAI! ━ Vai com ele, ursinha. Vai com ele. Tudo ficará bem... Enquanto a chuva caía, Sharon olhou para trás ainda aos prantos e viu seus pais presos no carro. Seu pai, com lágrimas nos olhos, acenou para ela e sorriu. O Soldado Invernal estava lá, segurando-a com firmeza, mas não a matou. Pelo contrário, ele a protegeu. E quando ele pensou em retirar os pais dela de lá, o carro ardeu em chamas, fazendo a pequena Carter gritar de desespero, nos braços do Soldado até desmaiar. Sharon foi a única sobrevivente, ou, era o que queriam que a HYDRA acreditasse ser. Bucky tirara mais alguém daquele carro, seu pai. Ele e nem Sharon, nunca soube por que o Soldado Invernal a salvou naquela noite. Talvez ele tenha visto algo em seus olhos inocentes, algo que o fez hesitar. Ou talvez ele tenha se lembrado de sua própria infância perdida. Ou da vida normal que teve um dia. Ou ainda, de algo que veio a saber no passado ela, saberia em seu futuro: A viagem no tempo. Uma coisa era certa: Sharon Carter nunca esqueceria aquela noite. Ela cresceu com uma determinação feroz de fazer a diferença, de proteger os inocentes e de ser melhor. E, de alguma forma, ela sempre quis acreditar que o Soldado Invernal estava lá, observando-a das sombras, como um guardião silencioso. Palavras que uma criança de sete anos diria e ninguém acreditaria, claramente, mas ela, sabia que ele era real. Sharon sabia a verdade. Era a única que realmente conhecia o homem por trás da máscara, o homem que salvou sua vida naquela noite chuvosa. Nunca o esqueceu. Quando o viu diante dela, na sede da CIA, automaticamente, aquela memória voltou porque, após o incidente com o Soldado Invernal, ficou gravada em sua mente e vinha, como um turbilhão. Ela se tornou uma agente da S.H.I.E.L.D., dedicando sua vida a proteger os inocentes e lutar contra ameaças globais como sua tia, Peggy Carter. Mas sempre havia uma pergunta que a assombrava: por que o Soldado Invernal a salvou se sua missão, era matar sua família, exatamente como ela descobriria mais tarde, ter feito com Howard e Maria Stark? Ele estava lá, vendo seus antigos aliados, agora divididos em facções lideradas por Steve Rogers e Tony Stark. Sharon, escondida nas sombras, viu Bucky, o homem que a salvou, enfrentando a ira de todos. E ele parecia perdido, até mesmo, triste. Ela, sentiu uma mistura de emoções: gratidão, medo e curiosidade. Queria saber mais sobre aquele homem atormentado, dividido entre seu passado como o Soldado Invernal e sua busca por redenção. Foi então que ela entrou na sala em que ele estava contido. ━ Eu sou a agente Sharon Carter, e gostaria de lhe fazer algumas perguntas, senhor Barnes! Surpreso ao vê-la ali, os olhos dele estavam fixos nos dela. ━ Você? ━ Então, realmente se lembra de mim? ━ Ela perguntou em surpresa. Ele apenas assentiu, e ela continuou: ━ Você me salvou quando eu era apenas uma criança, mesmo claramente, buscando a morte dos meus pais. Por quê? Bucky olhou para o chão, como se buscasse as palavras certas. ━ Eu... eu não sei. ━ Ele Disse finalmente. ━ Naquela noite, quando eu olhei para você, algo mudou em mim. Era como se, tivesse te visto antes em algum lugar, não sei bem. Sharon assentiu ao olhar diretamente nos olhos dele. ━ Eu não poderia deixar uma criança morrer. Eu não poderia ser apenas o Soldado Invernal. Não com você! E, realmente lamento muito, pelos seus pais! Não pude salvá-los. Eu quis, mas... ━ Ele abaixou o rosto e se calou. Sharon entendia. Diferente de muitos, conseguia sentir empatia por aquele homem atormentado por seu passado. Aceitou a mentira. Aquilo poupara a vida de seu pai. ━ Você ainda está lutando contra seus demônios, não é? Bucky olhou para ela com tristeza nos olhos e isso, a quebrou por dentro. ━ Sim. Mas eu estou tentando fazer a coisa certa agora. Com aquilo, ela viu que definitivamente, estava no lugar errado naquela luta. ━ Seja qual for o seu passado, eu agradeço por ter me salvado. ━ Disse sincera. ━ Você é mais do que o Soldado Invernal. Nunca se esqueça disso, sargento Barnes. E com um pequeno sorriso, ela foi saindo da sala. James, surpreso pelo que ela disse, olhou como se lembrasse de alguma coisa agora. ━ Dot? Sharon olhou para trás, sem entender e antes que pudesse perguntar, foi obrigada se afastar, deixando-o para trás naquela luta interna. De algum modo, sabia que a história deles estava junta de alguma maneira, e ela estava determinada a descobrir a verdade por trás do homem que a salvou naquela noite chuvosa. Assim que atingiu o corredor, avistou Tony e Steve. Tony Stark e Steve Rogers ouviram o diálogo entre Bucky e Sharon com sentimentos conflitantes. Para ambos, Sharon era mais do que uma conhecida. Ela tinha laços pessoais profundos com ambos os heróis. O Homem de Ferro, tinha uma relação especial com Sharon. Ela era quase como uma membro de sua família. Ele a conhecia desde que era uma criança, e Peggy Carter, a tia de Sharon, era uma figura importante em sua vida. Ouvir que o Soldado Invernal a havia salvo, mesmo quando ele próprio estava no auge de sua brutalidade, mexeu com ele. Se perguntou se ainda havia esperança para Bucky Barnes. E, o Capitão América, também tinha uma conexão com Sharon. Ele conheceu Peggy Carter durante a Segunda Guerra Mundial e a ria, compartilhou histórias sobre ela com Steve. Peggy era uma mulher forte e corajosa, e Sharon carregava seu legado, definitivamente. Ouvir que o Soldado Invernal havia salvado a vida de Sharon, não trouxe à tona apenas as memórias de Peggy, mas também, e a certeza de que talvez, Bucky pudesse encontrar redenção. Sharon, a sobrevivente daquela noite chuvosa quando pequena, estava no centro dessa história inteira. A sua ligação com o Soldado Invernal era mais profunda do que qualquer um deles poderia imaginar e um dia, saberiam disso. Continua na próxima temporada.
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Tudo volta a tona. ▪︎Flashback. 》Ano de 1944, Brooklyn. O parque de diversões estava mais movimentado do que o habitual naquela noite. Luzes coloridas piscavam por todos os lados, músicas antigas escapavam dos alto-falantes e o cheiro de maçã caramelizada, pipoca e algodão-doce se misturava ao ar frio do Brooklyn. Sharon caminhava ao lado de Bucky, ainda usando o nome de Dolores Armstrong e tentando, a todo custo, não demonstrar o quanto aquela noite estava sendo divertida. Ela havia sido enviada àquela época por uma missão: Impedir a HIDRA do futuro de matar Steve e extrair o soro super soldado de seu corpo. Não deveria estar ali. Muito menos deveria estar gostando da companhia de James Barnes. Mas, desde que o conhecera, Bucky parecia determinado a tornar aquela missão muito mais complicada do que deveria, e nem se quer sabia disso. ━ Você está quieta demais. ━ Ele comentou. Sharon olhou para ele de lado. ━ Estou observando. ━ O quê? ━ Tudo. ━ Inclusive eu? Ela arqueou uma sobrancelha. ━ Principalmente você. Bucky abriu um sorriso convencido. ━ Eu sabia. ━ Não se empolgue, sargento. ━ Tarde demais, boneca! Sharon balançou a cabeça, segurando o riso. Bucky apontou para uma barraca mais adiante. ━ Vamos. ━ Para onde? ━ Confia em mim. ━ Essa frase nunca termina bem. ━ Você é sempre tão desconfiada? ━ Sou uma agente, sargento Barnes. ━ Então faça uma pausa no trabalho. Antes que Sharon pudesse responder, ele já havia atravessado o caminho em direção à barraca. Ela suspirou e o acompanhou. Era um daqueles jogos de argolas em que os participantes precisavam acertar garrafas para ganhar prêmios. Bucky observou a bancada durante alguns segundos. ━ Fácil. Sharon cruzou os braços. ━ É mesmo? ━ Absolutamente. ━ Disse ele com arrogância. ━ Então prove. O sorriso dele aumentou. ━ Está duvidando de mim? — Ah, eu estou sim! ━ Ela o provocou. ━ Isso é praticamente um desafio. ━ Talvez seja. O homem colocou algumas moedas sobre o balcão. O dono da barraca entregou as argolas. Bucky pegou a primeira. Respirou fundo. Arremessou e... Errou. Sharon levou a mão à boca para esconder o sorriso. ━ Não acredito. ━ Foi a primeira. ━ Claro que foi! Ele tentou novamente e, errou outra vez. Sharon começou a rir e Bucky fez uma careta engraçada. ━ O que? ━ Perguntou ela. ━ Você estava dizendo que era fácil! ━ Eu estou apenas aquecendo. ━ Aham. Terceira tentativa. E sim, ele errou novamente. O dono da barraca tentou esconder um sorriso. Bucky olhou para ele, ofendido. ━ Está rindo de mim? ━ Jamais, senhor. Sharon já não conseguia esconder a risada. ━ James... ━ Foi a primeira vez que usou o primeiro nome dele. Ele se virou para ela. ━ Não fala nada. ━ Eu não falei. ━ Seu rosto falou. Sharon tentou recuperar a compostura. ━ Talvez você devesse aceitar que perdeu. Bucky estreitou os olhos. ━ Nunca. Na quarta tentativa, a argola finalmente acertou a garrafa. O dono da barraca bateu palmas. ━ Temos um vencedor! Bucky abriu um sorriso triunfante. Sharon apenas balançou a cabeça. ━ Finalmente. ━ Viu? ━ Quase achei que precisaria pedir ajuda ao capitão Rogers. ━ Ei! Ela riu novamente. O homem apontou para os prêmios pendurados atrás da barraca. ━ Escolha um. Bucky observou os brinquedos. Havia bonecas, bolas, carrinhos e vários bichos de pelúcia. Então seus olhos pararam em um pequeno urso marrom. Ele apontou o brinquedo. ━ Esse. O dono entregou o ursinho a ele. Bucky se virou para Sharon. Ela imediatamente percebeu. ━ Não. Não. Não! ━ O quê? ━ Nem pense nisso. ━ Eu não disse nada. ━ Seu rosto agora tá dizendo. Bucky estendeu o ursinho para ela. ━ Para você. Sharon ficou alguns segundos olhando para o brinquedo. ━ Para mim? ━ Você ganhou. Ela franziu a testa. ━ Eu não joguei, sargento Barnes! ━ Mas foi você quem me fez continuar tentando. ━ Isso porque eu estava me divertindo vendo você errar. ━ Então considere um agradecimento por ter me humilhado. Ela soltou uma risada baixa e pegou o ursinho. Era pequeno, macio e tinha um laço vermelho no pescoço. Sharon passou os dedos pela cabeça dele. ━ É bonitinho. ━ Eu achei a sua cara. Ela olhou para Bucky. ━ Um ursinho? ━ Pequeno, teimoso e aparentemente inofensivo. ━ Está me chamando de pequena? ━ Uhum. ━ Teimosa? — Talvez. — Inofensiva? Bucky sorriu. ━ Bom isso definitivamente não. Sharon tentou manter a expressão séria, mas acabou sorrindo. ━ Obrigada, James. Foi a segunda vez que ela o chamou pelo primeiro nome. Bucky percebeu. O sorriso dele diminuiu um pouco, transformando-se em algo mais verdadeiro e menos pomposo. ━ De nada, Dolores. ━ Os amigos, me chamam de Dot! ━ Somos amigos agora? ━ Talvez? Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos. Ao redor deles, o parque continuava cheio de pessoas, músicas e luzes. Mas, naquele instante, Sharon teve a estranha sensação de que o mundo havia parado. Ela apertou o ursinho contra o peito. ━ Vou guardar com carinho. ━ Espero que sim. ━ Por quê? Bucky deu de ombros. ━ Porque talvez um dia você olhe para ele e lembre de mim. Sharon sentiu o coração apertar. Ela sabia que sempre lembraria. E, em décadas mais tarde, aquele pequeno ursinho seria uma das poucas coisas capazes de fazê-la lembrar do homem que James Barnes havia sido antes de se tornar o Soldado Invernal. Bucky estendeu o braço. ━ Vamos? Ela olhou para a mão dele e depois para o rosto do rapaz. Sorriu. ━ Vamos. Segurou gentilmente ali, enlaçando-se nele. E os dois continuaram caminhando pelo parque, enquanto as luzes coloridas iluminavam seus rostos. Barnes não sabia que aquela noite seria apenas uma pequena página de uma história que atravessaria décadas. Ela também ainda não. Uma história que sobreviveria à guerra. À HIDRA. À perda. Ao tempo. Até às memórias apagadas. Anos depois, Sharon ainda se lembraria daquele ursinho. E, quando finalmente recuperasse todas as suas lembranças, entenderia por que aquele pequeno presente sempre parecera tão familiar. Porque, antes de ser o Soldado Invernal, James Barnes havia sido apenas um jovem soldado tentando impressionar a garota de quem gostava. E, naquela noite de 1944, ele conseguiu. (...) ▪︎ Cairo, no presente. O hotel estava silencioso naquela hora da noite. Sharon ainda estava desaparecida, e James estava no quarto dela agora. Não deveria estar ali sozinho. Mas, naquele momento, regras eram a última coisa em que conseguia pensar. Ele caminhava lentamente pelo cômodo, observando cada detalhe. Uma mala parcialmente aberta. Alguns documentos. Um passaporte falso. Roupas espalhadas sobre uma cadeira. Nada que indicasse para onde ela havia sido levada. Bucky abriu uma gaveta. Vazia. Outra. Alguns carregadores, um pequeno caderno e uma caneta. Nada. Ele respirou fundo, passando a mão pelo rosto. ━ Vamos, Sharon... Seu olhar percorreu o quarto novamente. Havia alguma coisa ali. Ele tinha certeza. Alguma coisa que ela havia deixado para trás. Alguma coisa que poderia explicar por que Strucker estava tão interessado nela. Se aproximou da mesa de cabeceira. Abriu a primeira gaveta. Nada. A segunda estava emperrada. Ele puxou com um pouco mais de força. A gaveta finalmente abriu. E então ele parou. Havia um pequeno ursinho de pelúcia dentro dela. Marrom. Pequeno. Com um laço vermelho no pescoço. Barnes ficou olhando para o brinquedo por alguns segundos. Não fazia sentido. Era apenas um ursinho. Mas alguma coisa dentro dele mudou. Seu coração acelerou. A mão ficou suspensa sobre o brinquedo. ━ Eu conheço isso... Ele não sabia por quê. Estendeu a mão e pegou o ursinho. No instante em que seus dedos tocaram o tecido, uma sensação estranha atravessou sua mente. Uma música distante. Luzes coloridas. O cheiro de açúcar. Uma barraca. Uma garota rindo. Bucky fechou os olhos. Por uma fração de segundo, viu uma imagem. Uma jovem mulher segurando o mesmo ursinho contra o peito. Cabelos ruivos. Um sorriso. E uma voz. ━ Os amigos me chamam de Dot! James abriu os olhos imediatamente. O quarto voltou a aparecer diante dele. Ele respirou fundo. O ursinho continuava em sua mão. ━ Dot... A palavra saiu de sua boca antes que pudesse impedir. James franziu a testa. Ele conhecia aquele nome. Não, conhecia aquela sensação. Como se tivesse passado anos tentando alcançar alguma coisa que estava logo atrás de uma porta trancada. Apertou os olhos. Outra lembrança surgiu. Uma barraca de parque. Ele mesmo, mais jovem. Uniformizado. Segurando algumas argolas. Uma garota rindo dele. ━ Você estava dizendo que era fácil! A lembrança desapareceu. James cambaleou um passo para trás. ━ Que diabos... Ele olhou novamente para o ursinho. Não era possível. Ele não conhecia Sharon daquela época. Não deveria. Pelo menos era isso que sua mente dizia. Mas alguma coisa dentro dele dizia o contrário. James passou o polegar pelo pequeno laço vermelho. E então veio outra lembrança. A mesma garota. O mesmo sorriso. Ele entregando o ursinho para ela. ━ Para você. A voz era dele. Mais jovem. Mais leve. James ficou imóvel. A respiração começou a ficar pesada. Ele levou a mão à cabeça. Por um instante, vieram fragmentos demais. O parque. A risada dela. A mão dela segurando a sua. E uma sensação que ele não conseguia compreender. Não era apenas familiaridade. Era perda. Como se tivesse esquecido alguém que nunca deveria ter esquecido. James abriu os olhos. ━ Era você... Ele olhou para o ursinho. Agora entendia apenas uma coisa. Ela não havia guardado aquilo por acaso. Havia guardado porque aquele objeto significava alguma coisa. Alguma coisa que ele também deveria lembrar. James colocou o ursinho cuidadosamente sobre a cama. Ficou alguns segundos em silêncio. Então mudou de ideia. Pegou o brinquedo novamente. Guardou-o junto ao peito. Se Sharon estava viva, ele iria encontrá-la. E quando a encontrasse... Ele precisava descobrir por que aquele pequeno ursinho parecia carregar uma parte da sua própria memória. Do outro lado do corredor, Sam apareceu na porta. ━ Bucky? James virou-se. Sam observou o ursinho em suas mãos. ━ O que aconteceu? James demorou alguns segundos para responder. ━ Eu não sei. ━ Ele olhou novamente para o brinquedo. ━ Mas eu acho que já vi isso antes. Sam entrou no quarto. ━ Onde? James permaneceu em silêncio. Porque a resposta começava a surgir em algum lugar profundo da sua mente. Um parque. Brooklyn. 1944. Uma garota. Dot. E uma promessa que ele não conseguia lembrar completamente. ━ Eu não sei onde... ━ Bucky apertou o ursinho. ━ Ainda. Coulson apareceu na soleira da porta. Seu olhar, foi de completo assombro ao ver o ursinho nas mãos de Barnes. Ele sabia o que estava acontecendo ali. Os envolvidos no plano de Nick Fury, sabiam. Saber que, embora tentassem apagar fragmentos para proteção de Bucky e Sharon, ele, ainda era mais forte agora, assustava. Porque, se James Barnes ainda se recordava de alguma coisa que fosse, era só questão de tempo até conseguir sua vida de volta e, se vingar dos responsáveis por tira-la dele. Por alguns segundos, ninguém disse nada. James percebeu. ━ Você conhece isso. Não foi uma pergunta. Coulson desviou o olhar por um instante. ━ Talvez. ━ Coulson. O agente respirou fundo. ━ Não é o momento. Barnes estreitou os olhos. ━ Quando é o momento, então? Antes que Coulson pudesse responder, passos apressados ecoaram pelo corredor. Sam disse primeiro. ━ Temos companhia. James Barnes virou-se. Bobbi surgiu logo atrás dele, acompanhada por duas pessoas que ele conhecia muito bem. Jemma Simmons e Leopold Fitz. E, logo atrás deles, Melinda May. Bucky franziu a testa. ━ Como vocês chegaram tão rápido aqui? May não respondeu imediatamente. Seu olhar foi direto para o ursinho. Depois para Coulson. Ela entendeu. O corredor ficou no mais completo silêncio. Então uma voz conhecida surgiu atrás deles. ━ Talvez porque tiveram ajuda! Todos se viraram. Stephen Strange caminhava pelo corredor. Capa vermelha sobre os ombros, expressão séria e aquele mesmo ar de arrogância que James lembrava perfeitamente. James ficou imóvel. ━ Você. Strange ergueu uma sobrancelha. ━ Eu. Como vai, Soldado Invernal? (...) ▪︎Flashback. 》Hospital Presbiteriano de New York, 2014. O som rítmico dos monitores cardíacos preenchia a sala de cirurgia, misturado ao zumbido suave dos instrumentos sendo passados entre a equipe médica. Sharon Carter, ou melhor, Kate Bennett, sua identidade naquele disfarce, mantinha a postura profissional enquanto auxiliava na cirurgia. Stephen Strange, ainda apenas um renomado cirurgião, trabalhava com precisão meticulosa. O mundo dele girava em torno da medicina, das suas próprias habilidades, sem a menor ideia do que se escondia nas sombras. Sharon, por outro lado, estava sempre alerta. Seu olhar avaliava discretamente os arredores, sua postura relaxada mascarava a tensão constante. A S.H.I.E.L.D. a enviara para protegê-lo. Ele não sabia disso, e ela pretendia manter assim. Foi quando tudo mudou. Um estrondo ecoou pelos corredores. O barulho de metal contra concreto. Gritos abafados. Em segundos, a porta da sala de cirurgia foi arrancada das dobradiças com força brutal. E então, ele surgiu. O Soldado Invernal. O tempo pareceu desacelerar. Os olhos frios e impassíveis de Bucky Barnes varreram o ambiente, pousando diretamente em Strange. Sua presença era uma sentença de morte. Os médicos congelaram, alguns recuaram instintivamente. Strange, pego de surpresa, mal teve tempo de processar o que estava acontecendo antes que o assassino se movesse. Mas Sharon já estava agindo. Com um movimento rápido, ela puxou um bisturi da bandeja e o lançou direto na direção do Soldado Invernal. Ele desviou com um giro preciso, mas foi o suficiente para fazê-lo hesitar por um segundo. ━ Kate? ━ Strange pareceu extremamente surpreso. ━ Doutor Strange, saia daqui! Agora! ━ Sharon ordenou, sua voz firme. Strange hesitou, confuso, mas a urgência nos olhos dela o fez reagir. Ele começou a se afastar, enquanto Sharon puxava a arma escondida sob o jaleco. Em meio a esse palco, dias enfermeiras puxaram a maca do paciente, sem pestanejar com a ajuda de Stephen, até saírem dali. O Soldado se moveu como um raio. Antes que Carter pudesse atirar, ele estava sobre ela. O impacto foi brutal. Sharon se defendeu, bloqueando o primeiro golpe, mas ele era mais forte, mais rápido. Barnes a empurrou contra a mesa de instrumentos, derrubando bandejas e espalhando bisturis pelo chão. Girando, usou a própria força do ataque para se esquivar e desferir um chute no peito dele. O Soldado cambaleou um passo para trás, mas logo avançou novamente, o braço metálico reluzindo sob a luz fria da sala de cirurgia. Sharon desviou por pouco de um golpe que teria quebrado suas costelas. Ela sabia quem ele era. Sabia a lenda do Soldado Invernal. O melhor amigo de Steve Rogers. Mas agora, não era uma história, era real. E ele era implacável. Strange já estava quase na porta após ajudar com a maca, quando o Soldado sacou uma arma, mirando direto no cirurgião. Sharon agiu sem pensar. Ela se jogou contra ele, desviando o braço dele no último segundo. O tiro ecoou, acertando uma das luzes cirúrgicas, que explodiu em faíscas. Os dois rolaram pelo chão, lutando pelo controle da arma. O braço metálico dele pressionava contra seu ombro, mas Sharon aproveitou a posição para deslizar uma faca de sua manga e cravá-la no antebraço biônico. Ele grunhiu, soltando-a por um instante, o suficiente para que Sharon pegasse sua arma caída e apontasse para ele. Os olhos de Bucky encontraram os dela. E, por um breve momento, algo brilhou ali. Reconhecimento. Hesitou. Só por um segundo. Mas foi o bastante. ━ Kate! Vamos! ━ Strange gritou da porta, segurando-a aberta. Sharon não pensou duas vezes. Ela atirou na direção do vidro da janela, estilhaçando-o em cima de Barnes, e com mais dois tiros, uma das luzes do centro cirúrgico, despencou, dando a distração perfeita para correr para fora da sala com Strange. Atrás deles, o Soldado Invernal permaneceu onde estava, observando a silhueta dela desaparecer. Algo na forma como ela lutava… algo nele sabia que aquela mulher não era qualquer uma. Ele tinha certeza. E ele não a esqueceria tão cedo. ━ Kate? Quem era aquele cara? ━ Strange perguntou em tom autoritário. ━ Agora não, Stephen! ━ Respondeu ela, já com o celular na mão, apertando a discagem direta. ━ Hill, Agente 13 solicitando reforços. (...) ▪︎Cairo, no presente. Sam olhou de um para o outro. ━ Vocês se conhecem, qual é o problema? James continuou encarando o médico. Strange disse baixo: ━ Nova York, 2014. Ele tentou me matar! ━ O que? ━ Sam perguntou chocado. ━ Aquela coisa do Soldado Invernal, sabe? ━ Strange fez uma pequena pausa. ━ Se não fosse pela Kate, eu estaria morto agora! James estreitou os olhos. ━ Eu estava sendo controlado pela HYDRA! ━ E mesmo quando não está mais, continua aparecendo nos lugares onde não deveria estar. O que houve com ela? Sam soltou um suspiro. ━ Ótimo. Os dois se conhecem. Bobbi cruzou os braços. ━ Isso explica tanta hostilidade! James ignorou os comentários. — O que você está fazendo aqui? — Rebateu a pergunta, cerrando os punhos. Strange olhou para Coulson. Depois para May. Por fim, para Jemma e Fitz. ━ Vim ajudar a achar a Kate. Sam franziu a testa. ━ Kate? Coulson ficou completamente imóvel. Jemma abaixou os olhos. ━ Kate Bennett. ━ O nome atingiu James de maneira estranha ao ser dito. ━ Era o disfarce da Sharon quando salvou o Strange de mim! Todos ficaram em silêncio por alguns instantes até que Strange continuou: ━ Eu senti alguma coisa. Jemma deu um passo à frente. ━ Como assim? ━ Não foi uma ligação. Não foi uma mensagem. Não foi nenhum sinal de comunicação. ━ Strange levou a mão ao peito. Todos o encararam. ━ Foi aqui. ━ Ele apontou para o próprio peito. ━ Uma sensação. James observava atentamente. ━ Que sensação? Strange demorou a responder. ━ Como se alguma coisa tivesse sido arrancada do lugar. James apertou o ursinho. Strange percebeu o movimento. Seus olhos foram imediatamente para o brinquedo. Por algum motivo, sua expressão mudou. ━ Onde você conseguiu isso? James respondeu: ━ Aqui no quarto dela. Strange se aproximou. ━ Posso? James entregou o ursinho. Strange o segurou por alguns segundos. Nada aconteceu. Ele apenas observou o brinquedo. ━ Interessante. ━ O quê? ━ Bucky perguntou. Strange devolveu o ursinho. ━ Nada. Barnes estreitou os olhos. ━ Você acabou de fazer aquela cara. ━ Que cara? ━ A cara de quem sabe alguma coisa e não quer contar. E isso é insuportável, sabia? Strange ia rebater a pergunta, porém estranhamente se aquietou. ━ Não temos tempo pra isso! A Kate precisa de ajuda! E eu já sei exatamente onde e com quem ela está! Continua...
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Inegável. ▪︎ Presente. 》Cairo, Egito. O local estava completamente isolado. Nenhuma janela ou identificação. Nenhum sinal de que alguém pudesse estar ali. No centro da sala, Sharon permanecia desacordada, presa a uma estrutura metálica enquanto equipamentos ao redor monitoravam seus sinais vitais. Daniel Von Strucker observava tudo através do vidro. Por alguns segundos, permaneceu em silêncio. Então sorriu. ━ Finalmente. O homem que durante anos havia atendido pelo nome de Richard O’Brien não precisava mais daquele disfarce. Não ali. Não diante dela. Ele havia passado anos dentro da S.H.I.E.L.D. construindo uma identidade perfeita. Ganhando confiança. Aprendendo protocolos. Conhecendo agentes, operações e, principalmente, conhecendo Sharon Carter. Mas aquilo nunca havia sido apenas uma missão. Ele sempre fora obcecado por ela. Desde que a viu pela primeira vez. E, principalmente, desde que descobrira que ela havia escolhido James Barnes. Ele entrou na sala. Aproximou-se lentamente. Sharon abriu os olhos com dificuldade. A visão estava turva. ━ Onde...? Daniel parou diante dela. ━ Cairo. Ela tentou se mover, mas percebeu que não conseguia. Seu olhar finalmente encontrou o dele. Por alguns segundos, não o reconheceu. Então seus olhos se estreitaram. ━ Richard... Ele sorriu. ━ Faz tanto tempo que ninguém me chama assim. Sharon respirou fundo. ━ Daniel. O sorriso desapareceu. ━ Muito melhor. Ela o encarou. ━ Você é o filho da Valentina! ━ E o neto do Barão. ━ Daniel aproximou-se mais colocando o indicador na ponta do nariz dela. ━ E você demorou bastante para descobrir. Que decepção, Sharon! Sharon tentou manter a expressão firme. ━ Passou anos infiltrado na S.H.I.E.L.D. ━ Passei anos sendo exatamente aquilo que precisava ser. ━ Ele caminhou ao redor dela. ━ Richard O’Brien. Agente confiável. Bom histórico. Nenhuma ligação aparente com a HYDRA. Sharon fechou os olhos por um instante. ━ Você enganou todo mundo. ━ Quase todo mundo. Ele parou diante dela. ━ Você nunca confiou completamente em mim. Nem mesmo quando dividimos a cama naquela missão... onde foi mesmo? ━ Rússia! Você forjou a sua morte! ━ Ela disse com dificuldade. ━ Ali eu percebi algo errado! Mas quando você voltou, em 2014 após ser salvo da HYDRA... aquilo.. me deu um estalo! Porque sabe, eu sou boa no meu trabalho. Daniel soltou uma pequena risada. ━ Não. E sim, porque você sempre teve os olhos voltados para outra pessoa. ━ Pausou a olhando nos olhos. ━ Só não sabia disso... até então. Sharon ficou em silêncio. Ele percebeu. ━ James Buchanan Barnes! O nome provocou uma reação involuntária nela. Daniel sorriu. ━ Ainda existe alguma coisa aí, não é? ━ Eu realmente não sei do que está falando! ━ Será? ━ Você não sabe nada sobre mim. ━ Eu sei mais do que imagina. Ele fez um sinal para um dos cientistas. Os equipamentos começaram a funcionar. Sharon percebeu imediatamente. ━ O que você está fazendo? — Terminando um projeto que começou há décadas. E que, você fez questão de tentar atrapalhar, por duas vezes! Ela olhou para os aparelhos. Depois para ele. Reconhecia aquele aparato. A S.H.I.E.L.D já havia mostrado dezenas de vezes. Até mesmo, vídeos sobre o assunto. ━ O Soldado Invernal. Daniel inclinou a cabeça. ━ O primeiro protótipo. Sharon sentiu um arrepio. ━ Você... ━ Eu estava lá. ━ A voz dele ficou mais baixa. ━ Em 1944, por uma boa razão... O mundo pareceu parar por um instante. Sharon ficou olhando para ele. ━ Você liderou a HYDRA do futuro para pegar o soro do Steve. ━ Eu tentei! Você me atrapalhou, mas... ━ Daniel aproximou-se do painel. ━ Eu vi o que o soro fez com o Rogers. Vi o potencial. Vi o que poderia ser feito. Então, por que não, ir mais a fundo? Sharon respirou fundo. ━ E você criou o projeto. ━ Eu plantei a ideia. Sabe como o Caveira Vermelha sempre foi desconfiado com relação as pessoas... mas o Zola... bom, o Zola... ━ Ele voltou a olhar para ela e sorriu. ━ O restante veio depois. Sharon apertou os olhos. Uma imagem atravessou sua mente. Um laboratório. Homens usando jalecos. Uma mesa metálica. James gritando. Ela abriu os olhos rapidamente. ━ Não... Daniel percebeu. ━ Está começando. ━ O quê? ━ Suas memórias. Elas estão voltando! Sharon balançou a cabeça. ━ Não. Outra imagem. Brooklyn. 1944. Luzes coloridas. Uma barraca. Uma risada. Um jovem soldado segurando argolas. Sharon levou a mão à cabeça. ━ PARA... Daniel observava fascinado. ━ Lembra dele? De tudo que a S.H.I.E.L.D tirou de você? Ela respirou com dificuldade. ━ Eu disse para parar! Daniel não respondeu. As lembranças continuaram vindo em fragmentos. James sorrindo. A voz dele. O pequeno ursinho marrom com um laço vermelho. A mão dele estendida. Era Daniel. Sharon apertou os olhos. Porque sabia que algo não estava certo. Aquilo, não era a verdade. ━ James... ━ A voz dela saiu, fina e baixa. Daniel ficou imóvel. O sorriso desapareceu completamente. ━ Não. Ela abriu os olhos. Por um instante, havia confusão em seu rosto. Mas também havia reconhecimento. ━ Não era você! Era o Barnes! Daniel aproximou-se. ━ Ele não merece estar nas suas lembranças. Sharon o encarou. ━ Você não decide isso. ━ Eu tentei impedir isso uma vez. ━ Ele apertou a mandíbula. ━ E mesmo sem suas memórias, ainda o escolheu! Sharon respirou fundo. ━ Porque ele sempre foi melhor que você. Daniel ficou em silêncio. A frase atingiu exatamente onde ela pretendia. Ele virou-se para os equipamentos. ━ Você não me deu escolhas, Carter! Sharon olhou imediatamente para a máquina ao sentir um líquido denso e dolorido invadir suas veias. ━ Vamos descobrir se o seu organismo consegue suportar o que ele suportou. Sharon percebeu o que estava prestes a acontecer. ━ Você não vai conseguir o que quer! Daniel olhou novamente para ela. ━ Não. Eu vou criar algo melhor. ━ Ele fez um sinal para a equipe. O procedimento começou. Sharon fechou os olhos e gritou. O líquido percorreu suas veias como fogo agora. Os monitores começaram a disparar alertas. Daniel observava atentamente cada número. ━ Reação imunológica elevada. Um dos cientistas olhou para ele. ━ Devemos interromper? ━ Não. ━ Daniel sequer desviou os olhos de Sharon. ━ Continue. Sharon apertou os olhos com mais força. E então viu: Não ao laboratório. Não a Daniel. E sim, o Brooklyn. 1944. Ela estava lá. (...) Stephen Strange levou as mãos à cabeça e gritou. O grito fez todos dentro do Queenjet se assustarem. Jemma se virou imediatamente. ━ Doutor Strange?! Fitz se levantou do assento. ━ O que aconteceu? Strange não respondeu. Permaneceu curvado, uma das mãos apoiada na lateral da cabeça enquanto tentava recuperar o fôlego. Coulson se aproximou. ━ Strange? Ele ergueu os olhos lentamente. Havia algo diferente em sua expressão. Não era dor física. Era reconhecimento. Como se alguma coisa tivesse atravessado quilômetros de distância e alcançado diretamente sua mente. ━ Ela... James estreitou os olhos. ━ Quem? Strange respirou fundo. ━ A Kate. O silêncio tomou conta do Queenjet. Sam ficou imóvel. Jemma perdeu a cor do rosto. Strange permaneceu em silêncio por alguns segundos. A sensação ainda estava ali. Distante. Mas inconfundível. ━ Ela está com dor. E com medo. Ela... o local é outro. Estamos no caminho errado! May o encarou imediatamente. ━ Como sabe disso? ━ Porque eu vi! ━ Strange rrecuperava o fôlego aos poucos. ━ Ela está na base da HYDRA! Coulson imediatamente se virou para o piloto. ━ Mude a rota. AGORA! Strange o interrompeu. ━ Não. Todos olharam para ele. Coulson franziu a testa. ━ Por quê? Strange encarou o agente. ━ Porque é lá que ela está e Von Strucker, também. E ele, quer o Barnes. Sabe que irá atrás dela! — Disse imediatamente. ━ Vamos precisar nos reagrupar! (...) A lembrança veio de repente. Não havia mais Cairo. Nem o laboratório. Não havia Daniel. Por alguns segundos, Sharon não viu absolutamente nada. Então, aos poucos, ouviu o som de uma janela sendo aberta. O vento frio entrou no quarto. Havia vozes distantes nas ruas. Um rádio tocava em algum lugar do prédio. E então ela abriu os olhos. Brooklyn. 1944. Ela permaneceu imóvel por alguns segundos, tentando compreender onde estava. Olhou para as próprias mãos. Depois para o quarto. Ela conhecia aquele lugar agora. Era o quarto de James Barnes. O mesmo quarto onde estivera algumas vezes durante aqueles meses. Sobre uma pequena mesa, havia algumas coisas espalhadas. Um relógio. Um livro. O boné militar dele. E, ao lado dela, sobre a cama, estava o pequeno ursinho marrom com o laço vermelho. Sharon passou os dedos pelo brinquedo. Então ouviu a porta se abrir. Virou-se. James entrou. Ele ainda usava o uniforme. Mas havia alguma coisa diferente nele. Estava quieto. Quieto demais. Ela o observou por alguns segundos. ━ Você está estranho. James fechou a porta. ━ Eu? ━ Você. Ele soltou uma pequena risada. ━ Eu estou sempre estranho. ━ Não desse jeito. Bucky caminhou até a cama. Sentou-se ao lado dela. Sharon continuou observando-o. ━ Aconteceu alguma coisa? Ele ficou em silêncio. Por alguns segundos, apenas olhou para as próprias mãos Então respirou fundo. ━ Vou partir amanhã. Sharon sentiu o sorriso desaparecer. ━ Para onde? ━ Não sei. Atrás da HYDRA. Ela franziu a testa. ━ Como assim, não sabe? ━ Ordens novas. Vou com Steve e os outros homens. Eu ia te contar porque achei que fosse demorar, mas... ━ Ele deu de ombros, tentando parecer tranquilo. Porém ela conhecia James o suficiente para perceber quando ele estava fingindo. ━ E por quanto tempo? James não respondeu imediatamente. ━ Algumas semanas. Sharon estreitou os olhos. ━ James. Ele finalmente olhou para ela. ━ Eu não sei quanto tempo. O silêncio tomou conta do quarto. Sharon abaixou os olhos. Ela sabia. ━ Você vai voltar. Não era uma pergunta. Era uma afirmativa de algo que ela também sabia que não era verdade. James sorriu de leve. ━ Essa é a ideia. ━ Não gostei desse jeito que você respondeu. ━ Eu estou tentando ser honesto. ━ Então seja. James respirou fundo. ━ Pode ser que eu não volte. Sharon imediatamente balançou a cabeça. Ela sabia que ele não ia mesmo voltar. ━ Não. ━ Dot... ━ Não. Ela se levantou da cama. ━ Não fala isso como se fosse uma possibilidade qualquer. Você tem que tentar... tá legal? ━ É uma guerra. ━ Eu sei. ━ Então você sabe exatamente o que pode acontecer comigo. Sharon virou-se para ele. ━ Eu sei que você vai voltar. James ficou olhando para ela. Havia um pequeno sorriso em seu rosto. Entretanto, seus olhos continuavam sérios. ━ Você é muito teimosa. ━ Aprendi com você. Ele soltou uma risada baixa. Por alguns segundos, o clima pareceu ficar mais leve. Até James se levantar. Ele caminhou até a pequena mesa e pegou alguma coisa. Sharon observou. ━ O que é isso? ━ Nada. ━ Bucky... ━ Você sempre faz muitas perguntas. ━ E você sempre esconde as respostas. Ele voltou até ela. Então segurou a mão dela. Sharon olhou para os dedos dele entrelaçando os seus. James estava nervoso. Muito nervoso. Ela percebeu imediatamente. ━ O que foi? ━ Eu não sou muito bom com discursos. ━ Isso eu já percebi. ━ Obrigado pela confiança. Ela sorriu. James respirou fundo. ━ Eu fiquei pensando... Ele parou. ━ Pensando em quê? ━ No que acontece depois. Sharon ficou em silêncio. ━ Depois da guerra? Ele assentiu. ━ Se ela acabar. ━ Quando ela acabar. James sorriu. ━ Você realmente não aceita nenhuma outra possibilidade, não é? ━ Não. Ele apertou delicadamente a mão dela. ━ Então... quando ela acabar. ━ James abaixou os olhos por um instante. ━ Eu quero uma casa. Sharon piscou. ━ Uma casa? ━ É. ━ Você? ━ Eu sei. Parece absurdo. Ela riu. ━ Um pouco. ━ Um lugar tranquilo. ━ Ele continuou. ━ Sem ordens. Sem missões. Sem gente dizendo para onde eu tenho que ir. Sharon sentiu o coração apertar. ━ E o que mais? James olhou diretamente para ela. ━ Você. Ela ficou em silêncio. James desviou o olhar, quase sem graça. ━ Eu quero você. Sharon sentiu os olhos marejarem. ━ Bucky... ━ Não precisa responder agora. ━ Eu nem disse nada. ━ Eu sei. ━ Ele sorriu. ━ Mas você está com essa cara. ━ Que cara? ━ A cara que você faz quando não sabe o que dizer. Ela deu uma pequena risada. ━ E você sabe exatamente o que dizer? ━ Não. ━ Ele respirou fundo. ━ Na verdade, eu ensaiei isso umas cinco vezes. Sharon arregalou os olhos. ━ Você ensaiou? ━ Não importa. ━ Quantas vezes? ━ Não importa, Dot. Ela começou a rir. James balançou a cabeça. ━ Está vendo? Era por isso que eu não queria falar. ━ Desculpa. ━ Ela tentou conter o sorriso. ━ Continue. Barnes ficou sério novamente. Ele tirou do bolso um pequeno objeto. Sharon olhou. Era um anel simples. Nada extravagante. Apenas uma pequena aliança de família. Ela ficou completamente imóvel. ━ James... Ele segurou o anel entre os dedos. ━ Eu sei que não é exatamente como deveria ser. ━ Como deveria ser? ━ Bom... Ele deu uma pequena risada nervosa. ━ Eu deveria ter um discurso melhor. Talvez um jantar. Flores. Conhecer seus pais. ━ Você não tem flores? ━ Não. ━ E não conheceu meus pais. ━ Não! ━ Então está indo muito mal. James sorriu. ━ Eu sabia que você ia dizer isso. Ele segurou a mão dela novamente. ━ Mas eu não queria esperar. Sharon olhou para o anel. ━ Esperar pelo quê? James a encarou. ━ Para saber se você quer passar o resto da sua vida comigo. Ela ficou sem palavras. Pela primeira vez naquela noite, James parecia completamente vulnerável. Não era o soldado confiante que brincava com ela no parque. Não era o homem que fazia piadas para esconder o medo. Era apenas James. Um jovem que sabia que poderia partir para a guerra no dia seguinte e não voltar. ━ Você está me pedindo em casamento? Ele sorriu. ━ Estou. Sharon respirou fundo. Uma lágrima escapou pelo canto de seu olho. ━ Você é um idiota. James perdeu o sorriso por um instante. ━ Isso é um não? Ela riu entre as lágrimas. ━ Não. Ele piscou. ━ Não? ━ É um sim. O sorriso de James voltou imediatamente. Era enorme. Verdadeiro. Quase infantil. ━ Sério? ━ Sério. ━ Mas você me chamou de idiota! ━ Porque achou que eu não fosse querer! ━ Então... Ele olhou para o anel. ━ Posso? Sharon estendeu a mão. ━ Pode. James colocou o anel em seu dedo. Ela ficou olhando para ele durante alguns segundos. Então voltou os olhos para James. ━ Quando você voltar... ━ Quando eu voltar. ━ Nós vamos fazer isso direito. ━ O quê? ━ O casamento. James sorriu. ━ Com flores? ━ Muitas. ━ E jantar? ━ Também. ━ E um discurso? Sharon arqueou uma sobrancelha. ━ Principalmente o discurso. James soltou uma risada. ━ Certo. ━ E com o meu pai também! ━ Sharon disse mais baixo. Ele segurou a mão dela. ━ Mas tem uma condição. ━ Qual? ━ Você não pode fugir antes de eu voltar. Ela sorriu. ━ Eu não vou fugir. ━ Promete? ━ Prometo. James se aproximou e encostou a testa na dela por alguns segundos. ━ Então eu volto. Sharon fechou os olhos. ━ Por nós dois! A lembrança começou a se desintegrar. Primeiro o quarto ficou distante. Depois a voz de James. O rosto dele começou a desaparecer diante dela. E, tentou segurá-lo. ━ James... Ele ainda sorria. ━ Eu volto, Dot. ━ James! A imagem então, se desfez por completo. (...) ▪︎Cairo, no presente. Sharon abriu os olhos de repente. Os monitores dispararam. Daniel imediatamente se aproximou do vidro. ━ O que aconteceu? Um dos cientistas olhou para os equipamentos. ━ Atividade cerebral elevada. Daniel franziu a testa. ━ Qual memória? O cientista hesitou. ━ Não sabemos, senhor. Daniel olhou para Sharon. Ela ainda estava imóvel. Mas sua mão se fechou lentamente. Os dedos apertaram o lençol. Então seus lábios se moveram. Uma única palavra escapou. ━ James... Daniel ficou completamente imóvel. O sorriso desapareceu de seu rosto. ━ Não. Sharon respirou fundo. E, ainda inconsciente, seus dedos tocaram o próprio dedo anelar. Como se ainda pudesse sentir o peso daquele pequeno anel. Daniel percebeu imediatamente. ━ O que mais você está lembrando, Carter? Sharon não respondeu. Porque, naquele momento, a lembrança já não pertencia mais a Daniel. Pertencia a ela. E, pela primeira vez em décadas, Sharon Carter se lembrava exatamente de quem James Barnes havia sido. E da promessa que ele havia feito. De que voltaria para ela. E então, os monitores enlouqueceram. Algo estava terrivelmente errado. ━ O que está acontecendo? ━ Daniel perguntou. Um dos cientistas correu até o painel. ━ A frequência cardíaca está subindo. ━ E o soro? ━ O organismo está rejeitando a substância. Daniel estreitou os olhos. ━ Aumente a dosagem. ━ Senhor, isso pode... ━ Eu disse para aumentar! O cientista hesitou por apenas um segundo antes de obedecer. Sharon arqueou o corpo contra a estrutura metálica. Um novo alerta soou. ━ Pressão despencando! Daniel observava os números. Aquilo não fazia sentido. O corpo de James Barnes havia suportado o processo. O soro deveria estar se adaptando ao organismo dela. Mas não estava. As células de Sharon pareciam combater cada nova alteração como se reconhecessem aquilo como uma ameaça. ━ Por que ela está rejeitando? ━ Não sabemos. ━ Então descubram! Sharon permaneceu imóvel. Os olhos fechados. A respiração irregular. Mas, dentro de sua mente, ela ainda estava no Brooklyn em 1944. James estava diante dela. O anel ainda estava em seu dedo. A voz dele ainda ecoava. Então outra memória surgiu. Depois outra. E outra. O laboratório. A HYDRA. James sendo levado. O rosto dele desaparecendo atrás de uma porta. Ela estava lá, mas como? Anos se passando. A imagem de Bucky. O Soldado Invernal. Steve. A S.H.I.E.L.D. Tudo começou a acontecer ao mesmo tempo. Sharon se debatia aos gritos. ━ PARAAAA... Mas não havia ninguém ali para ouvi-la. As lembranças se sobrepunham. Ela já não sabia qual delas era o passado. Qual era o presente. Qual era real. E, pouco a pouco, a própria consciência começou a desaparecer no meio delas. (...) O Queenjet pousou em modo furtivo no alto da base da HYDRA. A porta traseira se abriu. Coulson, Bobbi e May saltaram primeiro, enquanto Simmons e Fitz permaneciam próximos à aeronave, preparando o local para transformá-lo em uma enfermaria improvisada. ━ Assim que encontrarem a Sharon, tragam ela diretamente para cá. ━ Jemma pediu. Coulson assentiu. Do lado sudoeste, Sam e Bucky se aproximavam em voo. Enquanto isso, um brilho alaranjado surgiu atrás do laboratório. Strange atravessou o portal sozinho. Ele pousou silenciosamente no corredor dos fundos. Por alguns segundos, permaneceu imóvel. Então levou dois dedos à têmpora. A sensação estava mais forte. Muito mais forte. Ele conseguia senti-la. Não como uma voz. Não como uma imagem. Como uma presença: Distante. Confusa e aterrorizada. ━ Kate... Strange fechou os olhos. A energia ao redor de seus dedos começou a se concentrar. Ele sabia que não deveria fazer aquilo sem avisar os outros. Mas também sabia que talvez não houvesse tempo. Se a mente dela continuasse daquele jeito, poderia se perder completamente entre as próprias memórias. Strange respirou fundo. E entrou. (...) Não havia chão. Não havia teto. Não havia paredes. Apenas escuridão. Strange abriu os olhos. Por alguns segundos, não viu nada. Então ouviu um choro, e se virou. No meio daquela imensidão, Sharon estava sentada no chão. Abraçada aos próprios joelhos. Parecia perdida. Stephen Strange se aproximou devagar. ━ Kate. Ela levantou a cabeça. Os olhos estavam marejados. ━ Onde eu estou? ━ Na sua mente. Ela olhou ao redor. ━ Eu não consigo sair. ━ Eu sei. ━ Tem coisas demais. Strange se ajoelhou diante dela. ━ Eu preciso que você se concentre em uma coisa. ━ Em quê? ━ Em quem você é. Ela franziu a testa. ━ Eu sou Sharon Carter, embora pra você, seja sempre Kate. ━ Exatamente. Boa garota. As memórias ao redor delas começaram a mudar novamente. ━ Não deixe que elas escolham por você. Sharon respirou fundo. ━ Eu estou tentando. ━ Então escolha uma. ━ Eu não consigo! ━ Kate, por favor... Sharon fechou os olhos. Por alguns segundos, nada aconteceu. Então uma luz surgiu ao longe. Uma janela. Um quarto. Brooklyn. James Barnes. Sharon abriu os olhos. ━ Ele. Não sei porque ele sempre aparece pra mim. Strange olhou para a memória. ━ James? Ela assentiu. ━ Ele sempre encontra um jeito de voltar. Strange ficou em silêncio por alguns segundos até que... ━ Espere... — Ele olhou ao redor. ━ O problema não está apenas na sua mente. Sharon o encarou. ━ O quê? ━ Seu corpo. — A expressão dela mudou. ━ O soro. Strange assentiu. ━ Ele está rejeitando você. ━ Então me tire daqui. Strange se aproximou. ━ Eu posso estabilizar sua mente, Kate. — Ele fez uma pausa. ━ Mas não consigo fazer seu corpo aceitar esse soro. Sharon olhou para ele. ━ Então faça o que puder. Strange sustentou seu olhar. ━ Vou precisar de uma âncora. ━ Você já encontrou uma. Ela olhou para James, mas ele sumiu de repente. Strange entendeu. ━ Certo. Uma âncora mais forte então. Ele ergueu as mãos. ━ Vamos trazê-la de volta. Continua...
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Memórias arquivadas. ▪︎ Presente, Cairo. 》Na mente de Sharon Carter. Strange permaneceu imóvel. Ao seu redor, a escuridão começou a desaparecer. Primeiro veio uma luz. Depois, sons. Música alta. Risadas. Vozes. E então uma cidade. New York. Mas não a que conhecia. Era uma de décadas atrás. Stephen olhou ao redor, tentando compreender o que estava vendo. ━ Isso não é o presente... Uma voz surgiu atrás dele. ━ Não. Strange se virou imediatamente. Sharon estava ali. Mas não era exatamente a Sharon que ele conhecia. Era mais jovem. Muito mais jovem. Ela parecia ter dezesseis anos. Os cabelos loiros estavam soltos, e havia algo diferente em seu rosto. Uma leveza que Stephen raramente via na versão adulta dela. Ela não parecia uma agente. Não parecia uma espiã. Parecia apenas uma garota. ━ É uma memória. ━ Strange concluiu. Sharon assentiu. ━ Uma das primeiras. Stephen observou a cena se formar completamente. E então percebeu onde estavam. Uma boate. ━ Você estava aqui? Sharon desviou os olhos. ━ Infelizmente. A versão mais jovem dela surgiu no meio da multidão, segurando um microfone e cantando completamente fora do ritmo. Strange arqueou uma sobrancelha. ━ Você cantava? ━ Eu estava bêbada. ━ Isso explica muita coisa. Sharon lançou um olhar irritado para ele. ━ Não comece. Stephen sorriu de leve. Mas logo percebeu algo. A memória não estava apenas mostrando acontecimentos. Estava mostrando sentimentos. A garota de dezesseis anos não estava ali apenas para se divertir. Havia tristeza escondida por trás daquela tentativa exagerada de parecer feliz. Stephen estreitou os olhos. ━ O que aconteceu antes disso? Sharon não respondeu. A memória continuou. Um rapaz apontou para ela. Outro comentou alguma coisa. E então Tony Stark apareceu. Stephen reconheceu imediatamente. Mais jovem. Antes da armadura. Antes de tudo. Tony caminhou até o palco. ━ Sharon! A garota abriu um sorriso. ━ Tony, hey! Stephen observou a interação entre os dois. Era evidente que havia intimidade familiar ali. Uma amizade construída ao longo dos anos. Tony tentou tirá-la do palco. Sharon recusou. Ele insistiu. Ela continuou provocando. Até que Tony simplesmente a colocou sobre o ombro. ━ Tony! Me põe no chão! Stephen soltou uma pequena risada. ━ Definitivamente, Stark. Sharon cruzou os braços. ━ Eu disse que não queria lembrar dessa parte. ━ Você parecia impossível. ━ Eu era impossível. Tony continuava andando com ela enquanto Sharon reclamava. ━ Eu odeio você! ━ Ótimo! A memória pareceu congelar por um instante. Stephen olhou para Sharon. Ela observava aquela versão de si mesma em silêncio. ━ Você sente falta dela. Sharon demorou alguns segundos para responder. ━ Às vezes. Stephen olhou novamente para a cena. ━ O que aconteceu naquele dia? Sharon respirou fundo. ━ Eu tinha acabado de fazer o teste da S.H.I.E.L.D. A expressão de Stephen mudou. ━ E foi quando? ━ Antes de Howard morrer. A memória mudou. A música desapareceu. A boate se desfez. Agora havia um prédio da S.H.I.E.L.D. Uma sala de avaliação. Sharon estava sentada diante de uma mesa. Howard Stark estava do outro lado. Ela parecia exausta. Mas sorria. Stephen percebeu imediatamente. ━ Você achava que tinha passado. ━ Eu tinha certeza. A Sharon mais jovem levantou-se. ━ Tio S... digo, senhor Stark! Qual o meu resultado? Howard permaneceu em silêncio. Stephen observou o homem por alguns segundos. Havia culpa no rosto dele. ━ Você não passou. Sharon fechou os olhos. ━ Eu não sou a minha tia! Stephen olhou para a Sharon adulta. ━ Peggy não sabia? ━ Não. ━ E Howard colocou você no teste escondido dela? ━ Sim. Ele via potencial em mim! A memória continuou. Sharon pegou a mochila. Tentou sorrir. Tentou fingir que estava bem. Mas não estava. Stephen percebeu aquilo. ━ Você estava destruída. ━ Eu só tinha dezesseis anos. ━ E já queria provar que conseguiria ser uma agente. Sharon assentiu. ━ Eu queria ser como a tia Peggy. Sempre quis. Stephen ficou em silêncio. Então algo chamou sua atenção. A memória começou a apresentar pequenas falhas. A imagem de Sharon adolescente tremulou. Por um instante, a boate apareceu. Depois o laboratório. Depois Brooklyn, 1944. Depois James novamente. Stephen imediatamente percebeu o problema. ━ Não... Uma Sharon já adulta, olhou para ele. ━ O quê? ━ Sua mente está tentando acessar várias lembranças ao mesmo tempo. Ela fechou os olhos. ━ Eu não consigo controlar, Stephen! ━ Eu sei. A memória da boate voltou. Tony carregando Sharon. Depois, o funeral de Howard e Maria Stark. Depois Peggy consolando Sharon. Depois James Barnes atacando Strange no hospital. Tudo em questão segundos até que as imagens começaram a se sobrepor. Stephen tentou acompanhar. Não conseguiu. ━ Kate... A cena mudou novamente. Dessa vez, não havia guerra. Não havia HYDRA. Não havia James. Havia apenas um hospital. Stephen reconheceu imediatamente. Presbyteriano, em Nova York. Mas havia algo diferente. Ele olhou para as próprias mãos. Não eram as mãos do Doutor Strange. Eram as mãos de um cirurgião. Seu antigo eu. Antes da magia. Antes de Kamar-Taj. Antes de tudo. Strange arregalou os olhos. Sharon apareceu ao seu lado. Ela também parecia surpresa. ━ Eu conheço esse lugar. ━ Eu também. A memória avançou. Corredores movimentados. Médicos passando de um lado para o outro. Enfermeiros carregando prontuários. E então ele apareceu. Stephen Strange. Mais jovem. Completamente concentrado em um prontuário enquanto caminhava pelo corredor. O mesmo homem arrogante. Seguro de si. Antes do acidente que mudaria sua vida. Sharon observava de longe. Mas não estava vestida como Sharon Carter. Usava o uniforme de enfermagem. No crachá, havia outro nome. Kate Bennett. Stephen olhou para o crachá. Depois para Sharon. ━ Kate Bennett. Ela assentiu lentamente. ━ Foi assim que você me conheceu. A memória continuou. Christine Palmer caminhava ao lado do jovem Strange. Ela segurava alguns prontuários. ━ Stephen, antes de você entrar na cirurgia, quero te apresentar a uma das novas enfermeiras. Strange sequer levantou os olhos. ━ Christine, se for mais uma pessoa querendo me dizer como fazer meu trabalho... ━ Não é. Ela parou. A jovem Sharon se aproximou. Christine sorriu. ━ Kate Bennett. Ela acabou de ser transferida para o setor de trauma. Strange finalmente ergueu os olhos. Por alguns segundos, apenas a observou. Sharon sustentou o olhar. ━ Doutor Strange. ━ Enfermeira Bennett. Christine olhou para os dois. ━ Ótimo. Vocês já se conheceram. Strange voltou a olhar para Sharon. ━ Já que você é nova aqui, então uma dica. Sharon cruzou os braços. ━ Estou ouvindo. ━ Não fique no meu caminho. Ela arqueou uma sobrancelha. ━ Isso foi uma ameaça? ━ Um conselho. Sharon sorriu de leve. ━ Vou tentar sobreviver, doutor. Christine segurou uma risada. ━ Eu gostei dela. Strange lançou um olhar para a colega. ━ Você gosta de todo mundo. ━ Não de todo mundo! A memória começou a desaparecer. Stephen ergueu as mãos. ━ Kate, escuta minha voz. ━ Estou tentando! ━ Não tente só lembrar. Escolha uma. A imagem então mudou novamente. Novamente New York em 2014. A sala de descanso dos médicos. ━ Doutor, ah, Doutor Strange com licença? A doutora Palmer me disse que estaria aqui! ━ Ela estava na sala de descanso dos médicos agora. Strange estava de pé na sala de descanso, de costas para a porta, colocando seu casaco, provavelmente para ir embora. Ele se virou lentamente, quando ouviu o som de alguém em passadas largas, entrando na sala. ━ Bennett? No que posso lhe ser útil? Ela se aproximou um pouco. ━ Eu queria falar com o senhor sobre... um... paciente seu! Se fosse possível, é claro. ━ Disse em um tom tímido, porém, bem direto. ━ O dia que você mandou me demitir! ━ Sharon retrucou ao olhar a lembrança. ━ Você passou por cima das minhas ordens. Sharon fez uma careta e a imagem continuou. Nela, Strange levantou uma sobrancelha pelo tom apresentado pela enfermeira diante dele. ━ Qual seria o paciente? Kate, respirou pesadamente. Ela sabia como Stephen era super arrogante e não gostava de ser contrariado em seus procedimentos, por isso, uso de toda a gentileza possível. ━ O senhor Smith. Eu acho que, acho que ━ Quase gaguejou. ━ A dose de potássio que o senhor lhe receitou, está afetando o coração dele! A expressão de Stephen mudou de uma leve confusão, para uma irritação imediata. ━ A senhorita está questionando meus procedimentos, enfermeira Bennett? ━ Eu não... ━ Onde é que você estudou medicina, mesmo? Não me lembro ter visto em sua carta recomendação! ━ Ele perguntou de forma bastante arrogante. ━ Eu não estudei medicina... eu só... só percebi que... ━ Respirou mais fundo para falar. ━ A atividade cardíaca tá elevada e... eu... ━ Como eu era grosseiro! ━ Stephen disse enquanto observava aquilo. ━ Ah, agora você vê isso? ━ Retrucou Sharon ao lado dele. Então, viram Sharon sair esbravejando pelo corredor. ━ Sujeitinho insuportável! Quando Christine entrou em seguida na lembrança, Strange estava ainda parado ali, com um semblante de raiva também. ━ Qual é o problema? ━ Doutora Palmer, poderia explicar-me, por que diabos a senhora colocou uma mulher tão estúpida na minha ala hospitalar? ━ Ela só estava preocupada com o seu paciente. E, por favor, não a chame de estúpida, queremos muito evitar um processo trabalhista! ━ Palmer foi irônica. ━ Quer saber? Não precisamos mais nos preocupar com isso! Ela não estará mais aqui amanhã mesmo! ━ Strange disse enquanto andavam juntos segurando o celular nas mãos. ━ Stephen, o que foi que você fez? ━ Palmer perguntou-lhe, olhando de canto. ━ O que deveria ser feito! ━ Disse sem nem ao mesmo esboçar remorso. ━ Aquela garota, estava certa e salvou a vida do seu paciente! Sabia disso? ━ Perguntou o olhando ainda nos olhos. ━ Ah não, esqueci. Você é o dono da razão e nunca erra! Sharon abriu os olhos e o encarou novamente. ━ Eu disse. ━ Ah, é mesmo? Você não viu o resto. ━ Stephen se defendeu. ━ Que resto? A imagem se estabilizou outra vez. Christine caminhava ao lado de Strange. ━ Você ainda está pensando nela, não está? — perguntou. Stephen lançou um olhar de lado. ━ Em quem? Christine arqueou uma sobrancelha. ━ Na enfermeira que você praticamente expulsou da sua ala e do hospital. ━ Eu não a expulsei. ━ Stephen... ━ Eu apenas deixei claro que ela deveria respeitar a hierarquia médica ao reitor. Christine soltou uma pequena risada ━ Até ele viu que Kate estava certa. ━ Você já mencionou isso. ━ Então, porque você continua fingindo que não estava? Stephen bufou. ━ Ela foi arrogante. ━ Ela? — Christine sorriu de canto. ━ Você odeia quando alguém está certo. ━ Eu odeio quando alguém não sabe o próprio lugar. ━ Talvez esse seja justamente o problema. Ele voltou a caminhar. Christine o acompanhou. ━ Onde estamos indo? ━ Ver a Kate. Ela parou e perguntou em tom divertido. ━ Por quê? ━ Porque eu quero saber como ela está. Feliz? Espero que sim! ━ Disse ele ironicamente. A memória começou a falhar. A imagem tremeu. Stephen franziu a testa. ━ Não... Sharon levou uma das mãos à cabeça. ━ O que está acontecendo? ━ Não sei. A sala desapareceu. O hospital inteiro pareceu se dobrar sobre si mesmo. Por um instante, Stephen ouviu sirenes. Depois gritos. Depois uma explosão. E então... Silêncio. Uma nova imagem surgiu. New York. Pouco depois da queda da S.H.I.E.L.D. O mundo havia mudado. A organização que Sharon conhecia já não existia da mesma forma. As pessoas estavam desconfiadas. Agentes estavam espalhados. Identidades haviam sido expostas. E, pela primeira vez em anos, Sharon não sabia exatamente qual seria seu próximo passo. Ela estava parada em frente ao hospital. Não usava o uniforme de Kate. Era Sharon Carter novamente. Stephen apareceu alguns metros atrás. Ainda era o cirurgião que ela conhecera. Ainda não havia se tornado o homem que um dia seria o Doutor Strange. ━ Você não é mais tão misteriosa quanto pensa. Sharon arqueou uma sobrancelha. ━ É mesmo? ━ Sim. ━ Ele fez uma pausa. ━ Mas você definitivamente não é quem diz ser. O sorriso dela desapareceu. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Stephen finalmente respirou fundo. ━ Eu sei que existe alguma coisa acontecendo. ━ Você não sabe de nada. ━ Sei que você desapareceu por dias após me salvar. ━ Era a S.H.I.E.L.D! ━ Sei que recebia ligações no meio da noite quando dormíamos juntos. ━ S.H.I.E.L.D. outra vez! ━ Sharon suspirou. ━ Você não deveria se preocupar comigo. Stephen sustentou o olhar dela. ━ Esse é o problema. ━ Qual? ━ Eu estou começando a me preocupar demais! Sharon desviou os olhos. ━ Stephen... ━ Não. ━ Ele respirou fundo. ━ Deixa eu terminar. Ela voltou a encará-lo. Stephen parecia diferente. Não havia arrogância. Não havia sarcasmo. Apenas honestidade. ━ Eu sei que você está envolvida com coisas que não pode me contar. ━ Está tentando me interrogar? ━ Não. ━ Então o que está fazendo? Stephen demorou alguns segundos. ━ Tentando entender por que você continua aparecendo na minha vida mesmo agora que sei quem realmente é! Sharon respirou fundo. ━ Porque agora eu posso ser quem quiser que seja e estar com você! ━ Disse com o honestidade. ━ Você sabe quem eu sou? ━ Sei. ━ Não. ━ Stephen balançou a cabeça. ━ Você sabe quem eu sou no hospital. O cirurgião. O cara que consegue entrar em uma sala de cirurgia e fazer coisas que ninguém mais consegue. ━ E você acha que isso não é suficiente? ━ Para você? ━ Ele a encarou. ━ Não. Sharon franziu a testa. ━ Por quê? Stephen respirou fundo. ━ Porque eu sei quem você é agora. ━ E? ━ Você trabalha para uma organização que enfrenta terroristas, armas experimentais, HYDRA... ━ Eu trabalhava! ━ Ela o interrompeu. ━ Você conhece o Capitão América. ━ Steve? E daí? ━ Steve Rogers! ━ Ele pronunciou o nome com certa insegurança e admiração ao mesmo tempo. ━ Ele é exatamente o tipo de homem que faz sentido ao seu lado. Sharon piscou algumas vezes. ━ Você está falando sério? ━ Muito. ━ Stephen... ━ Ele é um herói. ━ E você não? Stephen soltou uma risada curta. ━ Eu sou médico. ━ Médicos salvam pessoas e você acabou de dizer que não é um herói. ━ Eu não sou. Sharon cruzou os braços. ━ Isso é ridículo. ━ Não! Não é, Kate! Stephen aproximou-se um pouco. ━ Você acorda todos os dias sabendo que pode ser enviada para algum lugar e talvez não volte. Você enfrenta pessoas que eu nem consigo imaginar. ━ Ele respirou fundo. ━ Eu passo os meus dias tentando manter pessoas vivas em uma mesa de cirurgia. ━ Isso não torna você menos importante. ━ Não foi isso que eu disse. ━ Então o que está dizendo? Stephen ficou em silêncio. Dessa vez, demorou para responder. ━ Estou dizendo que não quero ser o homem que fica esperando você voltar. Sharon sentiu o peito apertar. ━ Eu nunca pedi que você esperasse. Pelo contrário. Estou desistindo de tudo agora! ━ Exatamente. Você está desistindo! Ela o encarou. ━ Então você está terminando comigo porque acha que não quero desistir? ━ Você não quer! Vai por mim. ━ Parece que já decidiu por mim, não é mesmo? — A voz, saiu amargurada. Stephen desviou os olhos. ━ Eu não consigo competir com o Capitão América, Kate. Nunca serei um herói! Sharon o olhou completamente embasbacada. ━ Mas, mas eu te amo, Stephen! ━ Sussurrou, quebrada. Stephen respirou fundo e segurou a mão dela, dizendo por fim: ━ Vai passar! — Sussurrou de volta. ━ Logo, vou estar bem longe da sua memória também! Então, um giro. Como se, tudo rodasse. E lá, no vazio, estavam ambos novamente: Sharon Carter e Stephen Strange. ━ Você quebrou o meu coração nesse dia! ━ Sharon disse mais baixo. Stephen não respondeu imediatamente. A frase ficou suspensa naquele vazio. Não havia hospital. Não havia Nova York. Não havia passado. Apenas os dois. E, pela primeira vez desde que entrara na mente dela, Stephen não tentou justificar a própria versão mais jovem. Ele simplesmente abaixou os olhos. ━ Eu sei. Sharon franziu a testa. ━ Não. Você não sabe. ━ Agora eu sei. Ela soltou uma risada curta, sem humor e olhou para a própria versão mais jovem, ainda congelada em algum ponto daquele vazio. ━ Você só estava com medo. Stephen acompanhou o olhar dela. ━ Eu era um idiota. ━ Era. Ele soltou uma pequena risada. ━ Você poderia fingir que não concorda tão rápido? — Não. Por alguns segundos, o silêncio voltou. Então Stephen se aproximou. ━ Eu achava que você precisava de alguém como o Capitão América. ━ Eu nunca precisei. — Eu sei disso também. Sharon cruzou os braços. ━ Então por que está tão quieto? Stephen a encarou. ━ Porque estou tentando descobrir como pedir desculpas por uma coisa que aconteceu antes de eu sequer saber que um dia seria capaz de fazer isso: Ser um herói! Ela arqueou uma sobrancelha. ━ E conseguiu? ━ Ainda não. Sharon desviou o olhar. ━ Pelo menos é honesto. Stephen deu mais um passo na direção dela. ━ Eu não terminei com você porque não te amava. Ela voltou a olhá-lo. A voz dele ficou mais baixa. — Eu terminei porque te amava e tinha certeza de que, em algum momento, você perceberia que não seria o suficiente. Sharon continuou em silêncio. ━ E eu preferi destruir aquilo antes que você pudesse fazer isso comigo. Ela então, respirou fundo. ━ Covarde. ━ Completamente. ━ Arrogante. ━ Também. ━ Insuportável. ━ Definitivamente. Mas agora sabemos o porquê disso ter acontecido! ━ Stephen continuou. ━ Você precisava conhecer o Barnes porque ele, seria o verdadeiro amor da sua vida! Além de tudo, Kate. Até mesmo, do tempo! Sharon respirou fundo novamente e limpou o canto dos olhos. ━ E mesmo assim? Ele se tornou o Soldado Invernal por causa da HYDRA e eu o perdi! ━ Você não o perdeu! ━ Como assim? ━ Eu te explico depo... Uma explosão interrompeu a frase. O vazio inteiro estremeceu. Sharon levou as mãos aos ouvidos enquanto a escuridão ao redor deles se partia em dezenas de fragmentos. ━ Stephen! ━ Kate, abaixa! Outra explosão. Dessa vez, o impacto fez a memória desaparecer completamente. Cairo. Presente. Stephen abriu os olhos de repente. O ar entrou violentamente em seus pulmões. Ele estava de volta. Por alguns segundos, ficou completamente desorientado. Sons. Tiros. Alarmes. Gritos. E então percebeu. Não estava mais dentro da mente de Sharon. Estava no meio de uma batalha. ━ Finalmente! ━ Fury gritou ao longe. Stephen virou-se na direção da voz. ━ Como chegou aqui? Antes que Fury pudesse responder, um portal se abriu ao lado de Stephen. Wong atravessou calmamente, embora sua expressão estivesse longe de tranquila. ━ Quem você acha que guardou sua retaguarda enquanto você tentava estabilizar a mente dela e a batalha inteira acontecia? Stephen olhou para ele. ━ Você poderia ter mencionado isso antes. ━ Você estava ocupado demais em transe. Stephen abriu a boca para responder, mas um movimento chamou sua atenção. Um agente da HYDRA avançava diretamente em sua direção. O reflexo falou mais alto e ergueu a mão. Uma rajada de energia atingiu o homem, fazendo-o cair alguns metros adiante. Stephen respirou fundo e olhou ao redor. Foi então que a viu. Sharon estava caída alguns metros à frente. ━ Kate! Ele correu até ela. Ajoelhou-se ao seu lado e segurou seu ombro. Ela abriu os olhos lentamente. ━ Stephen... ━ Consegue me ouvir? ━ Infelizmente... Ele soltou uma pequena risada de alívio. ━ Ótimo. Ainda fazendo piadas. Sharon tentou se levantar. ━ O que aconteceu? ━ A memória acabou. ━ E o resto? ━ Fica pra depois. Um estrondo interrompeu os dois. Stephen olhou para trás. Strucker estava caído do outro lado do salão. Porém, lentamente, começou a se levantar. Ele limpou o sangue do canto da boca e encarou os dois. ━ Vocês realmente achavam que poderiam me deter? Stephen se levantou. ━ Honestamente? Sim. Strucker avançou. Sharon tentou ficar de pé. Mas suas pernas falharam. ━ Stephen... Ele se colocou imediatamente entre ela e Strucker. ━ Fique atrás de mim, Kate! Strange ficou em posição com aeus dois escudos de energia. Strucker preparou-se para atacar. Então... CRASH! O teto cedeu. Destroços despencaram pelo salão. Stephen ergueu os braços por instinto, criando um escudo em volta dele e Sharon agora. A poeira tomou conta do ambiente. Por alguns segundos, ninguém conseguiu enxergar nada. Então uma silhueta surgiu no meio da fumaça. Uma figura caminhou entre os destroços. Passo após passo. Até parar diante de Strucker. O vilão congelou. ━ Não é possível... A figura ergueu o rosto. James Barnes. O antigo Soldado Invernal. Mas aquele homem não era mais a arma que HYDRA havia criado. Era o homem que havia escolhido lutar contra aquilo que um dia o controlara. O homem que ajudara a impedir Thanos. O homem que agora estava ali por uma razão muito mais simples. Salvar Sharon. Strucker recuou um passo. ━ Soldat? Bucky não respondeu imediatamente. Apenas o encarou. Seus olhos estavam frios. Mas não vazios. Havia algo diferente neles. Strucker estreitou os olhos. ━ Eu não sou mais o seu soldado! ━ Mas mesmo assim, você voltou, não é mesmo? ━ Sim, voltei. ━ Ele olhou rapidamente para Sharon. Depois para Stephen. ━ Mas não foi por você. Strucker fechou os punhos. ━ Você sempre será o meu soldado: Saudade. ━ Comecou Strucker a tentar reprogramar Barnes. Bucky balançou a cabeça. ━ Enferrujado! ━ Ele continou. ━ Eu sou James Buchanan Barnes. E isso não funciona mais comigo, idiota! Bucky lançou-lhe um golpe com o braço de vibranium e Strucker voou contra a coluna próxima deles. Então Barnes olhou para Stephen. ━ Leva ela para o Queenjet, Strange! Stephen hesitou. ━ Bucky... ━ AGORA! ━ Ele voltou os olhos para Strucker que já se erguia do chão outra vez. ━ Isso é comigo. Stephen olhou para Sharon. Ela ainda estava fraca demais para andar sozinha. Então voltou a encarar Bucky. Por um instante, os dois homens trocaram um olhar. Stephen entendeu. Aquele não era mais o homem que precisava ser salvo. Era o homem que estava ali para salvar alguém. Strange pegou Sharon nos braços. ━ Vamos. Sharon olhou para trás. Bucky diante de Von Strucker. Enquanto os dois se afastavam mais do campo de visão, ela ainda olhou uma última vez para ele antes de desmaiar. Barnes não se virou. Não precisava. Dessa vez, sabia exatamente quem era. E sabia exatamente por quem estava lutando. Strucker avançou. Bucky fechou os punhos. O Corredor se foi atrás de Stephen e Sharon quando passaram pelo portal diretamente para o Queenjet. E, no instante seguinte, o confronto finalmente começou. Continua...
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Acerto de contas. ▪︎ Presente, Cairo. 》Base da HYDRA. O primeiro golpe veio antes mesmo que Strucker pudesse reagir. Bucky avançou. O braço de vibranium atingiu o peito do herdeiro da HYDRA, fazendo-o atravessar uma mesa metálica e cair contra a parede. Bucky permaneceu imóvel diante dele. Strucker se levantou lentamente e limpou o sangue do canto da boca outra vez. ━ Ainda acha que pode me enfrentar? Bucky deu um passo à frente. ━ Não. ━ Seus olhos permaneceram fixos nele. ━ Eu tenho certeza. Daniel avançou. Os dois se chocaram no centro do salão. Enquanto isso, do outro lado da instalação, a batalha continuava. Coulson disparava contra os agentes da HYDRA enquanto May avançava pelo corredor, derrubando um adversário após o outro. Bobbi surgiu pela lateral. ━ Coulson! Ele se virou a tempo de vê-la lançar um agente contra uma parede. ━ Estou começando a achar que essa reunião poderia ter sido feita antes! May olhou para ele. ━ Concentre-se. ━ Estou concentrado. Um disparo passou perto de sua cabeça. Coulson se abaixou. ━ Muito concentrado. May revirou os olhos. Mais adiante, Sam Wilson pousou no meio do corredor. As asas se fecharam atrás dele assim que o escudo do Capitão América veio em suas mãos. ━ Vocês sempre fazem festas sem me convidar? Coulson apontou a arma para os agentes que vinham atrás. ━ Estamos tentando manter a lista de convidados pequena. Sam sorriu. ━ Então vocês precisam melhorar a segurança! Ele abriu as asas novamente. E avançou. No centro da instalação, Wong abriu um portal. ━ Por aqui! Do outro lado, agentes da S.H.I.E.L.D. atravessaram rapidamente. ━ O caminho para a saída está livre! ━ Wong avisou. Coulson olhou para ele. ━ E Strange? Wong ficou sério. ━ Ele já está com Sharon. May ouviu aquilo. ━ Como ela está? Wong hesitou. Apenas por um segundo. Mas foi suficiente. Coulson percebeu. ━ Wong? ━ Não está bem. O sorriso desapareceu do rosto de Sam. ━ O que aconteceu? ━ A mente dela estava sendo afetada pela exposição ao soro. Strange conseguiu estabilizar a atividade cerebral, mas... ━ Wong olhou na direção do corredor. ━ O corpo está começando a rejeitar o soro. Coulson apertou a mandíbula. ━ Então precisamos tirá-la daqui agora e levá-la para um local mais seguro! ━ Concordo. Um novo estrondo fez toda a estrutura tremer. Wong olhou para trás. ━ Mas parece que alguém ainda não terminou. — Apontou com a cabeça. Do outro lado da instalação, Bucky e Strucker atravessaram uma divisória metálica. Daniel caiu no chão. Barnes caminhou lentamente até ele. ━ Você passou anos fazendo isso com pessoas. Strucker ergueu o olhar. ━ Pessoas? ━ Ele soltou uma risada. ━ Você nunca foi uma pessoa para nós, Barnes. Bucky parou. Por alguns segundos, seu rosto permaneceu completamente imóvel. Então respondeu: ━ Eu sei. ━ Ele fechou o punho metálico. ━ E é por isso que estou aqui. Strucker tentou se levantar. Bucky o agarrou pela gola da camisa. ━ Você tirou minha vida. ━ Outro golpe. ━ Transformou meu corpo em uma arma. Outro golpe, dessa vez o arremessando ao chão. ━ E tentou fazer o mesmo com a Sharon. Daniel deu uma risada. ━ Então, é disso que se trata? Bucky congelou por um instante. Daniel percebeu. ━ Ah... — Um sorriso surgiu no rosto dele. ━ Então você veio não por si, mas por ela. Bucky o encarou. ━ É. Também! Strucker tentou provocá-lo. ━ Você sempre teve uma fraqueza por mulheres que precisavam ser salvas. O perfeito sargento Barnes. As mulheres eram loucas por você. Bucky aproximou o rosto. ━ Ela não precisa que eu a salve. — Uma pausa. ━ Mas eu vou fazer isso mesmo assim. Strucker avançou novamente. ━ Sabe por quê te transformei em uma máquina de matar? Bucky o encarou com atenção. — Porque sempre pôde ter todas as mulheres que quisesse, mas teve que tirar ela de mim, Barnes! Então, eu tirei a sua liberdade de você! Um golpe de direita, Bucky desviou. ━ Eu não faço ideia do que esteja falando! Daniel parou. Olhou diretamente nos olhos de Bucky e, pela primeira vez naquela noite, riu. ━ Você não se lembra? ━ A gargalhada ficou ainda mais intensa. ━ Essa é a melhor notícia que tive em anos! Então, Daniel Von Strucker sentiu o golpe vindo de trás. O escudo de Sam Wilson, batendo firme e por fim, voltando a ele, fazendo o herdeiro da HYDRA cair desacordado no chão. ━ Olha, eu sei que você quer solar esse cara! Eu também adoraria ver isso, mas temos problemas mais sérios agora. ━ Sam pausou, olhando para Bucky em seguida. ━ A Sharon não está nada bem e a gente tem que dar o fora daqui! ▪︎Queenjet da S.H.I.E.L.D. As portas da aeronave se fecharam. Lá dentro, o clima era completamente diferente. Sharon estava deitada sobre a maca, imóvel. Stephen permanecia ao lado dela, concentrado. Jemma Simmons analisava os dados médicos enquanto Leopold Fitz observava os resultados em outra tela. ━ A pressão continua caindo. ━ Jemma disse. Fitz conferiu os números novamente. ━ E o soro? Simmons balançou a cabeça. ━ Não está reagindo como deveria. Stephen olhou para Sharon. ━ O organismo dela está rejeitando. ━ Não completamente. ━ Jemma corrigiu. ━ É mais complicado que isso. Fitz aproximou-se do monitor. ━ O soro está presente no organismo, mas não está sendo absorvido de maneira uniforme. Stephen franziu a testa. ━ Então ele não está fazendo o efeito esperado. ━ Exatamente. ━ O casal disse junto. O monitor emitiu outro alerta. Stephen imediatamente segurou a mão de Sharon. ━ Sharon? Nenhuma resposta. ━ Sharon, consegue me ouvir? Silêncio. Mas, dentro da mente dela... Havia outro lugar. Outro tempo. Outro rosto. ▪︎Ano de 1991. O som de um motor. Chuva batendo contra o chão. Uma estrada escura. Sharon abriu os olhos. Mas não estava no Queenjet. Ela conhecia aquele lugar. Conhecia aquela sensação. A memória veio como um fragmento quebrado. Uma moto. Uma missão. E um homem bem diante dela: James Buchanan Barnes. Não o homem que ela conhecia, mas sim, o Soldado Invernal. 16 de Dezembro de 1991, o dia da morte de Howard e Maria Stark. Sharon desceu da moto dela com cuidado e tirou o capacete. James, fez o o mesmo. Não por reconhecimento, mas por um movimento mecânico praticamente involuntário. ━ Você é James Buchanan Barnes... ━ Sharon começou, com toda a calma do mundo. ━ E está sendo controlado pela HYDRA! Bucky permaneceu imóvel. Os olhos azuis estavam fixos nela, mas não havia reconhecimento. Nenhuma emoção. Apenas aquela expressão vazia e controlada que Sharon já tinha visto em relatórios e vídeos. OlO Soldado Invernal. Ela deu um passo à frente. ━ Você sabe quem eu sou? Nenhuma resposta. A chuva continuava caindo ao redor deles. Mais forte e sem fazer questão de cessar. ━ Não sabe. ━ Ela mesma respondeu, mantendo a calma. ━ Tudo bem. Vamos começar de novo! Bucky inclinou levemente a cabeça. Como se estivesse esperando uma ordem. Sharon respirou fundo. ━ Eu não vim lutar com você. A mão metálica dele se moveu, instintivamente. Ela notou. ━ E também não vou tentar tirar sua missão de você. Ele continuou olhando para ela, sem a menor emoção aparente. ━ Mas eu preciso que você me escute, por favor. Por um instante, nada aconteceu. Então Bucky falou. A voz era baixa, fria e sem emoção alguma: ━ Identifique-se. Sharon ficou em silêncio por alguns segundos. Aquela voz. Ela conhecia aquela voz. Não daquele momento. De outra vida. De outra versão daquele homem. ━ Sharon Carter. Nenhuma reação. ━ S.H.I.E.L.D. O Soldado Invernal deu um pequeno passo na direção dela. Sharon não recuou. ━ E você é James Buchanan Barnes. Os olhos dele se estreitaram. ━ Eu sou o Soldado Invernal. Sharon sentiu um aperto no peito. ━ Não, Bucky. — Respondeu baixinho. ━ Você é James Buchanan Barnes. Ele levantou a arma. Carter permaneceu parada. ━ E eles fizeram você esquecer disso. Por um segundo, a mão dele hesitou. Foi quase imperceptível. Mas Sharon viu. E pareceu o suficiente. ━ Eu sabia. Então, Bucky partiu para cima dela e a pegou pelo pescoço com a mão de metal. Ela arregalou os olhos imediatamente. ━ Você está atrapalhando a minha missão! ━ E proferindo essas palavras, a jogou longe. Sharon rolou pelo asfalto molhado e parou alguns metros adiante. Por alguns segundos, permaneceu imóvel. Então respirou fundo e se levantou. O Soldado Invernal já vinha em sua direção. Rápido e letal. Ela desviou do primeiro golpe e tentou ganhar distância. ━ James, escuta! Ele não respondeu. Apenas avançou novamente. Carter bloqueou o golpe e recuou alguns passos. ━ Eu sei que você está aí! Bucky a encarou. Nada. Apenas aquela expressão fria. ━ Eles fizeram isso com você. Ele avançou. Sharon conseguiu desviar outra vez, mas o movimento a fez perder o equilíbrio e cair de bunda no chão. Bucky a segurou pelo braço e a puxou pra cima. Ela olhou diretamente para ele. ━ Você não é uma máquina. Por um instante, os dois ficaram parados, frente a frente. ━ Você está atrapalhando a minha missão! ━ E ele, a golpeou com o punho de metal diretamente no abdômen. Sharon gritou automaticamente e sentiu as costas batendo ao chão quando foi novamente jogada contra ele, cuspiu sangue da boca. ━ Qual é a sua missão? Barnes não respondeu. Ele simplesmente a soltou e caminhou até a motocicleta. Sharon ficou olhando. Então percebeu para onde ele estava indo. ━ Não. Ela levantou-se do chão, cambaleando e correu na direção de Bucky outra vez. Sharon segurou o braço dele com força. ━ Eu não vou deixar você fazer isso, Bucky! O Soldado Invernal olhou para a mão dela em seu braço. Depois, para o rosto de Sharon. Por um breve instante, algo pareceu atravessar seus olhos. Mas desapareceu. ━ Solte. ━ Não! De repente, uma lâmina fina atravessou seu abdômen, acima da linha do fígado. Então, olhou diretamente nos olhos dele. ━ Bucky... Barnes puxou a lâmina de uma única vez e Sharon perdendo o equilíbrio, caiu sobre o asfalto molhado. Ele não parou. Apenas guardou a faca enquanto andava até a moto. Colocou o capacete e nem ao menos, olhou para trás. Sharon tentou se levantar, porém, não conseguiu. Estava perdendo muito sangue, rapidamente. O motor da motocicleta dele acelerou e, desapareceu na estrada. Ela, ficou sozinha sob a chuva. A visão começou a ficar turva. O som da parecia cada vez mais distante. ━ Não... ━ Instintivamente, levou a mão ao ventre, ou tentou. Então... Um som diferente surgiu ao fundo. Quase nulo. Um motor. Ela ergueu os olhos com dificuldade. Algo pousou. Um queenjet. A porta se abriu. Um homem desceu. Casaco escuro. Olhar atento e afiado. ━ Carter! Sharon reconheceu aquela voz. ━ Fu... Fury... Nick Fury correu até ela e se ajoelhou ao seu lado. ━ Ei. Olhe para mim. Sharon tentou responder. ━ Bucky... Fury olhou rapidamente para a estrada. ━ Ele já se foi. ━ Eu tentei... ━ Ela disse com dificuldade. ━ Eu sei. Fury tirou o próprio casaco e colocou sobre ela. ━ Me... me des... desculpe... Sharon tentou se mover, mas Nick não deixou. ━ Meu... meu bebê... Fury olhou para o relógio. O dispositivo preso ao pulso começou a emitir Que um sinal. ━ A janela temporal está fechando. Sharon arregalou os olhos. Fury segurou Sharon nos braços e se ergueu do chão. ━ Fu... Fury... sal... salva meu be... ━ Carter, escuta. ━ Ele a encarou por fim. ━ Esse bebê não irá morrer! E nem você, me entendeu. Continua...
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Salvação. ▪︎ Queenjet, no presente. Sharon abriu os olhos de repente. Stephen imediatamente se aproximou. ━ Kate! Ela puxou o ar, assustada. Jemma verificou os monitores. ━ Ela voltou. Fitz olhou para Stephen. ━ Por alguns segundos, os sinais estão completamente fora do padrão. Precisamos estabilizar isso! Stephen encarou Sharon. Ela parecia confusa. Assustada. E ainda presa entre duas épocas. ━ Fury... ━ Sussurrou. Stephen franziu a testa. ━ Fury? Sharon fechou os olhos novamente. E uma nova lembrança começou a surgir. Porque aquela não tinha sido a única vez em que alguém havia viajado no tempo para encontrá-la, ou tentando salvá-la. ▪︎Ano de 2016, na torre dos Vingadores. ━ STARK! ━ A voz de Nick Fury se fez presente em segundos. ━ TONY! Ele carregava Sharon Carter nos braços e adentrava o lugar, sem a menor cerimônia. Tony apareceu no corredor quase imediatamente. ━ Fury? Então viu quem estava nos braços dele. ━ Meu Deus... Tony correu até os dois. Sharon estava inconsciente. Molhada pela chuva, com o uniforme danificado e completamente pálido. ━ Ross fez isso com ela? ━ Depois. ━ Fury respondeu, sem parar. ━ Precisamos de uma sala médica. Tony acompanhou os dois. ━ Fury, depois não existe no meu vocabulário! — Tony parou diante dele. ━ Agora! ━ Ela estava em missão e voltou! ━ E? Fury colocou Sharon sobre uma das macas da enfermaria da Torre. ━ Ela encontrou Barnes. Tony parou. ━ Barnes? Como assim ela encontrou o Barnes? ━ O Soldado Invernal. Dezesseis de dezembro de 1991. Tony ficou em silêncio por alguns segundos. Aquela data o fez congelar. ━ Tá falando de viagem no tempo? ━ Estou sim! ━ E por que diabos você a mandou para 1991? ━ Ela foi por conta própria. ━ Isso não melhora a sua situação, sabia? E nem essa ficção científica toda que tá me contando! Fury o ignorou. Tony olhou para Sharon. ━ Espera, deixa eu ver se ainda estou dormindo! ━ Ele se deu dois tapas no rosto. ━ Ela achou que podia salvar os seus pais e fazer Barnes se lembrar de quem era. Stark finalmente parou e respirou fundo. ━ Então... ━ Ele gesticulou com a mão em circulos. ━ Isso tudo está mesmo acontecendo? Fury respondeu com impaciência: ━ Sim, está! ━ E ela tentou enfrentar o Soldado Invernal para salvar os meus pais, sozinha? ━ Sim, tentou! Tony fechou os olhos por um instante. ━ Essa mulher vai acabar comigo. E se ela não acabar, a Pepper acaba! Porque se ela morrer aqui... Fury lançou um olhar para ele. ━ Ela ainda está viva, Stark! Não sei como, mas esta! Tony imediatamente voltou a atenção para Sharon. ━ Então vamos mantê-la assim. ━ Ele se aproximou da maca. ━ Sexta-feira, prepare os equipamentos médicos. A voz do sistema respondeu imediatamente. ━ Preparando. Fury permaneceu ao lado da maca. Tony começou a examinar Sharon. ━ Ela está muito debilitada. ━ Ela está grávida, Tony! ━ O QUE? ━ Stark gritou atônito. ━ E você não pensou em me dizer isso? Fury franziu a testa. ━ Você não me perguntou. Tony observou os sinais por alguns segundos. ━ Agora sim o Capitão me mata! Sharon começou a se mexer. ━ O filho na verdade, é do Barnes! Tony o olhou, literalmente boquiaberto. ━ Como é que é? ━ Bucky... — Sharon falou quase sem som. Tony e Fury se entreolharam. ━ Essa garota sempre gostou de me contrariar, sabia? ━ Tony disse a examinando. ━ Desde pequenininha! Era um pesadelo! Fury se aproximou. ━ Carter? Sharon abriu os olhos lentamente. Por um instante, pareceu não reconhecer onde estava. Então viu Fury. ━ Você... ━ Estou aqui. ━ Você me encontrou. ━ Encontrei. Sharon respirou fundo com dificuldade. ━ Eu não consegui impedir, Fury. Fury ficou sério. Tony se aproximou. ━ Sharon, isso não tem importância agora, okay? Ela olhou para ele. ━ Ele não me reconheceu. Tony respirou fundo e passou a mão no cabelo dela. ━ Tudo bem, garota! Esquece isso agora, tá? Ela respirou mais pesado. ━ Ele nem se lembra mais de 1944! Por que ele não se lembra? Tony lançou um olhar mortal para Fury. ━ Se ela morrer, anota isso na sua agendinha e grifa para não se esquecer: Eu vou te matar! — Ironizou usando-se de uma careta. Então, um estalo. Momentâneo, rápido e certeiro. ━ Espera, você disse que ela continua viva e não sabe o porquê, certo? Fury simplesmente assentiu. ━ Barnes foi sequestrado pela HYDRA pela primeira vez em 1944 e foram feitos experimentos nele. ━ Tony começou explicar. ━ Rogers o salvou, com todo o resto do batalhão, inclusive. ━ Sim! Mas o que isso tem a ver com ela estar viva? Tony lançou um olhar de incredulidade. ━ É sério que logo você não tem uma resposta pra isso? — Ironizou novamente. ━ Stark, eu não estou com tempo aqui... ━ O supersoro! ━ Stark o interrompeu. ━ A criança tem o supersoro. E como está ligada a Sharon, está impedindo que ela morra! Então... ━ Está estabilizando a Carter! ━ Fury concluiu. ━ Sim, está e de alguma forma... ━ Stark então, arregalou os olhos e olhou diretamente pra Fury. ━ O que é agora? ━ Ele perguntou de volta. ━ Ah, você vai adorar essa parte! Fury olhou sem entender quando Stark lhe deu as costas e foi até uma espécie de geladeira hermética no canto da enfermeira. ━ A Peggy me chamou quando estava doente, pouco antes de morrer. ━ Tony começou. ━ Eu achei que ela estava meio confusa e não falando coisa com coisa. Então... lembrei que herdei isso, do meu pai. Stark esticou um pequeno frasco em direção à Fury, que o encarou curiosamente. ━ Peggy repetiu várias vezes: “dê a ela.” E eu não fazia ideia do que ela estava falando, até agora! Fury pegou o frasco em mãos e olhou surpreso para Tony. ━ Isso é o que eu penso que é? Tony assentiu lentamente. ━ É. Fury voltou os olhos para o pequeno frasco. ━ O supersoro. ━ Ele mesmo. ━ Tony respondeu. ━ Ou, pelo menos, é o que meu pai dizia que era. Fury observou o líquido dentro do recipiente. ━ Como você conseguiu isso? Tony soltou uma pequena risada, ainda incrédulo com a situação. ━ Essa é a melhor parte. Eu não consegui. ━ Ele apontou para o frasco. ━ Meu pai guardou. Fury ergueu os olhos. ━ Howard? ━ Sim. Tony caminhou novamente até Sharon. ━ E a Peggy sabia. Fury ficou em silêncio. Tony continuou: ━ Ela sabia que esse dia chegaria. ━ Que dia? Tony olhou para Sharon. ━ O dia em que a sobrinha dela precisaria disso. Fury voltou a observar o frasco. ━ Então Peggy sabia que Carter iria viajar no tempo? Tony fez uma pausa. ━ Não sei. ━ Stark... ━ Fury, você sabe como a Peggy era. Ela não contava tudo para ninguém. Nem pra mim que era o afilhado dela. Nem pra Sharon que era a sobrinha. ━ Tony pegou o frasco de volta. ━ Mas aparentemente, contou o suficiente para o meu pai. Fury olhou para Sharon. ━ E você acha que isso vai funcionar? Tony ficou sério. ━ Não sei. Fury franziu a testa. ━ Então por que está tão confiante? ━ Porque o corpo dela já está sendo estabilizado por alguma coisa. ━ Tony apontou para os monitores. ━ O bebê. Fury assentiu. ━ Metade dele vem de Barnes. ━ Exatamente. Tony olhou para o frasco. ━ Se a fisiologia do bebê está ajudando o organismo da Sharon a suportar o supersoro... ━ Ele levantou o pequeno recipiente. ━ Talvez esse seja o complemento que está faltando. Fury ficou alguns segundos em silêncio. ━ E se não for? Tony encarou Sharon. ━ Então eu vou descobrir outra coisa. ━ Como? ━ Sendo Tony Stark, oras! Fury soltou um suspiro. ━ Isso não é exatamente tranquilizador. ━ Para, né? Você sabe que sou a melhor chance que tem, ou nem estaria aqui agora com ela. ━ Você pode mata-la! ━ Com licença, não sei se percebeu ainda, mas estou tentando deixá-la viva desde que pisou os seus pés aqui! Fury fez uma careta desgostosa. ━ Não me desmerece não! ━ Tony o encarou. ━ Pra quem mais você ia poder dizer que ela viajou no tempo, sem permissão, engravidou do melhor amigo do Capitão e agora quase morreu, hein? ▪︎Queenjet, no presente. Sharon Carter começou a se debater sobre a maca. Seu corpo inteiro ficou rígido por alguns segundos. ━ Kate! ━ Stephen tentou segurá-la com cuidado. Fitz imediatamente o auxiliou. ━ Segura ela! Jemma já estava ao lado da maca, preparando a medicação. ━ Estou administrando dois miligramas de Alprazolam para a convulsão! Ela aplicou a medicação pela via intravenosa e voltou os olhos para os monitores. Os números continuavam instáveis. ━ Simmons, a gente precisa descobrir como estabilizar esse soro ou a coisa não vai ficar nada boa! ━ Eu sei, Fitz! ━ Jemma respondeu, sem tirar os olhos dos monitores. ━ O organismo dela está entrando em conflito com ele! ━ Então precisamos de outra solução. ━ Stephen falou imediatamente. ━ Estamos tentando! — Jemma rebateu. Um portal dourado surgiu no meio do Queenjet. Stephen virou-se imediatamente. ━ Wong! Wong atravessou primeiro. Logo atrás dele vieram Fury, Coulson, May, Sam e Bucky. Bucky parou assim que viu Sharon. ━ O que aconteceu? Stephen não respondeu. Fury caminhou diretamente até a maca. ━ Eu tenho a solução. Todos olharam para ele. ━ Você tem? ━ Perguntou Coulson. Fury colocou a mão dentro do bolso interno do casaco. ━ A cura dela. Fury retirou um pequeno recipiente hermético. Dentro dele havia uma pequena quantidade de um líquido translúcido. Industrias Stark, estava escrito na etiqueta. Jemma arregalou os olhos. ━ Isso é... ━ Uma síntese do supersoro. ━ Fury respondeu. ━ Sim, é! Fitz pegou o recipiente, analisando-o cuidadosamente. ━ Onde conseguiram isso? Fury olhou para Sharon. ━ Em 2016. Stephen ficou sério. ━ Não podia ter dado isso antes? Fury o ignorou e continuou: ━ Tony começou a trabalhar em uma síntese. Jemma pegou o recipiente da mão de Fitz. ━ Com o quê? ━ Com o supersoro que Peggy Carter deixou para Howard Stark. Fitz olhou para Fury. ━ Peggy deixou uma amostra? ━ Sim. Fury continuou: ━ Tony combinou essa amostra com material biológico de Sharon e uma amostra obtida do cordão umbilical durante a gestação do bebê dela. ━ Bebê? Que bebê? ━ Bucky perguntou confuso. ━ Ela engravidou do Steve? Stephen então, olhou diretamente para Barnes, porém, nada falou. Sam logo, olhou aos demais. ━ Onde está esse bebê? Fury continuou mais uma vez: ━ Quem é o pai, ou o que houve com bebê, está fora de questão agora e so diz respeito a Carter. Jemma analisou novamente o líquido em mãos. ━ Isso não é exatamente o supersoro original, certo? ━ Não. ━ Fury respondeu. ━ É uma versão adaptada especificamente para ela. Stephen olhou para Sharon. ━ E você acredita que isso vai funcionar? Fury respondeu sem hesitar. ━ Tony acreditava. Stephen soltou o ar lentamente. ━ Então vamos confiar nele. Jemma já preparava o equipamento. ━ Se isso realmente for compatível com o organismo dela, pode interromper a reação. Fitz completou: ━ E talvez estabilizar o soro que já está circulando. ━ Faça. ━ Fury ordenou. ━ Vocês chegaram a conclusão que podem mata-la? ━ Bucky retrucou. ━ Você tem uma ideia melhor, Barnes? — Fury rebateu. Jemma olhou para o chefe. ━ Precisamos monitorar tudo. ━ Eu fico com ela. ━ Bucky aproximou-se da maca com autoridade. Sharon ainda estava inconsciente. Ele segurou a mão dela. ━ Aguenta firme. Stephen olhou para Bucky por um instante. Não havia competição. Nenhuma disputa. Apenas dois homens que queriam a mesma coisa. Que Sharon sobrevivesse. Jemma conectou o frasco ao acesso intravenoso. ━ Prontos? Fitz suspirou. ━ Não, mas vai fundo. Stephen permaneceu ao lado de Sharon também. Fury observou os monitores. Jemma iniciou a administração. Por alguns segundos, nada aconteceu. Então os monitores começaram a mudar. O ritmo cardíaco, antes irregular, começou a estabilizar. Fitz arregalou os olhos. ━ Está funcionando. Jemma analisou os dados rapidamente. ━ O organismo está aceitando. Stephen olhou para Sharon. Os números estabilizaram ainda mais. Bucky fechou os olhos por um breve instante. Como se finalmente permitisse a si mesmo respirar. Coulson olhou admirado. ━ Stark conseguiu. Fury assentiu. ━ Como sempre. ━ E voltou a olhar para Sharon. ━ Só que ele nunca contou a ninguém que tinha preparado isso, além do Fury! ━ Sam retrucou em seguida. May cruzou os braços. ━ Porque era o Tony. Wong soltou um pequeno suspiro. ━ E porque provavelmente queria fazer uma entrada dramática. Stephen deu de ombros. ━ Provavelmente. Então, observou Bucky olhando para Sharon e logo, notou que Fury, fazia o mesmo. ▪︎ A Torre Stark, 2016. Sharon estava estável e dormia tranquilamente em um dos quartos da Torre quando Nick saiu e fechou a porta atrás de si. No corredor, Tony Stark estava esperando. Sério. Taciturno. E, pela primeira vez naquela noite, sem nenhuma piada pronta. ━ Vou tirar Thaddeus Ross da cola do Barnes. ━ Anunciou, sem muito drama. Fury parou. ━ Você vai fazer o quê? ━ Você ouviu. ━ Stark, você sabe quem é James Barnes. Tony lançou um olhar para a porta atrás de Fury. ━ Sei. ━ Ele matou o Howard e Maria. Tony ficou em silêncio. Aquela frase ainda tinha um peso que ele jamais conseguiria ignorar. ━ Tecnicamente, foi ele, mas não foi. Fury estreitou os olhos. ━ Não existe “tecnicamente” quando se trata dos seus pais. Tony respirou fundo. ━ Eu sei que o cara fez o que fez, tá? ━ Então por que diabos você está disposto a ajudá-lo? Tony demorou alguns segundos para responder. ━ Porque eu vi os arquivos. Fury permaneceu calado. ━ Vi tudo. ━ Tony continuou. ━ O que fizeram com ele. A lavagem cerebral. As missões. As vezes que ele tentou resistir. ━ E isso muda o quê? Tony olhou para Fury. ━ Muda que James Barnes não entrou naquela estrada naquela noite porque queria matar meus pais. Fury não respondeu. ━ Ele foi colocado lá. ━ Tony continuou novamente. ━ Transformaram o cara em uma arma e apertaram o gatilho por ele. Fury ainda estava calado. Tony desviou o olhar. ━ Eu não vou fingir que está tudo bem porque não está. Fury cruzou os braços. ━ Então o que exatamente você está fazendo? Tony apontou para a porta do quarto. ━ Ela está ali. Fury olhou para trás. ━ O mais perto que tive de uma irmã! ━ Tony voltou a encará-lo. ━ E quase morreu tentando salvá-lo. Deve significar alguma coisa. Fury permaneceu em silêncio. ━ Ela foi até 1991 sabendo exatamente quem ele era. Sabendo o que faria. E mesmo assim tentou impedir isso. Por Barnes e... — Pausou. ━ Por mim! ━ Porque ela acreditava que ainda havia um homem ali. O mesmo que conheceu em 1944. ━ E havia. O Steve viu isso, Clint, Wanda, Sam, Nat, T’Challa, o tal do homenzinho formiga... — Tony respirou fundo. — Sharon! E, eu, eu não preciso gostar do Barnes, mas... ━ Mas vai ajudá-lo. ━ Vou. ━ Por quê...? Tony demorou alguns segundos. ━ Porque a Sharon vai ter um bebê dele, droga! Fury observou Tony. ━ E você acha que isso é suficiente? Tony deu um sorriso pequeno, sem humor. ━ Eu ainda estou tentando descobrir. Mas, vai ter que ser! Fury ficou em silêncio. Tony caminhou até a janela. ━ E sabe, existe uma diferença entre perdoar o Barnes e reconhecer que ele foi uma vítima também. ━ Você está dizendo que não o culpa? Tony encarou a cidade através do vidro. ━ Eu culpo quem colocou aquele homem naquela situação! ━ Uma pausa. ━ Quem transformou James Barnes no Soldado Invernal e tirou todo livre arbítrio dele! Tony então olhou para Fury, cruzando os braços. ━ E eu culpo também quem matou meus pais. Fury assentiu lentamente. ━ Mas não ele. — Tony respirou fundo outra vez. ━ Não do jeito que todos pensam. Fury ficou alguns segundos em silêncio, processando ━ E quanto ao Ross? Tony deu de ombros. ━ Ross quer colocar todo mundo atrás das grades, ainda mais, ele. ━ E você vai impedir isso? ━ Vou! ━ Mesmo depois de tudo o que aconteceu? Tony olhou novamente para a porta do quarto. Fury estreitou os olhos. ━ Você sabe que isso pode colocar você contra o governo agora. Tony sorriu de canto. ━ Fury... ━ Ele caminhou até o corredor. ━ Já coloquei meu nome em situações muito piores. E pelo amor de Deus, eu assinei aquele tratado. O cara não pode fazer nada contra mim! ━ A Nat também assinou! ━ Fury disse com calma. ━ E agora, está sendo caçada porque mudou de opinião. Tony revirou os olhos lentamente. ━ Eu não mudei de opinião. Só estou deixando a balança meio equilibrada! Fury soltou um suspiro. ━ Você é impossível, Stark! ━ Eu prefiro “persistente”. E depois, ninguém mexe com a bonitinha que está dormindo ali dentro não! Fury começou a se afastar. Tony o chamou. ━ Fury. Ele se virou. Tony ficou sério novamente. ━ Se Ross vier atrás do Barnes, ou dela... — Uma pausa. ━ Ele vai ter que passar por mim primeiro, estou avisando! Fury encarou Tony por alguns segundos. Então assentiu. ━ Entendido. Tony voltou os olhos para a porta do quarto onde Sharon dormia. ━ E ninguém precisa contar isso para ela agora também. ━ Por quê? Tony deu um pequeno sorriso. ━ Porque quando ela acordar, vai tentar sair daquela cama e ir atrás do cara. Fury suspirou. ━ Provavelmente. ━ Eu conheço aquela garota. Ela é uma Carter! E elas são teimosas por natureza! Fury abriu a porta do elevador. ━ Stark. ━ O quê? ━ Você realmente está fazendo tudo isso pelo Barnes? Tony pensou por um instante. ━ Não. Fury esperou. Tony olhou para a porta do quarto de Sharon. ━ Estou fazendo por ela também! E pelo bebê. Principalmente pelo bebê! Ele ou ela, vai precisar de um pai, o que me fa pensar. ━ Se virou para Fury. ━ Você vai contar a verdade aos dois quando a hora chegar e não vai esconder isso, em hipótese alguma, estamos entendidos? Fury apenas assentiu e então, entrou no elevador. As portas se fecharam. E Tony ficou sozinho no corredor. Sem saber que, anos depois, aquela decisão seria uma das coisas que manteriam Sharon viva. E quando Nick Fury, a olhou ali, diante dele, no presente, depois de tudo o que já havia passado, soube: Era hora de cumprir finalmente a promessa feita a Tony Stark e contar toda a verdade. Porque, por mais que doesse ou fosse cruel, não podia mais tirar deles isso. E certamente, não mais o faria. Continua...
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Promessa. ▪︎ Queenjet, no presente. O silêncio tomou conta do interior da aeronave. Sharon continuava deitada na maca, ainda inconsciente, mas os monitores finalmente apresentavam sinais estáveis. Jemma não tirava os olhos dos aparelhos. Fitz conferia os dados ao lado dela. Stephen permanecia próximo. Bucky ainda segurava a mão de Sharon. Sam observava tudo alguns passos atrás. May estava encostada à parede, séria. Coulson permanecia ao lado de Fury. E Wong, silencioso, observava o grupo. Nick Fury, porém, parecia distante. Seus olhos estavam presos em Sharon. Mais especificamente, na mulher que, anos antes, Tony Stark havia chamado de “a coisa mais próxima de uma irmã”. A promessa ainda ecoava em sua cabeça: “Você vai contar a verdade aos dois quando a hora chegar.” Fury respirou fundo. Ele havia esperado anos. Anos demais. Contado partes a Sharon. Apagado tudo depois. E quando Bucky passou a se recordar, também teve sua memória apagada outra vez. E assim foi com Jemma, Fitz, May, Sam, Zemo e quem mais viesse a saber. Coulson. Apenas ele, dividia esse segredo. Fury dizia ao seu fiel amigo: “É para a segurança de ambos.” Mas, não exatamente. Essa, era a mentira que contava a ele e, a si mesmo, todos os dias. Mas agora não havia mais como adiar. Era hora. Hora do inevitável. Coulson percebeu a mudança em sua expressão. ━ Fury? Fury não respondeu imediatamente. ━ Você está com aquela cara. Fury lançou um olhar para ele. ━ Que cara? — Respondeu finalmente. Coulson arqueou uma sobrancelha. ━ A cara que você faz quando quer que saibam algo que só você sabe! Sam imediatamente olhou para Fury. May suspirou. ━ O foi agora? Fury desviou os olhos para Bucky. O homem ainda estava ao lado de Sharon, completamente concentrado nela. Até que só então, percebeu o olhar de Fury. ━ O quê? Fury caminhou alguns passos na direção dele. ━ Precisamos conversar. Bucky franziu a testa. ━ Agora? ━ Sim, agora! ━ Ele foi taxativo. ━ Sobre o quê? Fury olhou para Sharon. ━ Sobre ela, e a sós. Barnes imediatamente ficou serio e Fury? Este apenas saiu do recinto, em direção ao escritório privativo do queenjet e, aguardou que o outro, o seguisse. Bucky entrou. Fury estava de costas, olhando pela pequena janela da aeronave. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Então Bucky fechou a porta. ━ Você disse que era sobre a Sharon. ━ E é. Bucky estreitou os olhos. ━ Então fala logo. Fury se virou. ━ Coulson disse que você se lembrou de 1944. Isso fez Barnes ficar imóvel. ━ De algumas coisas. ━ Do quanto se lembra, Barnes? ━ Fragmentos, apenas. Fury assentiu. ━ Se lembra de alguma garota chamada Dolores Armstrong? O nome pareceu provocar alguma coisa. Uma sensação distante. Um rosto. Uma voz. Uma lembrança que não conseguia alcançar completamente. ━ Dolores... Armstrong? ━ Repetiu Bucky lentamente. Fury observou cada reação dele. ━ Sim. Barnes franziu a testa. ━ Eu... ━ Pausou. ━ Eu não sei. Fury não o pressionou. Bucky fechou os olhos. Por alguns segundos, tudo permaneceu em silêncio. Então vieram imagens. Uma estação. Uma rua movimentada. Um parque de diversões. Um ursinho de pelúcia. Uma mulher usando roupas da época. Cabelos presos ruivos. Um olhar determinado. E aquela voz. “James...” Barnes abriu os olhos de repente. ━ A garota que dei o ursinho marrom com laço vermelho, no parque de diversões. ━ Ele disse finalmente. ━ Dolores, eu a chamava de Dot! Fury permaneceu em silêncio por alguns segundos. Então assentiu. ━ Exatamente. Bucky ficou olhando para ele. ━ Dot... ela era uma agente da S.H.I.E.L.D! O apelido pareceu estranho em sua própria boca. E, ao mesmo tempo, familiar. ━ Eu me lembro dela. Daquele dia... no parque. Ele fechou os olhos novamente. A lembrança voltou. O parque. As luzes. A música distante. As pessoas caminhando de um lado para o outro. E ela. Dot. O sorriso que tentava esconder. O ursinho marrom com o laço vermelho em seus braços. ━ Eu consegui o ursinho pra ela atirando argolas. ━ Ele riu. ━ Passei a maior vergonha até acertar. Mas espera aí: Bucky então finalmente olhou Fury diretamente. ━ Você disse que a conversa era sobre a Sharon e... ━ A voz de Bucky diminuiu. Seus olhos se estreitaram. A lembrança do quarto de Sharon voltou à sua mente. O ursinho. Velho, marrom, com um pequeno laço vermelho. Exatamente como o que ele havia dado a Dot. Bucky ficou imóvel. ━ Não... Fury não respondeu. Barnes deu um passo para trás. ━ Não pode ser. ━ Era a Sharon! ━ Fury finalmente disse. ━ A enviamos para proteger Capitão América da HYDRA do futuro! Barnes soltou uma risada incrédula. ━ Meu Deus... ━ Ele voltou a olhar para Fury. ━ Eu conheci a Sharon antes de saber quem ela era! ━ Não apenas a conheceu. ━ Fury fez uma pausa. ━ Você se apaixonou por ela. E vice-versa. Bucky suspirou pesado. ━ A HYDRA me fez esquecer dela! ━ Encarou Fury. ━ Mas, ela lembrava de mim? Fury respirou fundo. ━ Lembrava sim! Até eu apagar as memórias ela! Bucky o encarou, inconformado. ━ Por qu você fez isso? — Porque ela foi atrás de você na missão de 16 de dezembro de 1991. Bucky desviou o olhar. A lembrança veio novamente. A chuva. A estrada. A mulher diante dele. A voz chamando pelo seu nome. “Você é James Buchanan Barnes.” Ele fechou os olhos. ━ Ela tentou falar comigo. ━ Tentou. ━ Disse que eu não era uma máquina. Fury permaneceu em silêncio. ━ E não ouvi. ━ Barnes abriu os olhos. ━ Eu a ataquei. ━ Sim. ━ E depois fui embora. ━ Porque você ainda estava sob controle da HYDRA. Bucky respirou fundo. ━ E o que isso tem a ver com você apagar as memórias dela? Fury demorou alguns segundos para responder. ━ Sharon estava determinada a voltar. ━ Para 1991? ━ Para você. Bucky franziu a testa. Fury continuou: ━ Ela acreditava que, se conseguisse chegar até você antes da missão, poderia impedir a morte de Howard e Maria Stark. Bucky abaixou os olhos. ━ Os pais do Tony. ━ Sim. ━ E ela tentou. ━ Tentou. Foi quando eu a encontrei. Bucky ficou alguns segundos em silêncio. ━ E depois? Fury cruzou os braços. ━ Depois eu precisei tomar uma decisão. ━ Apagar as memórias dela. ━ Sim. Bucky imediatamente endureceu a expressão. ━ Você não tinha esse direito. Fury não desviou o olhar. ━ Talvez não. ━ Talvez? ━ Eu sabia o que aquelas lembranças estavam fazendo com ela, Barnes! ━ E decidiu por ela? ━ Decidi sim. Bucky deu um passo na direção de Fury. ━ Ela tinha o direito de lembrar de quem era. ━ Eu sei. ━ Tinha o direito de lembrar de mim. — Bucky disse mais raivoso. ━ Eu sei que tinha! ━ Então por quê? Fury respirou fundo. ━ Porque, naquele momento, Sharon Carter não estava pensando como uma agente. Bucky ficou em silêncio. ━ Ela estava disposta a voltar para uma época em que não deveria existir, enfrentar o Soldado Invernal novamente e tentar mudar um acontecimento que poderia destruir a própria linha temporal! ━ Ela só queria me salvar. ━ Queria. ━ E você achou que apagar isso seria melhor? ━ Achei! Porque ela poderia ter morrido ou perdido o bebê por sua causa numa próxima vez, merda! ━ Fury deixou escapar. Bucky ficou completamente em choque. A última palavra de Fury pareceu ecoar dentro da pequena sala. Bebê. Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada. E ele, se lembrou. Da lâmina, cravada acima do fígado de Sharon. Dela sendo arrancada segundos depois. E, da garota cambaleando, indo direto para o chão. Então Bucky ergueu lentamente os olhos. ━ Meu Deus... Fury percebeu imediatamente que havia falado mais do que pretendia. ━ Barnes... ━ O que foi que eu fiz? A voz de Bucky havia mudado. Não era mais raiva. Era incredulidade. ━ Não era você, Barnes. Bucky deu mais um passo. ━ Fury... você sabia que ela estava grávida quando foi para 1991? Fury respirou fundo. ━ Não. Bucky passou a mão pelo rosto, tentando organizar as próprias lembranças. ━ Só soube quando a encontrei, depois da missão. ━ Fury explicou. ━ Então, a levei ao Tony! O único que não me encheria de perguntas e os salvaria. Bucky ficou em silêncio. Tinha medo da pergunta que queria fazer. ━ Stark salvou aos dois. Barnes levantou os olhos e respirou fundo, praticamente aliviado. Fury continuou: ━ Tony percebeu que havia alguma coisa mantendo o bebê estável. A fisiologia dele era diferente. Por causa do soro que tinha em você! Bucky ficou alguns segundos processando aquilo. ━ E o que ele fez? ━ Começou a procurar uma maneira de estabilizar Sharon também e conseguiu, como você bem sabe que expliquei, ainda pouco. Bucky desviou o olhar, pensativo. ━ Olha, eu poderia passar a noite toda aqui, te explicando as coisas. Ou te contando memórias. Mas acho, que posso te dar algo melhor: A opção de tê-las de volta, se assim o quiser. Bucky permaneceu em silêncio. A proposta de Fury parecia simples. Mas não era. Ter suas memórias de volta significava recuperar uma parte de sua vida que havia sido arrancada dele. Significava lembrar de Sharon. De Dot. De 1944. Do que viveram juntos. E também significava encarar tudo aquilo que havia acontecido depois. ━ Você pode fazer isso? Fury assentiu. ━ Posso. ━ Como? ━ Da mesma maneira que fiz você esquecer antes. Bucky imediatamente estreitou os olhos. ━ Só que dessa vez eu vou escolher. ━ Exatamente. Barnes abaixou os olhos. Por alguns segundos, ficou olhando para a própria mão. ━ E se eu disser não? ━ Eu irei respeitar a sua decisão. ━ Mesmo sabendo que essas lembranças podem mudar tudo? ━ Sim. Bucky respirou fundo. ━ Você realmente está me dando uma escolha? Fury o encarou. ━ Estou. Eu prometi ao Stark que contaria tudo. ━ Ele suspirou. ━ Tá na hora de cumprir essa promessa. Se você quiser, é claro. A ideia parecia absurda. Mas havia alguma coisa dentro de Bucky que, desde que vira aquele ursinho marrom com a fita vermelha, não conseguia mais ignorar. Uma sensação de reconhecimento. De pertencimento. Como se uma parte de sua história tivesse sido arrancada e agora estivesse batendo à porta. ━ E se eu lembrar de coisas que não quiser me lembrar? ━ Então vamos lidar com elas quando chegarem. Bucky ergueu os olhos. ━ Não parece muito tranquilizador. ━ Eu nunca fui conhecido por tranquilizar ninguém, sargento Barnes. ━ Eu quero me lembrar! Fury assentiu e caminhou até a porta do escritório. ━ Vai perguntar a Sharon também sobre isso? Fury parou com a mão na maçaneta. ━ Eu não preciso! Então, olhou rapidamente para trás, dizendo por fim: ━ Já sei exatamente qual a decisão que ela irá tomar! (...) A porta da enfermaria se abriu lentamente. Bucky entrou em silêncio. Sharon ainda estava deitada, mas agora os monitores mostravam sinais mais estáveis. O soro continuava sendo administrado, e Stephen permanecia próximo à cabeceira, observando os números com atenção. Fury havia cumprido sua palavra. As lembranças de Bucky haviam voltado. E, pouco depois, as de Sharon também. Não havia mais lacunas. Não havia mais aquela sensação inexplicável de conhecer alguém sem saber por quê. Agora eles lembravam. De tudo. Ele parou ao lado da cama. Por alguns segundos, apenas observou Sharon. A agente. A mulher que ele conhecera como Dot. A mesma pessoa. Sharon abriu os olhos lentamente. Seu olhar encontrou o dele. E, dessa vez, não houve confusão. Ela soube imediatamente quem estava diante dela. ━ James... Bucky respirou fundo. Aquele nome. Aquele simples nome. Havia passado décadas sem ouvi-lo daquela maneira. Não como uma identificação. Não como um arquivo. Mas como alguém que realmente o conhecia e, o amava. ━ Oi boneca. Ela tentou se mexer, mas Bucky imediatamente colocou uma mão sobre o ombro dela. ━ Devagar, Dot! Sharon olhou para ele. Por um instante, parecia ainda estar tentando organizar tudo. Stephen rapidamente se levantou, para assim, dar privacidade a ambos. Mas parou e então, perguntou em um tom meio incrédulo e também, brincando: ━ Pelo amor de Deus, mulher. Quantas identidades você tem? Sharon olhou para Stephen. Por alguns segundos, ficou em silêncio. Então, um pequeno sorriso apareceu em seu rosto. ━ Algumas. Stephen arqueou uma sobrancelha. ━ Algumas? Bucky soltou uma risada baixa. ━ Você não faz ideia. Stephen apontou para Sharon, ainda incrédulo. ━ Kate Bennett. Dolores Armstrong... Sharon Carter... ━ Dot. ━ Bucky acrescentou. Stephen olhou para ele. ━ Era um apelido, para Dolores. ━ Claro. ━ Stephen balançou a cabeça. ━ Porque aparentemente, uma identidade só não era suficiente. Precisava de um apelido também! Sharon tentou conter uma risada. ━ Eu estava trabalhando. ━ Trabalhando? ━ Stephen cruzou os braços. ━ Você conseguiu ter mais identidades do que eu tive empregos. Bucky olhou para Sharon. ━ Ela sempre foi assim. ━ Obrigada pelo apoio, James. ━ Não foi um elogio. Sharon sorriu. Stephen finalmente deu alguns passos para trás. ━ Certo. Eu vou deixar vocês conversarem. Ele olhou para Bucky. ━ Mas nada de fazer ela se esforçar demais. Bucky assentiu. ━ Entendido, doutor. Stephen voltou os olhos para Sharon. ━ E você... nada de tentar levantar sozinha. ━ Eu não ia. Stephen a encarou. ━ Você literalmente tentou se levantar enquanto estava ligada a quatro aparelhos. Sharon desviou o olhar. ━ Detalhes. ━ É exatamente esse tipo de detalhe que me preocupa. Bucky riu novamente. Stephen caminhou até a porta, mas antes de sair, olhou mais uma vez para os dois. Havia algo diferente naquela sala. Não era apenas a recuperação de memórias. Era como se duas pessoas que haviam passado décadas procurando respostas finalmente tivessem encontrado uma à outra novamente. ━ Vou dar privacidade a vocês. ━ Ele abriu a porta e saiu. ━ Ainda bem que não contei sobre ter sido o Mercador do Poder também! ━ Sharon brincou. ━ Acho que ele ia surtar! Bucky imediatamente soltou uma risada. ━ Ele definitivamente ia. Sharon virou o rosto para ele. ━ Você não surtou. Bucky balançou a cabeça em negativa. ━ Você apareceu naquela noite e eu pensei: “É claro que é ela.” ━ E sorriu. ━ Eu sou esperto, garota. Sharon sorriu e logo, a porta se abriu. Era Fury. ━ Eu tenho algo pra vocês! Bucky olhou para Sharon e então, Fury deu um passo para o lado. Barnes franziu a testa. Sharon ficou imóvel. Diante deles estava Steve Rogers. Por alguns segundos, nenhum dos dois conseguiu dizer nada. Steve apenas os observava com um sorriso discreto. ━ Olá, Sharon. Bucky. ━ E disse num tom brincalhão. ━ Eu acho que a gente tem que conversar! Sharon arregalou os olhos. ━ Steve... Bucky olhou para Fury, completamente confuso. ━ O que está acontecendo? Fury não respondeu. Porque, naquele momento, Peggy apareceu. E estava segurando uma criança pequena nos braços. Uma garotinha de aproximadamente dois anos. Cabelos loiros claros, olhos atentos e uma pequena expressão curiosa enquanto observava as pessoas naquela sala. Sharon levou a mão à boca. Seu coração pareceu parar. ━ Meu Deus... Peggy sorriu. ━ Olá, querida. Carter olhou para a criança. Depois para Peggy. Depois novamente para Fury. ━ Nick... ━ A voz saiu baixa. Bucky permanecia completamente estático. Ele não conseguia desviar os olhos da menina. Fury finalmente falou: ━ Margaret Dolores. Sharon sentiu os olhos marejarem. ━ Maggie... Peggy assentiu. ━ Margaret Dolores Carter-Barnes. Bucky respirou fundo. Aquele nome. Aquela criança. Sua filha e de Sharon. Por alguns segundos, ele simplesmente não conseguiu reagir. Sharon olhou para ele. Maggie observou aos pais. E, então, estendeu uma pequena mão na direção de Barnes. Bucky quase parou de respirar. Seus olhos se encheram de lágrimas. Sharon fechou os olhos por um instante. Aquela era a resposta que havia esperado durante anos. A criança que ela acreditara ter perdido, depois reencontrara com sete anos de idade. A mesma criança que Fury escondera. A criança que Tony havia ajudado a proteger. Estava ali. Viva. E isso, a fazia ficar aliviada. Peggy aproximou-se da cama e entregou Maggie cuidadosamente para Sharon que, a recebeu com os braços trêmulos. A menina imediatamente se acomodou contra ela. Carter não conseguiu segurar as lágrimas. ━ Minha garotinha... Bucky ficou ao lado delas. Maggie abriu os olhos novamente e olhou para ele. James estendeu um dedo. A pequena mão dela segurou-o com força. Bucky sorriu. ━ Oi, Maggie. Sharon olhou para os dois. E naquele instante, todas as peças finalmente se encaixaram. ━ Fury, a HYDRA, você disse... Fury cruzou os braços. ━ Von Strucker está preso! E a Valentina, não é nem maluca de tentar vir atrás dessa criança comigo aqui presente! Sharon levantou os olhos. ━ Mas e a TVA? ━ O que tem ela? ━ Eles disseram que não se pode mexer com o fluxo temporal e... ━ O fluxo temporal que se dane! ━ Fury esbravejou. ━ E depois, o Loki me devia um favorzinho. Então fiz questão de cobrar pessoalmente. Steve soltou uma pequena risada. Peggy apenas balançou a cabeça. ━ Nicholas Fury sempre foi péssimo em seguir regras. ━ Eu prefiro chamar de criatividade, Peggy. E você também, não pode falar muito! — Ah, é. Ela não pode! ━ Steve também brincou. Bucky olhou para Fury. ━ Você trouxe nossa filha através do tempo? ━ Eu trouxe uma família de volta ao lugar onde deveria estar. Simples assim! Teria ido mais além e a trazido recém-nascida, mas... ━ Fury os encarou. ━ Sharon passou dois anos inteiros no passado com ela e... bem... poderia ter colapsado a linha do tempo inteira e... Sharon apertou Maggie com cuidado contra si. — Ela está aqui agora. E é só isso o que importa. Então olhou para Steve e Peggy. ━ Vocês dois vão ficar também? Peggy sorriu. ━ Temporariamente, diretora Carter! Sharon entendeu imediatamente. A promessa de décadas antes. A promessa que Peggy havia feito sem poder explicar quando chegaria o momento. ━ Tia Peggy... ━ Nick e eu não vemos outra pessoa tão competente quanto você para exercer essa função! ━ O Coulson... ━ Coulson precisa de uma folga, depois de tudo. E, bem, nossa agência estará em ótimas mãos! ━ Fury disse suave. ━ Disso, eu tenho certeza! Sharon sorriu e então, assentiu, sentindo as lágrimas virem em seu rosto. ━ Isso significa que ela vai mandar em mim agora? ━ Bucky brincou imediatamente. Sharon deu uma risada. ━ Ah, você se acostuma! ━ Disse Steve de modo brincalhão. Então, abraçou Peggy e olhou com orgulho para a sobrinha. Bucky por fim, olhou para Sharon outra vez e sorriu. Desde que recuperara suas memórias, não havia nenhuma pergunta sem resposta em seus olhos. Não mais. Havia luz, amor e paz. Algo que, nem mesmo ele, achou que seria possível ter. Olhou mais uma vez para a filha e abriu um sorriso gigante. A família que havia sido separada pelo tempo estava finalmente reunida. Eles tinham uma vida juntos agora. E Fury, pela primeira vez, não precisava apagar memória alguma. Finalmente ambos estavam livres. Livres, para terem a vida que realmente mereciam. Fim da segunda temporada.
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ Pequeno Fragmento. ▪︎ 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃. — Algumas semanas mais tarde. Sharon e James foram chamados por Fury para uma reunião. Enquanto andavam juntos pelo longo corredor. Ele, foi o primeiro a perguntar: ━ Se a diretora agora, é você, por que estou aqui? Ela deu de ombros. ━ É o que vamos descobrir! Bucky entrou na sala e se acomodou junto de Sharon. Estavam sentado à mesa quando Fury entrou. Os dois trocaram um olhar, parecendo cúmplices. ━ O que foi agora? ━ Bucky perguntou. Fury colocou uma pequena caixa metálica sobre a mesa. ━ Presentes. Bucky estreitou os olhos. ━ Eu não gosto quando você chama alguma coisa de presente. ━ Problema seu. Bucky fez uma careta e Sharon cruzou os braços. ━ Fury... Fury então, abriu a caixa. Dentro havia um pequeno dispositivo de ativação. ━ Tecnologia de Wakanda. Bucky olhou para Fury. ━ Wakanda? Você também? ━ Eu tenho alguns contatos por lá. Sharon soltou uma pequena risada. ━ “Alguns contatos”, tipo a Shuri? ━ Carter, eu dirigi a S.H.I.E.L.D. Não faria isso sem contatos. Ele apertou o dispositivo. A estrutura metálica se abriu. Bucky ficou totalmente imóvel. Um novo braço estava ali. Mas não parecia uma prótese dessa vez. A superfície tinha textura, contornos e tonalidade semelhantes à pele humana. Os dedos se moviam com precisão, acompanhando perfeitamente a anatomia de um braço verdadeiro. Barnes não disse nada. Fury empurrou a caixa em sua direção. ━ Vibranium. Tecnologia wakandana. Adaptado especificamente para você. Shuri já tinha seus moldes. Barnes lentamente tocou o braço. ━ Parece... humano. ━ Essa era a ideia. Bucky ergueu os olhos. ━ Por quê? Fury deu de ombros. ━ Porque você passou tempo demais sendo lembrado pelo braço que perdeu. Bucky ficou em silêncio. Sharon observou a expressão dele mudar, então, tocou o ombro dele devagarzinho. ━ Vai lá, experimenta! ━ Isso foi ideia sua? ━ Bucky indagou. ━ Não! Totalmente dele! ━ Disse apontando para Nick Fury. Fury então olhou para ela. ━ Você também tem alguma coisa. ━ Eu? ━ Você. Fury caminhou até a outra extremidade da sala. Uma porta se abriu. Duas agentes entraram carregando um estojo grande. Sharon franziu a testa. ━ Nick... ━ Abra. Ela se aproximou. Quando o estojo foi aberto, Sharon ficou sem palavras. Dentro estava um uniforme. Azul, vermelho e branco. Inspirado nas linhas clássicas do uniforme de Steve Rogers, mas claramente diferente. Era mais moderno. Mais elegante e, funcional. O símbolo no peito era uma estrela. E, ao lado do uniforme, havia um escudo. De vibranium, claramente. Sharon lentamente, disse: ━ Você só pode estar brincando comigo! ━ Não. Ela tocou o tecido. ━ O que é isso? Estrelas e listras? Para mim? ━ E riu, de nervoso. Fury respondeu: ━ Não. É uma escolha. Sharon olhou diretamente para ele. ━ Uma escolha? ━ Sim, uma escolha que seu namorado e seu melhor amigo concordaram comigo que seria boa! Sharon deu uma pequena risadinha. ━ Claro que concordaram! ━ E olhou agora para Bucky. ━ Você assumiu a direção da S.H.I.E.L.D. ━ Fury explicou. ━ E eu achei que para os três, seria o suficiente! Fury então, a encarou, mais sério: ━ Wilson, Barnes e eu, achamos que realmente está destinada a muito mais do que esta cadeira. ━ Fury... ━ Mas isso aqui... ━ Ele apontou para o uniforme. ━ ...não faz parte do cargo. Sharon ficou olhando para a estrela. ━ Então por que me dar isso? Fury permaneceu em silêncio por alguns segundos. ━ Porque você passou a vida inteira acreditando no Capitão América. Ela desviou o olhar. ━ Passei. ━ E passou alguns anos acreditando que o símbolo tinha deixado de significar alguma coisa. Sharon não respondeu. Fury continuou: ━ Você não precisa ser Steve Rogers. Ela olhou novamente para o uniforme. ━ Nem quero ser. ━ Ótimo. ━ Fury apontou para o escudo. ━ Porque este não é o escudo dele e sim, seu. Ela respirou fundo. Bucky, agora com o novo braço parcialmente encaixado, observava a cena. ━ Senhorita América? ━ Perguntou lendo embaixo do uniforme. Sharon olhou para ele. ━ Eu falava isso quando era pequena para a tia Peggy! Que seria a Senhorita América, para ajudar o Capitão. Bucky sorriu. ━ Combina com você. Ela ergueu uma sobrancelha. ━ Você acha? ━ Acho. E seus tios, também! Sharon voltou a olhar para o uniforme. Por muito tempo, ela havia admirado as estrelas no uniforme de Steve. Agora havia outras estrelas diante dela. Não pertenciam a Steve. Não pertenciam a Peggy. Não pertenciam ao governo. Pertenciam à mulher que Sharon Carter havia se tornado. ━ Foi pra isso, a última reunião de família? Para decidirem o meu destino, sem mim? ━ Carter perguntou. Fury caminhou até a porta. ━ Ninguém está decidindo nada por você! Sharon permaneceu diante do uniforme. ━ E se eu decidir não vestir? Fury olhou para trás. ━ Então continuará sendo diretora Carter. ━ Ele fez uma pausa. ━ Mas? ━ Mas, se decidir vestir... Sharon completou: ━ Serei a Senhorita América. Fury assentiu. ━ Exatamente. Bucky olhou para o próprio braço. Moveu os dedos e fechou a mão, perfeitamente. Então olhou para Sharon. ━ Parece que nós dois ganhamos alguma coisa hoje. Ela sorriu. ━ Não. Sharon passou os dedos sobre a estrela do uniforme. ━ Acho que nós dois finalmente recebemos uma escolha. E olhou para Fury: ━ Finalmente, poderemos ser quem realmente quisermos ser! ━ Pausou, olhando o uniforme novamente diante de si. Depois, olhou para Bucky e, só então, concluiu: ━ E esse, é o maior presente que poderíamos ganhar!
꧁𝐀𝐠𝐞𝐧𝐭 𝟏𝟑 — 𝐎𝐟 𝐒.𝐇.𝐈.𝐄.𝐋.𝐃 𝐒𝐮𝐩𝐞𝐫 𝐒𝐩𝐲.꧂ ➭ 𝐀 𝐩𝐫𝐢𝐦𝐞𝐢𝐫𝐚 𝐯𝐞𝐳. ▪︎Flashback. 》Ano de 2014. Sharon Carter havia acabado de salvar o doutor Stephen Strange de ser executado pelo Soldado Invernal. E, desde o momento em que Strange a viu enfrentar Barnes, uma coisa não saía de sua cabeça. “Ele pareceu conhecer você.” Por horas, enquanto atravessavam diferentes pontos seguros até chegarem a um local protegido, Stephen insistiu naquilo. ━ Ele já te viu antes, Kate! Sharon continuava dirigindo. ━ Você estava prestes a morrer. Seu cérebro provavelmente está confundindo as coisas. ━ Não. ━ Strange franziu a testa. ━ Não é isso. É um pressentimento. Ela lançou um olhar rápido para ele. ━ Então esqueça. ━ Kate... ━ Doutor Strange, esquece! ━ O tom dela encerrava a conversa. ━ Eu nunca vi aquele homem em toda a minha vida! E isso, é uma certeza. (...) Sharon apertou a nuca. Estava na sede da S.H.I.E.L.D, onde agora, era a diretora. Olhando-se no espelho do banheiro, ela respirou fundo. Daniel Von Strucker estava preso. Bucky e ela, livres com a filha junto deles. Então, por que a maldita sensação de que tudo poderia desabar a qualquer momento? Pegando um frasco do bolso, tomou uma pílula e engoliu um pouco de água da torneira, recém colhida em mãos. ━ Está tudo bem! E não há nada com o que se preocupar! ━ Disse a si mesma, tornando a olhar-se no espelho. Era como se tentasse reconhecer a si mesma ali. Então, vieram batidas à porta. ━ Diretora? Era Jemma Simmons do outro lado. Sharon fechou os olhos por um instante. Guardou o frasco novamente no bolso do blazer e passou as mãos pelo rosto, certificando-se de que nenhuma emoção permanecesse ali. A mulher diante do espelho voltou a ser a diretora da S.H.I.E.L.D. ━ Pode entrar, Simmons. A porta se abriu. Jemma Simmons entrou segurando um tablet contra o peito. ━ Desculpe interromper. ━ Você nunca interrompe. Jemma arqueou uma sobrancelha. ━ Isso foi estranhamente gentil. ━ Brincou. Sharon soltou uma pequena risada. ━ Aproveite. Não acontece com frequência. ━ Sorriu. Jemma sorriu também, mas logo percebeu que havia algo errado. ━ Você está bem? ━ Estou. ━ Tem certeza? ━ Doutora Simmons... ━ Diretora Carter! Sharon suspirou pesado. ━ Eu estou bem. Jemma observou o rosto dela por alguns segundos. ━ Você não parece bem! Sharon ficou imóvel. Muito pouco. Mas o suficiente. ━ Sharon... ━ É só uma dor de cabeça. ━ De novo essa dor de cabeça? ━ Eu estou bem, Jemma! Ela não insistiu. Pelo menos, não naquele momento. ━ Certo. ━ E ergueu o tablet. ━ Eu vim avisar que terminamos de analisar os arquivos recuperados da operação contra o Strucker. O semblante de Sharon mudou imediatamente. ━ E? ━ Encontramos algumas coisas interessantes. ━ Como o quê? Jemma hesitou. ━ Documentos antigos da HYDRA. Sharon cruzou os braços. ━ Sobre Von Strucker? ━ Não exatamente. Jemma virou o tablet e mostrou uma fotografia. Sharon reconheceu imediatamente. Um homem. Cabelo castanho. Olhos azuis. Braço metálico. O Soldado Invernal. Por uma fração de segundo, o banheiro desapareceu. Ela voltou para aquela estrada. A mesma que estava em 2014. Para o carro. Para a janela se quebrando e, para tudo. ▪︎Ano de 2014. 》Na estrada. Quando finalmente chegaram ao ponto seguro, Sharon entregou Strange aos cuidados de Bobbi Morse. Sua missão estava concluída. Agora precisava voltar para casa. Voltou a dirigir, por algumas horas para continuar. Continuar fingindo que tudo estava normal até que a S.H.I.E.L.D. descobrisse quem era o traidor dentro da própria organização. Continuar sendo uma das únicas em que Nicholas Fury confiava. E, se tivesse sorte, a HYDRA ainda não saberia que ela havia interceptado os planos deles. Alguns minutos depois, parou rapidamente em um sinal. O silêncio dentro do veículo parecia estranho. Ela olhou pelo retrovisor. Nada. Ainda assim, havia aquela sensação. Aquela sensação incômoda de estar sendo observada. O celular vibrou. Sharon olhou para o visor. “Pacote entregue.” Ela soltou o ar que nem havia percebido que estava prendendo. ━ Finalmente... Guardou o celular e voltou a dirigir. Mas a sensação permaneceu. O posto de gasolina surgiu na estrada alguns minutos depois. Sharon encostou. Entrou na loja de conveniência e comprou um café. Pagou em dinheiro. Pegou também por um celular descartável. Quando voltou para o carro, olhou mais uma vez ao redor. Nada. Ela então tirou o celular original do bolso. Abriu a porta do veículo. Jogou o aparelho em um canto do estacionamento. E pisou sobre ele. Uma vez. Duas. Até a tela se partir. Sharon entrou novamente no carro, fechou a porta e colocou o cinto. O café foi acomodado no suporte. Ligou o motor e partiu. Por alguns segundos, tudo parecia normal. Então... Um solavanco. Sharon segurou o volante com força. Seus olhos foram imediatamente para o retrovisor. A rua estava vazia. Ela respirou fundo. Tomou um pequeno gole do café com toda a calma e continuou. Até que, percebeu um carro parado mais adiante. Ainda distante. Seu corpo inteiro entrou em alerta. Segurou no volante para dar a volta. Antes que pudesse sequer pensar nisso, uma sombra surgiu ao lado do veículo. Sharon pisou no freio, bruscamente. O pneu derrapou. E, no segundo seguinte, a janela ao lado dela explodiu em estilhaços. A porta do motorista foi arrancada com violência. Ela, mal teve tempo de reagir. Porque ele, ele estava ali. Jaqueta de couro. Olhar frio. Movimentos precisos. E aquele braço de metal, inegavelmente familiar: O Soldado Invernal. Sharon tentou alcançá-lo com um soco. Ele desviou. Ela tentou alcançar a arma no banco do passageiro. Tarde demais. Barnes avançou. Segurou seus braços antes que ela pudesse reagir. Ela se debateu e tentou acertá-lo com o joelho. Nada. Ele era simplesmente forte demais. Até mesmo pra ela. ━ Me solta! Nenhuma resposta. Então, um pano cobriu sua boca e seu nariz. O cheiro forte invadiu suas narinas. Sharon tentou se desvencilhar. Tentou morder a mão que a segurava. O Soldado Invernal sequer recuou. A mão metálica segurou seu pescoço com firmeza, o suficiente para imobilizá-la. A visão começando a ficar turva. Os sons ao redor ficando cada vez mais distantes. Sharon lutou contra o próprio corpo. Mas suas forças estavam desaparecendo, pouco a pouco. Até que seus olhos encontraram os dele. Azuis. Os mesmos olhos em 1ue Stephen Strange havia visto algo. Os mesmos olhos que, por algum motivo, pareciam familiares demais para ela agora. Só que havia algo diferente. Por uma fração de segundo, Sharon teve a impressão de enxergar algo naquele olhar. Não era a frieza do assassino. Era... Confusão? Ou quem sabe, reconhecimento. Não soube dizer. A última coisa que viu antes de perder totalmente a consciência foram aqueles olhos azuis fixos nos seus, novamente até, seu mundo todo, escurecer. (...) Sharon piscou algumas vezes levando a mão novamente a nuca. Um som agudo nos ouvidos. Um chiado. Como se tivesse saído de uma explosão. Jemma percebeu algo errado, rapidamente. ━ Sharon? Silêncio. Sharon olhou novamente para a fotografia. A mesma roupa. A mesma do dia que o Soldado Invernal a sequestrou. ━ Conheço esse lugar. Jemma franziu a testa. ━ Sharon... Ela pegou o tablet das mãos de Jemma. Passou para a próxima página. E congelou. Havia um documento: Classificação máxima. “PROJETO WINTER SOLDIER, EXPANSÃO DE PROTOCOLO” Abaixo, vários nomes. Alguns riscados. Outros marcados como mortos. E então, ela leu: “CARTER, SHARON.” Jemma entrou em choque. ━ Meu Deus... Sharon não disse nada. Continuou lendo, totalmente concentrada, até encontrar uma anotação. “SUJEITO 13, CAPTURA PRIORITÁRIA. •Não eliminar. •Potencial de condicionamento superior ao padrão do Soldado Invernal. •Possui uma dose pequena do supersoro. Jemma olhou para ela. ━ Eles estavam tentando... ━ Me transformar nele. ▪︎2014, na base da HYDRA. Quando Carter recobrava a consciência, não sabia dizer quanto tempo havia passado. Minutos. Horas. Talvez mais. A água gelada atingiu seu rosto, e ela abriu os olhos imediatamente. Respirou fundo, tentando se mover. Foi então que percebeu que seus pulsos e tornozelos estavam presos a uma cadeira. Mas não foi isso que chamou sua atenção. Foi o homem diante dela. Alexander Pierce. Diretor da S.H.I.E.L.D. Ou, pelo menos, era isso que ele fingia ser. Ela ergueu lentamente o olhar. ━ Pierce... Ele sorriu. ━ Por que não estou surpresa? Pierce deu uma pequena risada e se inclinou até ficar cara a cara com ela. ━ Porque fez sua lição de casa, agente 13. Sharon piscou algumas vezes e ele, observou a cadeira. ━ Está confortável? Ela então olhou ao redor. A sala. Os homens. As armas. E, voltou a encará-lo, sem medo algum. ━ Vai se foder, seu traidor de merda! PÁ. O tapa virou seu rosto para o lado. Sharon ficou em silêncio por alguns segundos. Então lentamente voltou o rosto. E foi aí que o viu. Parado no canto da sala, imóvel, com a jaqueta de couro habitual e, o braço metálico: James Buchanan Barnes. O melhor amigo de Steve Rogers. Um homem que deveria estar morto, que a história dizia ter desaparecido décadas atrás e que agora, estava diante dela, outra vez. Sustentou o olhar. E, pela primeira vez desde que acordara, seu rosto perdeu completamente a expressão de deboche. Porque aqueles eram os mesmos olhos. Os mesmos que haviam encontrado os dela antes de sua consciência desaparecer. (...) ━ Você sabia? A voz de Jemma Simmons, a trouxe de volta ao presente. Sharon continuou olhando para o documento. ━ Não! ━ Ela mentiu. ━ Isso, foi quando você desapareceu? Sharon finalmente ergueu os olhos. ━ Foi. Jemma ficou em silêncio. ━ Por quase dois meses. Sharon soltou uma risada sem humor. ━ Parece que agora, a gente já sabe onde eu tava! ━ Sharon... ━ Jemma hesitou. ━ Você sabia? ━ Eu fui levada até o Pierce e, bom, ele... ━ Pausou. ━ Ele tinha uma amostra do soro, da tia Peggy! Jemma ficou pálida. Sharon olhou para a fotografia novamente. Aquele mesmo olhar. Mesmo homem. O que, anos depois, seria seu quase marido e, o pai de sua filha. ━ Barnes foi quem me capturou. Jemma respirou fundo. ━ Ele estava sob controle da HYDRA. ━ Sharon... Carter fechou o arquivo. ━ E foi exatamente por isso que eu nunca consegui odiá-lo. Jemma observou a amiga. ━ O que isso quer dizer? (...) ▪︎A base da HYDRA. 》Ano de 2014. ━ Eu não vou te dizer onde está Stephen Strange porque não sei. E mesmo que soubesse, não te diria! Sharon esbravejou e, então, se deu conta do líquido azulado que estava entrando nas veias dela. Algo extremamente dolorido e quente. ━ O soro da verdade não vai funcionar! Eu realmente não sei onde ele tá! Alexander deu um pequeno sorriso. ━ Eu sei! Você passou os últimos três dias me dizendo isso enquanto ele te torturava! ━ E apontou para Barnes. Um pouco confusa, ela piscou algumas vezes ━ Você tá mentindo! Alexander, mostrou a tela do celular. Realmente, não estava mentindo. O dia e hora estavam ali, ao vivo, diante de Sharon. ━ Se o Nick estivesse vivo agora, estaria desesperado atrás de você, sabia? Sem esboçar reação alguma, porque era muito bem treinada pra isso, ela sentiu o soro arder no corpo novamente e, apertou os olhos. ━ Sua tia, era uma visionária e, me deu a melhor arma para domesticar você! Sharon piscou mais algumas vezes, olhando à volta dela. ━ Eu... ━ Disse mais baixo. ━ Eu não sei do que está falando. E ela, ainda não morreu! ━ Mas, está perto, não está? ━ Disse ele, olhando-a nos olhos. Alexander ficou analisando Sharon por alguns segundos. ━ O que ela preparou, especialmente pra você... Pausou. ━ É bastante potente e dolorido, não é mesmo? Pierce caminhou lentamente pela sala, vendo Sharon se contorcer de dor. ━ Sua tia passou anos estudando o supersoro. Analisando o que ele fez com Steve Rogers. Tentando compreender como aquilo poderia ser reproduzido sem destruir o organismo de quem recebesse a fórmula. Sharon desviou o olhar. Pierce parou atrás dela. ━ E ela conseguiu, injetando a primeira dose, em você. Os olhos de Sharon se estreitaram. ━ Peggy nunca faria isso sem meu consentimento! ━ Vacina para o sarampo! Ele voltou para sua frente. ━ Quando você tinha... dezesseis! Sharon sentiu o estômago se contrair. ━ Mentira. ━ Quatro doses. Pierce ergueu um pequeno recipiente transparente. O líquido azulado refletiu a luz branca do laboratório. ━ Uma para cada época, eventualmente. Sharon encarou o frasco. ━ Como você conseguiu isso? ━ Howard Stark, em Dezembro de 1991. Ela ficou em silêncio. Pierce sorriu. ━ A confiança entre famílias pode ser uma coisa muito útil quando você sabe exatamente onde procurar. Sharon fechou as mãos. ━ Se você realmente tivesse uma amostra do supersoro, já teria usado em mim. ━ E o que você acha que está tomando agora? ━ Ironizou. ━ Composto para hidratação? Sharon entortou a boca. ━ Você disse que são quatro amostras! E, se eu tomei uma aos dezesseis, estou tomando uma agora e, tem uma na sua mão... ━ Ela deu uma risadinha sarcástica. ━ Não está te faltando nada não? Pierce arrancou a agulha da veia de Sharon com voracidade, a fazendo gemer de dor, pela primeira vez, naquela noite. Um dos cientistas, correu até Sharon, tentando estancar o sangue com um algodão. ━ Não se preocupe, Carter. Isso não será um problema para mim! ━ E olhou para Barnes, no canto do salão. ━ Soldado, leve-a para as instalações! Automaticamente, Barnes já estava se aproximando de Carter enquanto o cientista a soltava. ━ Fica, fica longe de mim! ━ Sharon disse, quase sem som, a beira da inconsciência. Barnes parou por um instante. Apenas um, mas parou. Pierce estreitou os olhos. ━ Soldado. Barnes voltou a se mover. Sharon tentou recuar na cadeira, mas as pernas já não respondiam direito. ━ Não... ━ Sua voz saiu fraca. Barnes chegou até ela. Segurou-a pelos braços e a levantou da cadeira de uma vez. Sharon tentou se soltar. ━ Eu disse... fica longe... Ele não respondeu. A expressão continuava vazia. Mecânica e condicionada. Entretanto, quando Sharon perdeu o equilíbrio, ele a segurou antes que caísse. Rápido até demais. E, por um segundo, os dois ficaram próximos. Os olhos azuis dele encontraram os dela, novamente. A sensação. A mesma da estrada. A mesma que Stephen havia percebido. Sharon respirou com dificuldade. Barnes permaneceu imóvel. Algo passou por seu olhar. Rápido demais para Pierce perceber, mas passou. ━ Soldado! ━ Pierce chamou novamente. Barnes virou o rosto, a pegando nos braços e,começou a levá-la para fora. Sharon fechou os olhos, sem conseguir evitar mais. E, a última coisa que ouviu foi uma voz distante. ━ Preparem a sala de condicionamento. Nós vamos começar os testes. (...) Sharon abriu os olhos. Simmons, estava ao seu lado. E no instante seguinte em que se sentiu vigiada, viu Bucky parado na porta do banheiro. Ela não sabia em qual momento da conversa, mas era óbvio que Jemma, o havia chamado. Então, seus olhos, encontraram os dele e, James pareceu entender todo o pavor que estavam neles. Sharon, por sua vez, começou a se lembrar mais uma vez. Se lembrar, de coisas demais. Todo ao mesmo tempo e tudo, meio desconexo, mas ao mesmo tempo, não. (...) ▪︎Ano de 2014. Os últimos dias, foram uma lacuna sem respostas aos quase dois meses desaparecida. Então, pouco depois, houve a queda da S.H.I.E.L.D. Questionamentos, não eram bons agora. O mundo havia mudado. A organização que conhecia já não existia da mesma forma. As pessoas estavam desconfiadas. Agentes estavam espalhados. Identidades haviam sido expostas. E, pela primeira vez em anos, Sharon não sabia exatamente qual seria meu próximo passo. Estava parada em frente ao hospital. Não usava o uniforme de Kate. Era Sharon Carter novamente. Stephen apareceu alguns metros atrás. Ainda era o cirurgião que conhecia. Ainda não havia se tornado o homem que um dia seria: o Doutor Strange. ━ Você não é mais tão misteriosa quanto pensa. Sharon arqueou uma sobrancelha. ━ É mesmo? ━ Sim. ━ Ele fez uma pausa. ━ Mas você definitivamente não é quem diz ser. O sorriso dela desapareceu. Por alguns segundos, nenhum dos dois falou. Stephen finalmente respirou fundo. ━ Eu sei que existe alguma coisa acontecendo. ━ Você não sabe de nada. ━ Sei que você desapareceu por dias após me salvar. ━ Era a S.H.I.E.L.D! ━ Sei que recebia ligações no meio da noite quando dormíamos juntos. ━ S.H.I.E.L.D. outra vez! ━ Suspirou ela. ━ Você não deveria se preocupar comigo. Stephen sustentou o meu olhar. ━ Esse é o problema. ━ Qual? ━ Eu estou começando a me preocupar demais! Sharon desviou os olhos dele. ━ Stephen... ━ Não. ━ Ele respirou fundo. ━ Deixa eu terminar. Carter voltou a encará-lo. Stephen parecia diferente. Não havia arrogância. Não havia sarcasmo. Apenas honestidade. ━ Eu sei que você está envolvida com coisas que não pode me contar. ━ Está tentando me interrogar? ━ Não. ━ Então o que está fazendo? Stephen demorou alguns segundos. ━ Tentando entender por que você continua aparecendo na minha vida mesmo agora que sei quem realmente é! Sharon respirou fundo. ━ Porque agora eu posso ser quem quiser que seja e estar com você! ━ Disse com o honestidade. ━ Você sabe quem eu sou? ━ Sei. ━ Não. ━ Stephen balançou a cabeça. ━ Você sabe quem eu sou no hospital. O cirurgião. O cara que consegue entrar em uma sala de cirurgia e fazer coisas que ninguém mais consegue. ━ E você acha que isso não é suficiente? ━ Para você? ━ Ele a encarou. ━ Não. Sharon franziu a testa. ━ Por quê? Stephen respirou fundo. ━ Porque eu sei quem você é agora. ━ E? ━ Você trabalha para uma organização que enfrenta terroristas, armas experimentais, HYDRA... ━ Eu trabalhava! ━ O interrompeu. ━ Você conhece o Capitão América. ━ Steve? E daí? ━ Steve Rogers! ━ Ele pronunciou o nome com certa insegurança e admiração ao mesmo tempo. ━ Ele é exatamente o tipo de homem que faz sentido ao seu lado. Sharon piscou algumas vezes. ━ Você está falando sério? ━ Muito. ━ Stephen... ━ Ele é um herói. ━ E você não? Stephen soltou uma risada curta. ━ Eu sou médico. ━ Médicos salvam pessoas e você acabou de dizer que não é um herói. ━ Eu não sou. Ela cruzou os braços. ━ Isso é ridículo. ━ Não! Não é, Kate! Stephen aproximou-se um pouco. ━ Você acorda todos os dias sabendo que pode ser enviada para algum lugar e talvez não volte. Você enfrenta pessoas que eu nem consigo imaginar. ━ Ele respirou fundo. ━ Eu passo os meus dias tentando manter pessoas vivas em uma mesa de cirurgia. ━ Isso não torna você menos importante. ━ Não foi isso que eu disse. ━ Então o que está dizendo? Stephen ficou em silêncio. Dessa vez, demorou para responder. ━ Estou dizendo que não quero ser o homem que fica esperando você voltar. Sharon sentiu o peito apertar. ━ Eu nunca pedi que você esperasse. Pelo contrário. Estou desistindo de tudo agora! ━ Exatamente. Você está desistindo! Sharon o encarou. ━ Então você está terminando comigo porque acha que não quero desistir? ━ Você não quer! Vai por mim. ━ Parece que já decidiu por mim, não é mesmo? ━ A voz, saiu amargurada. Stephen desviou os olhos. ━ Eu não consigo competir com o Capitão América, Kate. Nunca serei um herói! Ela o olhou, completamente embasbacada. ━ Mas, mas eu te amo, Stephen! ━ Sussurrou, quebrada. Stephen respirou fundo e segurou a mão dela, dizendo por fim: ━ Vai passar! ━ Sussurrou de volta. ━ Logo, vou estar bem longe da sua memória também! (...) Sharon no carro e a cabeça, parecia que ia explodir. Não sabia direito do porquê, mas algo ali, algo estava diferente. Fechando os olhos, começou a ter Flashbacks. O sequestro pelo Soldado Invernal. A HYDRA. Os dois, no mesmo quarto. O beijo. E de repente, ambos juntos, fazendo amor. Era tudo tão claro que, quando o celular tocou, demorou para voltar a si. Então, olhando no visor, viu o nome de Steve Rogers. ━ Alô! ━ Sharon, sou eu. Você tá em uma linha segura? Demorou alguns segundos pra responder. ━ Agora estou, o que é? ━ É o Bucky! Estão indo atrás dele. Eu preciso da sua ajuda. Não posso fazer isso no momento, ajudá-lo... Ela respirou fundo, tentando reorganizar a mente em poucos minutos de conversa. ━ Já... Já tentou a Romanoff? ━ Ela tá fora da cidade e Sharon, eu só confio em você! Ponderando muito, Sharon soltou o ar devagar. ━ Tá legal, Steve! Eu vou buscá-lo. ━ Obrigado, Sharon! Muito obrigado mesmo. Ela desligou o celular e voltou a lembrar do que houve na HYDRA. O coração disparando no peito. Quase dois meses, com o Soldado Invernal. “O que você quer de mim, afinal? Você, eu quero você, boneca!” As vozes dela e de Bucky, preencheram-lhe a mente. Sharon, respirou, quase ofegante. ━ Isso é loucura! ━ Disse para si mesma. ━ Muita loucura! Respirou fundo e, por fim, arrancou com o carro para então, achar James Barnes. (...) Já no presente, Sharon olhava para Bucky, em perplexidade. Era como se, todas as memórias perdidas ou modificadas pela S.H.I.E.L.D viessem, de uma única vez. Os treinamentos na HYDRA, horas a fio. O Soldado Invernal a ensinando a ser como ele: efetiva e exímia, na missão. Os testes, após o supersoro. O corpo dela, resistindo ao controle, mas fingindo obedecer. E Pierce, descobrindo quando o Soldado Invernal, tentou ajudá-la a escapar. O resultado disso? Uma bela lavagem cerebral, para ambos. Quebrada, após a rejeição de Stephen e, a luta de Steve e Bucky. A ajuda dela, para James fugir para Bucareste. O pedido. Sharon, na Romênia, com ele. Ela olhou na direção de Barnes, confusa, como se esperasse alguma resposta. Como se quisesse, saber o que era real do que era mentira. E, antes que pudesse perguntar, a dor na cabeça. Mais forte, intensificando-se a cada segundo e profunda, veio. Sharon levou as duas mãos à cabeça. ━ Ah... Jemma imediatamente segurou seu braço. ━ Sharon! Bucky deu um passo para dentro do banheiro. ━ Sharon? Ela levantou os olhos. Por um segundo, viu James. No segundo seguinte, viu o Soldado Invernal. Depois James novamente. As imagens começaram a se sobrepor diante dela até que, desabou. Barnes rapidamente, deu três passadas largas adentro e, a segurou nos braços. ━ Sharon? ━ Ele a chamou devagar. Enquanto Jemma, perplexa, já buscava por ajuda, no celular. E Sharon? Bem, ela, já não os ouvia mais. Porque, estava caindo rapidamente na escuridão do completo abismo que, a sua própria mente, havia criado. Continua...
Ginza is an online community that connects people through a network of trusted friends. We are the happiest social network!
Our commitment is to create a safe and welcoming space, far from the hate of today's networks. A place to make friends, find people with the same tastes, and be who you want to be.
who do yOu know ?
O Ginza é uma comunidade online que conecta pessoas através de uma rede de amigos confiáveis. Somos a rede social mais feliz do Brasil!
Nosso compromisso é criar um espaço seguro e acolhedor, longe do ódio das redes de hoje. Um lugar para fazer amizades, encontrar gente com os mesmos gostos e ser quem você quiser.
quem vOcê conhece ?