Como era o Orkut · a sensação que o Brasil ainda procura
Quem usou lembra. Quem não usou nunca entendeu direito. O Orkut tinha um clima que nenhuma rede depois conseguiu repetir · era pequeno o suficiente para parecer um bairro, lento o suficiente para conversar, e estranho o suficiente para ter personalidade.
Você entrava e via o seu perfil
Não havia feed dominando a tela. O centro era o seu próprio perfil. Foto, recados, comunidades, depoimentos. Quem chegava no seu perfil via você · não "o que você postou".
Recados no mural
Os scraps eram o coração. Recadinhos curtos, públicos para os amigos, com correntes, brincadeiras, declarações tímidas. Foi onde muita gente aprendeu a conversar na internet.
Comunidades absurdas e maravilhosas
"Eu odeio acordar cedo", "Adoro o cheiro de livro novo", "Eu falo com a TV". Comunidades sobre qualquer coisa, com milhões de membros, sem algoritmo nenhum decidindo nada.
Depoimentos no perfil
Um amigo escrevia algo sobre você. Você aceitava. Aquilo ficava lá, público, para todo mundo ver. Era um gesto pequeno e importante.
Fotos do Orkut
O álbum de fotos do Orkut era simples e modesto · e por isso mesmo bonito. A maioria das pessoas tem ali fotos que perdeu em todos os outros lugares.
Se você sente saudade dessa sensação, o Ginza é a tentativa mais honesta de trazê-la de volta.
Não é o Orkut. Mas é parecido o suficiente para fazer sentido.