Top 10 comunidades icônicas do Orkut · uma retrospectiva nostálgica

O Orkut nunca foi só sobre perfis. Era sobre comunidades · pequenas tribos que você entrava para declarar, publicamente, exatamente que tipo de pessoa você era. Em 2007 já existiam mais de cinquenta milhões delas, e o brasileiro tinha um talento particular para batizar cada uma com a precisão de uma piada de stand-up. Esta é uma retrospectiva das dez comunidades que definiram aquela época · e uma nota sobre por que esse sabor de internet está finalmente voltando, agora no Ginza.

1 · Eu odeio acordar cedo

Dezenas de milhões de membros, zero tópicos de discussão que valessem a pena, e por anos a comunidade mais popular da história do Orkut. Entrar era o ponto inteiro · um clique que transmitia uma queixa universal para toda a sua lista de amigos.

2 · Eu amo dormir

A irmã gêmea natural da anterior. Se "eu odeio acordar cedo" era o protesto, "eu amo dormir" era o manifesto. Juntas cobriam aproximadamente 100% da condição humana entre as 7h e as 11h da manhã.

3 · Eu odeio segunda-feira

Ódio à segunda como performance artística. A descrição da comunidade quase sempre era uma imagem do Garfield e a lista de tópicos era um cemitério, mas o selo no seu perfil avisava a todo mundo que você, sim, era uma pessoa com emprego e com sentimentos.

4 · Adoro rir do alheio

A casa não-oficial de todo screenshot-de-briga do início da internet brasileira. Foi a comunidade que ensinou uma geração inteira que rir da desgraça alheia é um hobby perfeitamente aceitável desde que venha com um sorrisinho no fim.

5 · Eu fingia dormir pra meu pai me levar pro quarto

Uma comunidade cujo nome é um conto em três frases. Esse era o Orkut no seu melhor · estranhamente específico, emocionalmente preciso, e impossível de explicar para qualquer pessoa com menos de vinte anos sem soar maluco.

6 · Quem nunca?

O motor de tópico sem fim. Os membros postavam confissões cada vez mais banais ("quem nunca comeu Nutella direto do pote?") e esperavam o coro de "eu nunca" e "eu já". Era o quote-tweet de zoeira do Twitter, só que mais lento e mais educado.

7 · Eu odeio sexta-feira que cai no sábado

Humor absurdista puro · uma comunidade fundada em uma coisa que não pode acontecer, frequentada por gente que entendia a piada sem precisar de explicação. A internet de 2006 no seu auge mais brasileiro.

8 · Sou foda, e daí?

O flex de autoconfiança original. Entrar nessa comunidade era o equivalente Orkutiano de colocar uma frase no perfil que ninguém pediu. É também, estatisticamente, a comunidade que mais aparecia no perfil de quem depois atingiu o pico da vida em 2009.

9 · 99% das pessoas que eu conheço são loucas

O subtweet original. Cada membro sabia exatamente quem eram os 1% restantes, e os tópicos de discussão eram uma guerra em câmera lenta de olhares atravessados entre amigos em comum.

10 · Eu uso o celular como relógio

Vanguardista de um jeito que ninguém percebeu na hora · isso era 2006, antes do smartphone, quando admitir que você tinha parado de usar relógio de pulso era um pequeno ato de rebeldia. Hoje é só a descrição de todo mundo.

Por que isso importa agora

O que tornava essas comunidades icônicas não eram os tópicos, nem a moderação, nem o design · era a declaração. Você entrava em uma comunidade para dizer ao mundo alguma coisa sobre você em cinco palavras ou menos. O perfil era o museu; as comunidades eram o guarda-roupa.

O Ginza traz esse guarda-roupa de volta. Qualquer pessoa pode criar uma comunidade em segundos, batizar com qualquer coisa absurdamente específica e ver os amigos entrarem só pra ganhar o selo. A página da comunidade no Ginza é propositalmente simples · um nome, uma descrição, uma categoria, um mural · porque a mágica nunca esteve nas funcionalidades. Estava no título.

Se você já foi membro de "eu odeio acordar cedo", você já sabe usar o Ginza.

Explore comunidades no Ginza → · ou crie a sua e veja quem entra até o fim do dia.

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